Isaías – lição 5 – o nascimento que trará luz

Isaías – lição 5 – o nascimento que trará luz

Por: Queila Cristina de Oliveira Godinho

Isaías capítulos 7, 8 e 9.1-7

Introdução

A condição de depravação do homem não é nenhuma novidade, desde o pecado original o mundo permanece distante de Deus. Porém a promessa de restauração sempre foi algo real e concreto e a profecia de Isaías reitera a Israel a salvação de Deus. Este estudo tem como objetivo fazer uma breve expositiva dos capítulos 7,8 e 9:1-7 de Isaías, apontado as fragilidades do povo de Israel em seu relacionamento com Deus bem como a grande promessa de Deus relatada por Isaías, contextualizando com a realidade da igreja de Cristo.

Desenvolvimento

No contexto histórico de Isaías, a Assíria era considerada a grande potência militar, temida por todas as outras nações. No geral, para evitar o confronto, as demais nações optavam por se aliarem. Neste mesmo contexto Israel já não era mais uma nação única. As tribos foram divididas em reino do Norte, chamada de Israel ou Efraim (capital Samaria), que era composta por 10 tribos, e o reino do Sul, composta por Judá, onde encontrava-se a capital Jerusalém.

Esta divisão enfraqueceu os israelitas tornando-os vulneráveis aos inimigos. No evangelho de Lucas 11.17, Jesus diz que todo reino dividido contra si ficará deserto e a casa dividida contra si mesma cairá.

Ficar em dissensão foi tão prejudicial aos israelitas naqueles dias como é para a igreja de Cristo nos dias atuais. A igreja está dividida em religiões, denominações, ideologias e doutrinas. Isto permitiu o enfraquecimento do ensino do evangelho, a entrada do conformismo ao mundo e consequentemente o esfriamento e não cumprimento do chamado de Cristo para estender o reino de Deus na Terra.

Isaías 7.2

Embora a maioria das nações cedessem a Assíria, uma pequena nação chamada Síria resolveu rebelar e buscar aliados para si. Aliou-se então Efraim a Síria, e como Judá se recusara a fazer esta aliança, a Síria e Efraim planejavam pelejar contra a mesma.

Israel foi o povo separado por Deus para ser um referencial as outras nações, o objetivo era trazer a luz e não se juntar as trevas. Em 2Co 6.14 Paulo alerta a igreja de Corinto para não cometerem o erro gravíssimo cometido por Efraim, o julgo desigual. Não é possível haver aliança do povo santo de Deus com um povo ímpio, idolatra e perverso e as coisas acabarem bem. Assim como não é possível a igreja de Cristo se colocar em julgo desigual com pessoas cujos os princípios, ideologias não estão centrados em Cristo.

É importante ressaltar que o povo de Israel, tal como a igreja, não são melhores que as demais pessoas, mas foram escolhidos e santificados por Deus para trazer a luz e não se aliar as trevas.

A aliança com a Síria fez com que Efraim almejasse guerrear contra seu próprio povo, Judá. A dissenção trouxe o julgo desigual, o julgo desigual trouxe a perversão, a perversão trouxe a ira de Deus, pois Efraim, conforme profetizado por Isaías, foi destruída em 65 anos. Um abismo chama outro abismo (Salmo 42:7).

Isaías 7.2-9

Acaz, rei de Judá e todo o povo estavam agitados e com medo do possível ataque de Efraim/Síria. Porém Deus ordenou a Isaías que dissesse a Acaz que Efraim e Síria não subsistiriam, mas que era necessário crer.

Isaías 7.10-15

Acaz se recusando a crer, fingia piedade em não querer ver um sinal de Deus. Mas apesar disso Isaías traz a notícia do grande sinal que seria o nascimento de um menino através de uma virgem, o Emanuel.

Em um cenário de conflitos, falta de fé e a abundância de pecado (características de uma humanidade caída), Isaías traz a grande notícia da vinda do Deus resgatador da humanidade.

