Isaías – Lição 4 – Julgamento Sobre a Impiedade

O resultado da opressão e a injustiça social em Israel é o empobrecimento geral da terra

Por: Fernanda Viana

INTRODUÇÃO

Nesta lição, veremos as consequências do alastramento e da banalização do pecado na vida do povo da aliança. Veremos mais uma vez, a menção a inversão de valores na sociedade, de modo que o bem era tido por mal, e o mal por bem. Veremos também as consequências desses pecados na sociedade e o modo como o Senhor reagiu a tudo isso, estendendo a mão contra seu próprio povo. 

Contexto Histórico

O Reino de Israel  foi a nação formada pelas 12 Tribos de Israel, um povo descendente de Abraão, Isaac, e  Jacó .

Após o Êxodo do Egito, sob a liderança de Moisés, os israelitas que eram nômades, vaguearam pelo deserto durante décadas até que sob a liderança de Josué  conquistam a terra de Canaã, e estabelecem-se nas terras conquistadas, dividindo o território entre as 12 tribos.

Contudo não existia um verdadeiro poder central pois cada tribo governava a si própria. Os líderes nacionais, que eram chamados Juízes tinham um poder muito frágil e só conseguiam unir as várias tribos em caso de guerra com os povos inimigos.

Cansados desta situação as tribos israelitas resolveram unir-se e instaurar uma monarquia. O profeta Samuel designou Saul como o primeiro Rei de Israel.

Saul não modificou a organizações das tribos, mas desobedeceu ordens do profeta Samuel. Deus proclama a Samuel que o jovem pastor Davi seria o novo rei de Israel.

Davi em seu reinado consegue estabelecer um forte exército e expulsar os filisteus. Também invade a cidade de Jerusalém e a transforma em sua nova capital.

Quando Davi morre, seu filho Salomão assume o trono, melhora o exército, fortalece a economia. Salomão construiu o Templo de Jerusalém  e isso gerou um aumento dos impostos que permaneceram mesmo após o fim da construção, o povo estava descontente com os impostos abusivos.

Após sua morte, seu filho Roboão assumiu o trono, mas devido ao descontentamento em relação aos impostos, as 10 tribos do Norte separam-se e proclamaram Jeroboão como seu rei. Israel foi dividido entre o Reino de Israel (ao Norte com capital em Samaria) e o Reino de Judá (ao Sul com capital em Jerusalém).

Jeroboão não quis que o povo fosse a Jerusalém para adorar no templo do Senhor. Assim, fez dois bezerros de ouro e fez com que o povo do reino de 10 tribos os adorasse. Logo, o país ficou cheio de crimes e violência.

Os reinos de Israel e Judá travaram disputas um querendo conquistar o outro.

O reino do norte (Israel) terminou em 721 com a tomada da Samaria pelos assírios. Parte da população foi deportada para a Assíria. Por sua vez, o reino de sul (Judá) terminou em 587, quando Jerusalém foi saqueada, o templo e o palácio real foram destruídos pelos babilônios, grande parte da população foi deportada para a Babilônia. 

Isaías 5

  1. O cântico da vinha (5.1-7)

Esta alegoria reflete sobre o amor existente entre o Senhor e o Seu povo, muitas vezes representado como uma vinha (à semelhança de Isaías 1:8 e 3:14).

O “amigo” do profeta cavou num terreno e preparou-o para receber as plantas que originariam a vinha, selecionando-as cuidadosamente (v.2). Ele até chegou a construir uma torre de onde podia observar o estado da plantação, edificando ainda um lagar para armazenamento das uvas. No entanto, a vinha “só produziu uvas bravas”.

É a vez do Senhor falar. Ele pede aos habitantes de Jerusalém e de Judá que atuem como juízes nesta questão, comprovando que Ele tudo fez para o bem da vinha. Ela, pelo contrário, recompensou-O ingratamente com uvas bravas(v.3).

