Isaías – Lição 9 – A identidade do povo de Deus

Isaías – A identidade do povo de Deus

Por: Edicarlos Godinho

Resumo histórico

Nos primeiros estudos vemos muitas profecias sobre Efraim e Judá e informações sobre o cativeiro Assírio. Judá permanece por mais um tempo, são cerca de 133 anos do cativeiro assírio até o cativeiro babilônico. A Assíria entra em decadência enquanto a Babilônia está em ascensão. Babilônia derrota a Assíria e continua a pressão contra Judá. Depois de algumas tentativas de revolta de Judá, Babilônia arrasa com Judá e leva o povo cativo. Foram 3 deportações ao todo. A primeira em 609 a.C, a segunda em 598 a.C e a terceira em 587 a.C. Então foram 22 anos apenas para completar a deportação. O cativeiro babilônico termina em consequência da queda da Babilônia pelas mãos de Ciro rei de outro Império, o persa. A queda da babilônia aconteceu em 538 a.C. Então foram cerca de 70 anos de duração desse cativeiro. Após a queda da Babilônia, Ciro faz um decreto autorizando os judeus a regressar para a terra de Judá. O povo estava tão desmoralizado após o cativeiro que nem tinham vontade de voltar, foi um trabalho pesado de Esdras e Neemias para motivar o povo para voltar para Jerusalém reconstruir o templo e os muros da cidade. Quando o povo de Israel retorna a terra encontra os samaritanos, descendência do reino do Norte, com seu sincretismo religioso praticavam uma religião pagã misturada com a lei de Moisés. Conviveram juntos, porém com essa hostilidade que permanece até os tempos de Jesus. Cerca de 500 anos mais tarde vemos nos evangelhos relatos de que Judeus não se dão bem com os samaritanos.

Contexto histórico do capítulo 56.

A maioria dos estudiosos afirmam que do capítulo 40 até o 66 se referem ao cativeiro babilônico, sendo que no capítulo 56 vemos que Deus já dava sinais que o cativeiro estava chegando ao fim: “…a minha salvação está prestes a vir, e a minha justiça, prestes a manifestar-se…” Is 56.1. Os destinatários, são portanto, um povo cativo, totalmente desestruturado, com sua cultura, língua e princípios corrompidos.

Estrutura e síntese de Isaías 56.1-8

O capítulo 56 é o texto da reflexão desse estudo. Verso 1 é uma admoestação de Deus para o seu povo. Verso 2 uma benção de Deus para aqueles que cumprirem essa admoestação. Do Verso 3 ao 7 Deus se dirige ao estrangeiro e ao eunuco, Deus coloca em evidencia o amor a Ele, a dedicação ao serviço e o desejo pela Sua aliança no lugar do exclusivismo judaico. Verso 8 Deus promete congregar outros aos que já se acham reunidos.

Essa promessa se cumpriu em Jesus, através de Jesus, a salvação de Deus tem alcançado os gentios de tal maneira que hoje a igreja do Senhor é composta por muitos gentios dos quais fazemos parte, e vai continuar se cumprindo até a volta de Cristo.

Então essa é uma profecia do Senhor que não foi dirigida somente aos exilados mas a todas as pessoas em todos os lugares, em todas as épocas, pois fala da possibilidade de salvação a todos os que servirem a Deus.

Um ponto interessante que percebemos nesta profecia, assim como em outras, é que Deus vai suavizando o exclusivismo judaico e abraçando o gentio.

Análise de Isaías 56.1-8

“Assim diz o Senhor” Isaías começa e termina com essa expressão que autentica sua mensagem, isso quer dizer que ele não fala de si mesmo nem fala de algo do seu conhecimento, mas trata-se de uma mensagem de Deus ao povo.

