Isaías – Lição 6 – O Renovo de Jessé

O Renovo de Jessé

Por: Edicarlos Godinho

Isaías 10.5 até Isaías 12.6

introdução

Vamos relembrar um pouco do contexto histórico e as profecias de Isaías vistas na última lição (lição 5), porque servirão de gancho para essa lição de hoje. Efraim, o Reino do Norte, se alia aos Sírios tanto para resistir o Império Assírio quanto para atacar Judá. Isaías vai ao encontro do rei Acaz para levar um aviso de Deus, que o rei pode ficar tranquilo que Deus não permitiria que os planos de Efraim e Síria prosperassem, o rei só precisaria crer na proteção de Deus, porém Acaz não crê. Isaías também oferece um sinal de Deus, no entanto o rei despreza o sinal de Deus. Isaías apresenta o sinal mesmo assim: “Pois sabei que o Eterno, o Senhor, ele mesmo vos dará um sinal: Eis que a virgem ficará grávida e dará à luz um filho, e o Nome dele será Emanuel, Deus Conosco”, logo depois Isaías traz uma segunda profecia: “Porque um menino nos nasceu, um filho se nos deu, e o principado está sobre os seus ombros, e se chamará o seu nome: Maravilhoso, Conselheiro, Deus Forte, Pai da Eternidade, Príncipe da Paz.” Nós sabemos que essas profecias se referem a Jesus e foram cumpridas nele.

Contexto Histórico

O contexto histórico por traz das profecias estudadas nessa lição 6 são consequências dos atos de Acaz praticados na lição anterior. Porque Acaz não creu em Deus e por ter desprezado sua proteção e o seu sinal, Deus entregou o reino de Judá nas mãos de Efraim e Síria. O próprio livro de Isaías não traz para nós os detalhes dessa batalha, temos que recorrer aos livros de 2Cr 28 e 2 Rs 16. Morreram naquela batalha 120 mil homens de Judá num único dia, além disso levaram cativos de Judá 200 mil mulheres, filhos e filhas.

Porém Deus intervém com misericórdia para que a tragédia ainda não seja maior e manda um profeta chamado Odede para ir de encontro ao exército de Efraim, antes mesmos que chegassem a Samaria, e dizer ao exército que Deus estava com o furor de sua ira sobre eles por terem se excedido sobre os seus irmão de Judá e que enviassem de volta a Judá os cativos que foram levados. Pela intervenção divina os exércitos se arrependem e deixam o povo ir, mas antes disso dão de comer aos cativos, dão agua, dão roupa aos que estão nus e montaria aos que não tinham condição de voltar a pé. Uma atitude realmente rara e inesperada diante de tanta perversidade do Reino do Norte.

O Reino de Judá fica ainda mais enfraquecido diante de tantas baixas em seu exército. Os Edomitas e os Filisteus se aproveitam dessa fraqueza e atacam também a Judá, enquanto os Edomitas levam parte do povo cativo os Filisteus tomam parte da terra e habitam nelas.

Diante de toda essa tragédia, Acaz ao invés de se arrepender e buscar a Deus, manda mensageiros ao Império Assirio pedindo socorro e propondo um acordo, o rei da Assíria, Tiglate-Pileser aceita a proposta de Israel mas coloca Acaz e o Reino de Judá em uma situação pior, porque teve que se subjugar aos impostos da Assíria. Acaz saqueia o Templo de Deus levando roubando todo ouro e prata e dá de presente a Assíria assim como também todo o tesouro da realeza.

Já podemos tirar uma lição daqui, que o socorro vindo do mundo só causa mais aflições. Hoje em dia vemos pecados semelhantes ao de Acaz no meio cristão, em meio a igreja. Infelizmente há muitos cristãos insensatos e imprudentes resolvendo os seus problemas com um “jeitinho mundano” ao invés de recorrer a Deus. As vezes até de uma maneira perversa a ponto de atrair a ira de Deus sobre si e sobre sua família a semelhança de Acaz. Que Deus preserve sua igreja de tal coisa em nome de Jesus.

Nossa reflexão vai dos capítulos 10.5 até 12.6 que compreendem 3 profecias: uma é “A profecia contra a Assíria” a outra sobre “O Renovo de Jessé” e a última, que eu gostaria de chamar de “O Cântico do Milênio”.

Capitulo 10 – Profecia contra a Assíria.

Deus usa o Império Assírio para punir Efraim e Judá por causa de suas desobediências e pecados. Isso revela a soberania de Deus no mundo. Isso mostra que Deus dirige a história da humanidade para a realização dos seus propósitos.

O fato de Deus usar a Assíria não significa que Deus era com a Assíria ou que Deus aprovava a Assíria, pelo contrário, Deus reprovava a Assíria porque era um império ímpio, perverso, cruel, violento, soberbo. Mas Deus precisava de disciplinar Efraim e Judá e, portanto, dentro de sua Soberania, resolveu usar a Assíria para isso. E por causa de toda a sua impiedade, a Assíria também seria punida. Então Deus, através de Isaías, profetisa sua queda, vemos que posteriormente essa profecia se cumpre. Deus manda um só anjo que matou 185 mil Assírios (2 Rs 19), a partir daí a Assíria começa a enfraquecer e por fim, mais tarde, Deus usa o Império Babilônico para destruir o que sobrou da Assíria.

O propósito de Deus de enviar a Assíria contra Israel foi para o arrependimento a conversão do povo, não simplesmente para destruir. Muitas pessoas olham para essas guerras da antiguidade assim como para toda a maldade do mundo de hoje, miséria, fome, morte, doenças e etc… e perguntam porque Deus permite tudo isso? Deus não controla a humanidade, apenas direciona a história para que os seus propósitos sejam alcançados, no mais, deixa o homem através de suas obras manifestem aquilo que está dentro dos seus corações, e por causa da natureza pecaminosa o homem tende para o mal, o homem simplesmente colhe o mal que ele mesmo planta. Deus disciplina aqueles a quem ama para que retornem para o seu caminho, apesar da disciplina, sempre notamos o cuidado e a misericórdia de Deus para com o seu povo não permitindo que o povo fosse destruído completamente, apenas disciplinado por causa de seus pecados para que houvesse arrependimento e conversão. Deus agiu e age assim com o povo de Israel como também tem agido com a sua igreja.

Observação: Na bíblia lemos sobre muitas guerras contra a nação de Israel tão antigas e distantes que as vezes até nos parece meras histórias, porém vimos como a nação de Israel foi perseguida durante a primeira e segunda guerra mundial e o quanto sofreu pelas mãos de Hitler e da Alemanha, milhões de Judeus foram mortos, isso há pouco mais de 50 anos, presenciados por muitos de nossos pais e avós. Não seria este também um mover de Deus para arrependimento e conversão de Israel em nosso tempo?

Capítulo 11 – Renovo de Jessé

Esse é o núcleo da nossa reflexão, profecia que dá título ao nosso estudo, podemos dividir essa profecia em duas partes, versos 1 e 2 contém uma parte que já se cumpriu e dos versos 3 até o final contém uma parte da profecia que vem se cumprindo aos poucos e que, segundo a maioria dos estudiosos, se cumprirá no Milênio.

No verso 1 temos a visão que temos é de Israel e Judá é de uma floresta devastada após os conflitos que se seguiram no contexto histórico que abordamos anteriormente, por isso encontramos aqui a palavra “tronco” no início desse versículo. E Jessé é mencionado aqui por ser pai de Davi, segundo as profecias, o messias procederia da linhagem de Davi.

No verso 2 temos uma série de atributos do Espírito Santo presente no Messias. Isso revela o seu caráter, caráter esse que encontramos em Jesus e é demonstrado nos evangelhos. Ao longo da história de Israel vemos um ou outro rei ou juiz de Israel com algum atributo de Deus sobre sua vida. Davi era um homem segundo o coração de Deus, Salomão tinha sabedoria e etc., mas em Jesus vemos presente todos os atributos de Deus que comprovam que de fato ele era o Messias que havia de vir. Portanto em Jesus vemos que estes dois versículos já se cumpriram.

Versos 3,4 e 5 ressaltam duas características do Messias, justiça e juízo, que embora estivessem presentes na vida de Jesus, estes versículos mostram como essa justiça e juízo seriam aplicados sobre a terra, percebemos então que dessa exata maneira Jesus não atuou nessa sua primeira vinda, logo esta parte da profecia ainda está para se cumprir.

Versos 6 a 9 mostram um cenário que a maioria dos interpretes e estudiosos também supõem que só podem caracterizar o período do Milênio. Haverá uma paz tão sublime sobre a terra de maneira que isso refletirá até na natureza.

Versos 10 até o final temos uma parte da profecia que é dedicada a falar sobre a restauração de Israel nesse tempo, o Milênio. Essa restauração é caracterizada pelo ajuntamento de todos os judeus espalhados sobre a face da terra em um único lugar: Israel. Haverá reconciliação e união entre as tribos e Jesus fará de Israel uma nação de destaque sobre a terra, um referencial do governo do Messias.

Observação: Deus já começou a trabalhar nesse sentido desde 1948 com o restabelecimento do Estado de Israel, com o aval da ONU.

Nessa profecia do capitulo 11 vemos 3 características do Messias e seu governo:

1° A sua divina capacitação para governar. Por melhor que tenham sido alguns reis ou juízes de Israel, todos pecaram em algum ponto, nenhum se compara ao Messias. Perfeito e com todos os tributos de Deus. Assim Deus cumpre essa parte da profecia e envia Jesus, sem pecado e com todos os atributos de Deus.

2° Justiça absoluta do seu governo. Justiça verdadeira, não haverá impunidade, os necessitados serão atendidos, completamente diferente do que temos visto no mundo em especial no Brasil.

3° Consequências do seu Reinado. A paz será estabelecida de tal maneira no mundo de modo que não haverá conflitos e até mesmo na natureza veremos o reflexo dessa paz.