“Que se poderia fazer pela minha vinha que eu não tenha feito? Porque, quando eu esperava vê-la produzir uvas, só deu uvas bravas?” (v.4)

Deus teve de tomar uma decisão em relação à vinha, removendo a proteção com que a havia rodeado (v.5) – a “sebe” e o “muro”. Assim sendo, o povo israelita ficou sujeito aos seus inimigos, em especial aos exércitos da Assíria e da Babilônia. A vinha não receberá mais qualquer tipo de cuidado, e rapidamente ficará repleta de “sarças e espinhos”, tornando-se um terreno infértil e sem qualquer utilidade (v.6). Deus explica, por fim, o que significa tal alegoria:

“A vinha do Senhor dos exércitos é a casa de Israel e os homens de Judá são a planta da Sua predileção. Esperei deles a prática da justiça, e eis o sangue derramado; esperei a retidão, e eis os gritos de socorro.” (v.7)

Uma bela ilustração da vinha do Senhor na qual Deus desejou e esperou que desse frutos bons, mas que na verdade produziram frutos maus.

Aqui, Isaías cantou sobre as maneiras como Judá se rebelara contra Deus, usando as imagens de uma vinha e de um agricultor (veja Mt 21:33-44; Jo 15:1-6).

Tudo foi feito a favor da vinha para que sarasse e produzisse o esperado, com grande atenção, Deus tinha preparado e estabelecido o seu povo para as gerações que se seguiriam, mas de nada adiantou os esforços e aplicação de recursos.

O que faria, então, o dono da vinha? Então veio a palavra de julgamento de que ali se tornaria algo terrível e a vinha serviria de pasto, onde seria pisada e depois tornada em deserto.

O verso 7 explica a parábola da vinha e o que era esperado em Deus: justiça e juízo. Israel era essa vinha que se corrompeu totalmente nos dias da visitação de Deus.

  1. Os ais contra o povo de Deus (5.8-30).

As profecias iniciadas por “Ai” trazem uma severa mensagem de juízo da parte do Senhor. São seis os “Ai” desse capítulo, que representam uma terrível ameaça, todos eles contra os perversos do povo de Deus.

  1. O primeiro Ai condena a ganância.
  2. O segundo Ai condena a corrupção social.
  3. O terceiro Ai condena a corrupção teológica.
  4. O quarto Ai condena o orgulho e a corrupção moral.
  5. O quinto Ai condena a corrupção espiritual.
  6. O sexto Ai condena a corrupção social.
  1. O primeiro Ai condena a ganância.

A Terra Prometida sempre pertenceu a Deus – Lv 25:23 – que a deu para os filhos de Israel conforme tinha prometido – Nm 33:54 – para ser a base da sobrevivência de qualquer família da aliança. Nela habitavam povos de costumes estranhos que já tinham sido julgados por Deus e que deveriam ser exterminados ou expulsos de sua habitação.

No entanto, negligenciaram a Palavra de Deus e com os povos fizeram alianças e os imitaram pelo que o juízo que tinha vindo sobre os povos, agora vinha sobre Israel também.

Quando os israelitas foram privados da terra que tinham recebido em herança, os seus cidadãos se tornaram operários diaristas ou escravos de outros povos.

Por conta disso, haviam os que se aproveitavam da ocasião como uma oportunidade de grande negócio e com ela oprimia o povo fazendo da terra dada por Deus objeto de suas ganâncias para ajuntarem terras e casas e campos e serem os senhores da terra. O profeta estava lidando com o problema da transformação das terras em latifúndios e com outras formas de alienação doas pobres. O verso 8 deixa claro que a opressão consiste em acúmulos de posses e terras cada vez maior pelos ricos e carência dos pobres.

A terrível consequência disso seria a maldição de Deus sobre os bens adquiridos com a ganancia e o fruto disso seria o deserto, a fome, a escassez e a produção fraca.

  1. O segundo Ai condena a corrupção social.

Aqui o ai está sobre todos os que não estão nem ai com a causa de ninguém, antes querem se banquetearem com o vinho forte e de dia e de noite se entregam aos vícios somente para passarem o tempo de forma totalmente irresponsável.

Com frequência, abusar do consumo de bebidas alcoólicas ou se entregar aos vícios caracteriza depravação social e frouxidão moral (caps. 22, 28; Am 4:1-3; 6:6-7) pelo extremo do egoísmo.