“Chamado à justiça e ao juízo” Juízo é a capacidade da pessoa discernir entre o bem e o mal. Justiça é andar em retidão. Em outras palavras Deus está dizendo ao seu povo: faça separação entre o bem e o mal e escolha o bem e ande nele, abandone os seus pecados e viva em retidão. Porque? Porque Deus revelaria sua salvação e a sua justiça. Deus quer com essas palavras recobrar o ânimo do povo que está abatido após passar uma geração no cativeiro. Deus parece estar relembrando o povo que tem promessas para cumprir, mas é necessário que o povo esteja preparado, vivendo em retidão.

A manifestação dessa salvação se cumpriu de forma plena na vida de Jesus Cristo. Jesus é a salvação de Deus. Deus quer que o povo viva uma vida que corresponda com a justiça a qual ele pretende revelar. O chamado para a salvação no evangelho exige uma vida justa, comprometida com o  Reino de Deus. Essa é uma característica do novo testamento. Jesus ofereceu a salvação e exige uma vida de renuncia, de santificação, de comprometimento com a cruz. Deus é santo e justo e Ele espera que o povo que se relacione com Ele tenha uma vida coerente com esse Deus, o povo precisa refletir essa salvação, essa justiça.

Verso 2: Bem aventurado (feliz) aquele que faz isso

Isso o que? Faz o que ele disse no verso 1, mantem a justiça e o juízo. E, além disso, guarda o sábado e guarda a sua mão de praticar o mal. Esse texto da muita ênfase a guarda do sábado, por 3 vezes, versos 2, 4 e 6. Se fossemos adventistas esse texto seria um prato cheio para nós. No entanto, quero fazer a observação de que o sábado é um sinal externo da aliança com Deus, não são os sinais externos que diferenciam o religioso do verdadeiro discípulo, mas sim o seu caráter, o objetivo maior de Deus é alcançar o coração do homem, é uma transformação interior. O sábado aqui parece ser um símbolo para uma vida religiosa de uma forma geral, porque guardar o sábado não é o principal mandamento de Deus, então ele é usado para representar a lei, que é a expressão da vontade de Deus e do seu caráter. Essa palavra profética coloca então no mesmo patamar de importância a vida justa e reta com a prática religiosa, ou seja, tem que andar junto ter que haver um equilíbrio entre elas. Jesus não simplesmente condenou a prática religiosa, Jesus condenou a pratica religiosa desassociada da fé, da misericórdia e do amor. Os fariseus eram os alvos das críticas de Jesus justamente por isso, a religiosidade deles era desacompanhada da justiça e retidão.

Verso 3: A situação dos estrangeiros e eunucos

Deus expõe a queixa dos estrangeiros e eunucos, os estrangeiros lamentam por não fazerem parte do povo de Deus e os eunucos lamentam por sua impossibilidade de gerar filhos, além disso não podiam presenciar o culto a Deus (Dt 23.1-9). Mesmo que desejassem servir a Deus a lei os impedia. Mas através da graça que há de ser revelada através da justiça de Deus, ou seja, através de Jesus, a situação seria mudada. Tanto o eunuco quanto o estrangeiro seriam aceitos diante de Deus e terão acesso as bênçãos dessa nova aliança. Deus destaca as características dos estrangeiros e dos eunucos, pessoas que escolhem o que lhe agrada, abraçam a sua aliança, servem e amam o nome do Senhor. Mais uma vez o foco é tirado do exclusivismo da etnia e passa a ser a prática de uma verdadeira espiritualidade.

A Identidade do povo de Deus

O povo de Deus possui uma identidade que o distingue daquele que não é povo. Não é a herança genética, a religiosidade ou a aparência, mas as sim, a obediência, o caráter. O gentio se torna servo de Deus, filho de Deus assim como o judeu se ambos forem interiormente de coração convertidos ao Senhor.

Fechamento

Deus finaliza dizendo que ele é quem congrega os dispersos de Israel, ou seja, os exilados. E também congrega os estrangeiros e eunucos com aqueles que já foram reunidos. No novo testamento vemos o pleno cumprimento dessa profecia através de Jesus Cristo, assim como no livro de Atos e nas cartas de Paulo, detalhes de como os gentios foram alcançados pelo evangelho.

Por: Edicarlos Godinho

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *