Isaías – Lição 11 – O Guerreiro Divino e a Nova Aliança

Lição 11 – O Guerreiro Divino e a Nova Aliança

Por: Fernanda Viana

Isaías: microcosmo de toda a bíblia

Também chamado de o evangelista do Antigo Testamento, pois descreveu o Cristo com muita clareza.

Vejamos como são interessantes as semelhanças: há 66 capítulos no Livro de Isaías; há 66 livros na Bíblia; o Livro de Isaías divide-se em duas partes; uma com 39 capítulos e outra com 27; a Bíblia divide-se em duas partes, o Velho Testamento com 39 livros e o Novo Testamento com 27 livros.

Ainda há outras semelhanças. A primeira parte do Livro de Isaías, como o Velho Testamento, contém exortações mensagens sobre o castigo divino, revela a condição verdadeira do homem e a solução que ele pode encontrar em Deus e aponta para o Caminho, para o Salvador. A segunda parte de Isaías, como no “Novo Testamento”, apresenta conforto e esperança para um povo que reconheceu a necessidade de um Salvador a partir do conhecimento do “Velho Testamento” de Isaías que aponta para o Caminho, para o Salvador.

Uma curiosidade muito interessante nessa divisão se encontra no capítulo de número 40. Aqui a profecia diz respeito a consolação de Israel (Jesus) e em seguida fala sobre “a voz que clama no deserto“ uma referência a João o batista do novo testamento..

O ultimo livro da bíblia é o apocalipse e descreve a nova Jerusalém. Os dois últimos capítulos de Isaías descrevem o novo céu e nova terra.

Um livro chamado Isaías

  Isaías Bíblia
Capítulos/Livros 66 66
Divisão Juízo: 39 capítulos

Consolo: 27 Capítulos

AT: 39 Livros

NT: 27 Livros

Início da 2ª parte Isaías 40.3 Voz do que

clama no deserto

Mateus 3.3 Voz do que

clama no deserto

Interlúdio Impérios: Assírio e

Babilônico

Impérios: Grego e

Romano

OS CATIVEIROS DE ISRAEL

CATIVEIRO ASSÍRIO

A Crueldade Assíria:  implacável “máquina de guerra” e “guarida dos leões”
Os assírios eram extremamente cruéis. Sua história foi pontilhada por inúmeros casos de mutilação. Muitos de seus vencidos tiveram as mãos e os pés, o nariz, as orelhas cortados e os olhos arrancados. Houve muitos casos de pessoas serem queimadas vivas.

  1. a) O fim das 10 tribos – Umas das principais características dos assírios era o processo de caldeamento (misturas) a que submetiam os povos conquistados, 2Rs 17:6,24. Removiam os capturados de uma região para outra, forçando-os assim a perder seus bens, que sua origem, sua religião e suas mais nobres tradições. Por isso as dez tribos de Israel desapareceram com o cativeiro assírio. Não se tem noticias sobre elas, mas os profetas Naum e Jeremias registraram a promessa de restauração, Na 2:2, Jr 30:10 e 31:1,9.
  2. b) Origem dos samaritanos – Para habitar a região norte foram trazidos povos de outros lugares. Essa é a origem dos samaritanos, 2Rs 17:24. Esse fato nos ajuda a entender a dificuldade de relacionamento que havia entre judeus e samaritanos ao tempo do Novo Testamento. Nessa época os samaritanos tinham uma religião parecida com a dos judeus, 2Rs 17:27 e Jo 4:4-26. Foram os assírios que começaram a utilizar a deportação como a maneira principal de lidar com cidadãos de nações subjulgadas. Ao dominarem um determinado reino, eles capturavam seus habitantes e os realocavam em outra parte do império. Tal como os assírios,os babilônicos também usaram a mesma técnica.

O EXÍLIO NA BABILÔNIA

Babilônia: povo ímpio, instrumento nas mãos do Senhor, para castigar o povo rebelde do Senhor

O exílio marcou profundamente o povo de Israel, embora sua duração fosse relativamente pequena. De 587 a 538 a.C., Israel não conhecerá mais independência. O reino do Norte já havia desaparecido em 722 a.C. com a destruição da capital, Samaria. E a maior parte da população dispersou-se entre outros povos dominados pela Assíria, o reino do Sul também terminará tragicamente em 587 a.C. com a destruição da capital Jerusalém, e parte da população será deportada para a Babilônia. Tanto os que permaneceram em Judá como os que partirem para o exílio carregaram a imagem de uma cidade destruída e das instituições desfeitas: o Templo, o Culto, a Monarquia, a Classe Sacerdotal. Uns e outros, de forma diversa, viveram a experiência da dor, da saudade, da indignação, e a consciência de culpa pela catástrofe que se abateu sobre o reino de Judá.

A experiência foi vivida pelos que ficaram e pelos que saíram como provação, castigo e reconhecimento da própria infidelidade à aliança com Deus. Pouco a pouco foram retomando a confiança em Deus que pode salvar o seu povo e os conduzirá nesse Êxodo de volta a Sião, conforme afirma o Segundo Isaías. “Deus novamente devolverá a terra ao povo como a deu no passado.” De fato, no Segundo Isaías já se entrevê a libertação do povo que virá por meio de Ciro, rei da Pérsia. Ele será o novo dominador não só de Judá e Israel, mas de todo o Oriente.

Esse novo império da Babilônia foi conquistado durante o reinado caldeu de Nabucodonosor. Esse fato está registrado na Bíblia, que fala da invasão da cidade de Jerusalém e escravidão dos habitantes do povo Hebreu (Judeu).