Depois das acusações dos versículos anteriores, é apresentada a sentença. Assim serão levado cativos por falta de conhecimento e dessa forma seus nobres passarão fome e a multidão se secará de sede. Verdadeiramente não consideram os feitos do SENHOR, nem olham para as obras das suas mãos.

O próprio exílio está ligado à própria morte. A morte devoraria com feroz apetite todo aquele que tivesse se afastado de Deus, tanto os “nobres” (v. 13) quanto as pessoas comuns (“multidão”, vs. 13-14).

  1. O terceiro Ai condena a corrupção teológica.

O terceiro ai condena a corrupção teológica intencional e danosa daqueles que se vestem da iniquidade (perversidade, maldade) e que se cobrem com o pecado (transgressão da lei), para em seguida, desaforadamente, usarem o nome do Senhor como demonstrando grande santidade e temor a Deus para o povo. 

  1. O quarto Ai condena o orgulho e a corrupção moral.

Aqui os papeis são invertidos e a teologia usada é a reversa. O mal é que o bem e o bem que é o mal. Ficaram tão cheios de si mesmos que agora são capazes de inverterem as coisas e confundirem o inocente.

A corrupção moral está tão impregnada em seus poros que já respiram o próprio ar do orgulho e da vaidade.

  1. O quinto Ai condena a corrupção espiritual.

O “sábios a seus próprios olhos” é uma expressão que indica uma autoconfiança arrogante. A revelação de Deus  – ele é o único que sabe todas as coisas -, é o único fundamento firme para todo conhecimento verdadeiro (veja Pv 3:7; 26:5,12; 28:11).

  1. O sexto Ai condena a corrupção social.

O sexto ai condena os que rejeitam a lei do Senhor e desprezam a palavra do Santo de Israel – vs 24. Quem são esses?

Os heróis e valentes da bebida forte! Os que se enriquecem com o suborno e com as falcatruas; os que não estão nem ai para a justiça ou para a situação social do povo; os que justificam os perversos e negam justiça aos justos!

Muitos desses são aplaudidos de pé e nas festas são a referência do que não presta e são rodeados também de mulheres e daqueles que querem rir um pouco da desgraça alheia. É por isso que a ira do Senhor se acende! Se acende contra eles e contra o povo todo que os aplaude e querem ser como eles, igualmente podres.

Isaías 9:8-21 / 10:1-4 – O castigo pela impiedade

O povo se manteve firme em sua rebeldia, alegando poder reconstruir o que havia sido devastado, só que melhor do que antes. Não houve reconhecimento de que o que lhes sobreveio foi um castigo do Senhor por causa do pecado. Não houve reconhecimento do pecado, nem justiça, nem arrependimento.

De modo geral, ninguém ficou de fora da condenação de Deus ao povo de Judá e Jerusalém. Nem mesmo os órfãos e viúvas, grupos que normalmente são destacados como objetos especiais do favor do Senhor, devido a sua vulnerabilidade e fragilidade. No entanto, a impiedade havia se alastrado de tal forma, que até órfãos e viúvas são vistos como ímpios e malfazejos.

Contudo, uma punição especial está destinada aos lideres e legisladores da nação. Que o homem não brinque com Deus que é fogo consumidor para destruir o ímpio da face da terra para sempre. Diante da revelação da ira de Deus, a natureza treme – 2:19-21; 13:4,13; 24:18,19. E o homem? O que é ele e toda a sua arrogância diante do juízo de Deus?

Conclusão e aplicação

O Senhor jamais é conivente ou omisso contra uma sociedade que se orienta por valores e atitudes contrários a Ele. Deus se manifesta contra a injustiça e a impiedade. Ele não permanece inerte diante de um mundo afastado Dele. O elemento de julgamento e condenação contra uma sociedade corrompida é um dos pilares da missão dos profetas.

Que possamos ser uma geração de ama e obedece a Deus de Todo coração, que segue o Seu caminho comm retidão. Que possamos seguir a justiça, mesmo em um mundo tão perdido. Clamemos ao Senhor que nos guarde nestes tempos tão perversos, que Ele tenha misericórdia de nós.

Por: Fernanda Viana

 

 

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