Capitulo 12 – “O Cântico do Milênio” ou “Canto de louvor pela restauração de Israel”

O capitulo 12 é um cântico de ação de graças, e ele é profético. Ele é uma resposta ou conclusão apropriada para a profecia do capitulo 11. Assim como parte do capitulo 11 não se cumpriu o capitulo 12 também não se cumpriu visto este é uma resposta àquele.

Diante da vinda do Messias, o estabelecimento pleno do seu reino na terra, e da restauração de Israel, os Judeus demonstram a sua gratidão a Deus através desse cântico.

Milênio

Gostaria de abrir um parênteses aqui para falar um pouco dessa escatologia presente nessas profecias e para falar sobre o Milênio para aqueles que nunca ouviram sobre ele, uma vez que foi citado neste estudo.

A bíblia fala de pelo menos duas vindas de Cristo, alguns dizem que são 3 vindas.

A primeira vinda de Cristo aconteceu na Pessoa de Jesus, para nós cristãos o Messias já veio, não temos dúvidas sobre isso, no entanto, infelizmente a maioria dos judeus não creram que Jesus Cristo é o Messias. Jesus nasce, cresce, morre e ressuscita e sobe aos céus, e deixa para os seus discípulos a promessa de que retornaria para buscar a sua igreja para que, onde ele esteja, estejamos nós também. Por isso aguardamos a sua segunda vinda.

A segunda vinda de Cristo acontecerá em cumprimento a sua promessa feita na primeira vinda. Nós cristãos também não temos nenhuma dúvida sobre isso, afinal, essa é a grande esperança da igreja desde que Jesus subiu. Jesus voltará e arrebatará sua Igreja e os salvos da antiga aliança, os vivos e os mortos. Para mais informações sobre a segunda vinda de Cristo leia 1ª Ts 4.13-17.

O que vou dizer daqui em diante é um conceito da teologia dispensacionalista. Não é uma visão da Igreja Batista Vale Verde, nossa igreja não defende nenhuma doutrina escatológica, não por uma questão de fé, mas porque normalmente é uma discussão de meras hipóteses, por isso não costumamos tocar muito em assuntos escatológicos, portanto vou deixar aqui o conceito dispensacionalista, que parece ser o conceito mais aceito entre os estudiosos, para conhecer outra visão escatológica faça uma pesquisa sobre “teologia do pacto” no Google.

Após o arrebatamento se inicia simultaneamente uma era no céu chamada de “As bodas do cordeiro” e outra na terra chamada de “Tribulação” e “A Grande Tribulação” na qual passará aqueles que não foram arrebatados. Os dispensacionalista creem que essas duas eras durarão 7 anos. Essas eras também terminarão simultaneamente e o fim delas se dará com a terceira vinda de Cristo.

A terceira vinda de Cristo, Jesus retornará com os arrebatados e reinará na terra por um período de mil anos, por isso chamado de Milênio pelos dispensacionalistas. Bem, toda essa volta que fizemos no assunto foi para dizer que os capítulos 11 e 12 de Isaías vão se cumprir na sua totalidade nesse período do Milênio. Como a maioria dos Judeus não creem que Jesus é o Messias, essa vinda, que para nós seria a terceira vinda de Cristo, para o Judeu será a primeira e única vinda, o tempo da restauração de Israel. O reino de Deus será manifestado na sua plenitude para a humanidade. Fechamos aqui o nosso parênteses escatológico.

Conclusão e aplicação

Para os Judeus o tempo de salvação se dará quando o reino de Deus se manifestar na sua plenitude, porém para nós os cristãos o tempo de salvação é agora. A nossa resposta a essa salvação de Deus deve ser a mesma do Judeu, no entanto, é para hoje! Devemos então, por causa dessa salvação que nos foi dada por intermédio de Jesus Cristo demonstrar nossa gratidão e fazer conhecido o nome de Jesus e os seus feitos em terra através do nosso testemunho pessoal.

Jesus veio em cumprimento as profecias de Isaías e estabeleceu o reino de Deus, embora o reino de Deus não tenha se manifestado na sua plenitude, nós já podemos desfrutar das bênçãos dessa salvação.

Em resposta a salvação manifestada a nós por meio de Jesus Cristo, ofereçamos nosso louvor, nossa adoração, nossa gratidão, assim como o nosso testemunho cristão para que, pela misericórdia e graça de Deus, aqueles que ainda não foram alcançados sejam alcançados para a glória de Deus pela pregação do evangelho.

“Rogo-vos pois, irmãos, pela compaixão de Deus, que apresenteis os vossos corpos como um sacrifício vivo, santo e agradável a Deus, que é o vosso culto racional.” Rm 12.1


Por: Edicarlos Godinho

Referencias Bibliográficas:

A mensagem de Isaías. Pecado, arrependimento e salvação. Souza, R. F. Revista Expressão. Editora Cultura Cristã. São Paulo. nº59/3° trimestre de 2015.

Biblia Shedd: Antigo e Novo Testamentos. Russell Shedd. 1997.

Russel Normam Champlim. Comentário do Antigo testamento versículo por versículo. Hagnos; Edição: 2ª (1 de janeiro de 2003)

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