Isaías 7-17-25

Notem que não houve da parte de Isaías uma promessa de apaziguação da guerra, pelo contrário, a Assíria se levantaria contra Judá fortemente. A Assíria seria um instrumento de Deus para tratar com Israel. A promessa do Emanuel não estava relacionada a paz militar, mas a restauração espiritual do povo de Deus. O contexto de guerra acompanhou Israel ao longo de toda a sua história: O exílio da Babilônia, a tomada por Roma, a queda de Jerusalém, e mais recentemente, a perseguição nazista durante a 2ª guerra mundial e atualmente a guerra contra o estado Islâmico.

Não é diferente com a igreja de Cristo, vivemos em constante guerra, as vezes perseguições físicas, tal como ocorreu com a igreja primitiva e acontece com muitos irmãos ainda hoje em países sob o islamismo, como também as constantes guerras contra todo principado e dominadores do mal, e contra a própria natureza pecaminosa. Mas Jesus, em Jo 16.33 disse que passaríamos por aflições, mas que Ele venceu o mundo para nossa salvação eterna.

Isaías 8

O clima de tensão continua, o profeta reforça a necessidade de firmeza de fé do povo e santificação, mas já informa que Deus (na pessoa de Cristo) seria pedra de tropeço e rocha de ofensa para Israel. Novamente o povo não creu na palavra de Deus e buscavam outros recursos como necromante e adivinhos para dar respostas a crise que viviam.

O homem possui uma necessidade pessoal de respostas as suas crises que correspondem justamente a ausência de Deus (morte espiritual), a atitude dos israelita de desespero não é diferente nos dias atuais, há uma grande diversidade de ritos e religiões que tentam religar o homem a um Deus que lhe faz falta, e tal como Israel, erram por não buscarem essa luz no Messias. Mesmo a igreja que já tem acesso a luz de Cristo apresenta sinais de uma meninice espiritual (Ef. 4:14), sendo conduzida por qualquer vento de doutrina, apegando-se a ritos e símbolos para depositarem a sua fé, enquanto deveriam estar firmados na palavra de Deus (Rm 10:17), a mesma palavra que Israel recusou ouvir.

Isaías 9:1-7

Nenhuma profecia é feita fora de contexto. Em meio ao desespero e a guerra vem a promessa de Paz. Isaías anuncia a vinda de um Rei da linhagem de Davi que traria a paz e alegria tão esperada pelo povo de Israel. Das terras mais desprezíveis e assoladas do reino norte nasceria o grande Salvador, pois Deus escolheu as coisas fracas deste mundo para envergonhar as fortes (1Co 1:27). Esta geração não viu esta promessa se cumprir, pois o Jesus veio a nascer por volta de 700 anos depois, mas receberam a grande palavra de esperança de que Deus não havia se esquecido deles. Os títulos conferidos a esse salvador, fazia referência a sua missão messiânica e trazia grande expectativa ao povo porque representava o líder que eles tanto precisavam:

Maravilhoso conselheiro

Expectativa do povo: Um grande estrategista, orquestrando uma maravilhosa vitória para o seu povo.

Como se cumpriu: Trouxe a palavra de vida eterna;

Deus forte

Expectativa do povo: Um Deus guerreiro que mostraria poder divino enquanto guerreava pelo seu povo.

Como se cumpriu: Capaz de levar sobre si o peso dos nossos pecados vencendo o reino das trevas;

Pai da Eternidade

Expectativa do povo: Seria o pai real da nação, seu cuidado paternal pelos seus súditos jamais acabaria.

Como se cumpriu: Está conosco pela eternidade.

Príncipe da Paz

Expectativa do povo: seu governo seria tão eficiente que prenunciaria a paz.

Como se cumpriu: Nos trouxe a paz da sua presença que o mundo não pode dar.

Conclusão

As guerras e conflitos humanos estão relacionados ao seu rompimento do relacionamento com o seu criador. O homem sem Deus se tornou mau, e produz o mal. Porém Cristo é o nosso resgatador, a promessa cumprida, o caminho que nos leva ao nosso amado Pai.


Por: Queila Cristina de Oliveira Godinho

Referencias Bibliográficas:

A mensagem de Isaías. Pecado, arrependimento e salvação. Souza, R. F. Revista Expressão. Editora Cultura Cristã. São Paulo. nº59/3° trimestre de 2015.

Biblia Shedd: Antigo e Novo Testamentos. Russell Shedd. 1997.

HARRISON, Everety F. Comentário Bíblico Moody, vol. 4 e 5. (1983).

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