A primeira deportação teve início em 598 a.C.. Jerusalém é saqueada e o jovem Joaquim, Rei de Judá, rende-se voluntariamente. O Templo de Jerusalém é parcialmente sitiado e uma grande parte da nobreza, os oficiais militares e artífices, inclusive o Rei, são levados para o Exílio em Babilônia. Zedequias, tio do Rei Joaquim, é nomeado por Nabucodonosor II como rei vassalo. Precisamente 11 anos depois, em resultado de nova revolta no Reino de Judá, ocorre a segunda deportação em 587 a.C. e a consequente destruição de Jerusalém e seu Templo.

Em Judá permaneceu, sobretudo, o povo do campo. Não havia mais o Estado de Israel, havia grupos que viviam nos campos, o que traz uma semelhança com o sistema tribal. Por outro lado, os moradores das cidades que ficaram estava arrasados, tudo tinha sido destruído: o templo, os prédios, a estrutura urbana. Temos ainda o grupo dos que fugiram para o Egito ou outras partes. Já o povo do exílio não ficou distanciado, mas agrupado em uma só região. Provavelmente ficaram às margens de rios (Sl 137), e outros estiveram na corte da Babilônia.

Em análise desse contexto, observamos que os babilônios não dispersaram os exilados, como fizeram os assírios. Surge um regime de servidão. Com isso, eles foram assentados em comunidades agrícolas (Ez 3,24; 33,30). Tudo isso favoreceu a conservação do patrimônio espiritual, religioso e cultural. Podiam falar a própria língua, observar seus costumes e suas práticas religiosas. Podiam livremente reunir-se, comprar terras, construir casas e comunicar-se com Judá, sua pátria. Na realidade, na Babilônia, conseguiram até certa prosperidade econômica num tempo relativamente curto.

O cativeiro em Babilônica e o regresso do povo judeu à terra de Judá foram entendidos como um dos grandes atos centrais no drama da relação entre o Deus de Israel e o seu povo arrependido. Esta experiência coletiva teve efeitos muito importantes na sua religião e cultura. Assim marca o surgimento da leitura e estudo da Torá nas sinagogas locais na vida religiosa dos judeus dispersos pelo mundo.

É certo que o período de cativeiro “em Babilônia” terminou no primeiro ano de reinado de Ciro II (538 a.C./537 a.C.) após a conquista da cidade de Babilônia (539 a.C.). Em consequência do Decreto de Ciro, os judeus exilados foram autorizados a regressar à terra de Judá, em particular a Jerusalém, para reconstruir o Templo.

Já os que regressaram ao país, por volta de 539 a.C., tiveram de enfrentar numerosas dificuldades e o Templo só pôde ser reconstruído em 516 a.C. Neemias tinha encontrado Jerusalém num estado desolador. As muralhas estavam arruinadas e os raros habitantes que restavam tinham deixado de respeitar qualquer lei. Com a ajuda de Esdras, que foi seu sucessor, restabeleceu a ordem social e religiosa e permitiu assim a Judá sobreviver ao seu desastre.

O GUERREIRO DIVINO

ISAIAS 59:1-21;  63:1-6

O exílio foi um período de trevas. Provérbio 16.4 afirma que “o SENHOR fez todas as coisas para determinados fins, e até o perverso para o dia da calamidade”. Não há dúvida de que a Babilônia serviu aos propósitos soberanos do Senhor para disciplinar o seu povo desobediente.

Apesar de todas as bênçãos divinas, Judá ignorou a ação de Deus, desprezou a promessa santa, buscou outros deuses e se entregou ao engano que a época oferecia. O povo de Judá estava enfrentando uma imensa crise em todas as esferas da vida: espiritual, social e política. Na verdade, considerando que este era o povo da aliança, podemos dizer que a grande e principal crise de Judá e Jerusalém era de identidade. O povo da aliança não vivia mais como o povo da aliança. Simples e terrível assim. O povo da aliança estava vivendo iludido, confiando em suas próprias obras e justiça, duvidando da capacidade de Deus para salvar.

Nestes capítulos de Isaías, o Senhor é descrito como um guerreiro que veste a armadura para a batalha: couraça da justiça, capacete da salvação e outros implementos de fúria e vingança (semelhantes ao discurso de Paulo sobre a armadura de Deus em Efésios). A imagem do Deus guerreiro demonstra o domínio universal do Senhor sobre tudo e todos. Ele é poderoso para salvar!

Temos ainda a afirmação da vinda do Redentor a Sião e aos de Jacó que abandonarem suas transgressões. O Senhor apresenta sua aliança eterna, o Espírito e as palavras do Senhor perpetuamente na boca do povo. Mas, sem dúvida, o aspecto mais importante era que Deus desejava que seu povo se arrependesse de seus pecados e se voltasse para ele, em adoração e submissão sincera.

O Senhor consola Seu povo, e se apresenta como a esperança daqueles que já não acreditavam mais na restauração da nação.  A salvação depende da ação do Senhor, que irrompe na historia trazendo julgamento contra o pecado e Graça para a salvação dos que a buscam verdadeiramente. Assim, o Senhor, exercendo sua justiça, bem como sua misericórdia – atributos igualmente perfeitos em Deus – providenciou que o seu povo fosse trazido de volta à verdadeira fé e adoração. Para isso, Judá deveria ser disciplinada com rigor.

CONCLUSÃO

O castigo foi necessário para mostrar a Judá que o Senhor, é o fiel e verdadeiro Deus da aliança; para trazer seu povo de volta à verdadeira adoração e mostrar às nações quem era o Deus de Judá.
Convivendo com pagãos na Babilônia, o povo eleito teve de aprender a separar a verdade de Deus dos ensinamentos e exigências pagãs, sem fugir (o que não podiam fazer), mas sem se contaminar.

Depois da trajetória de rebeldia de Judá e agora no cativeiro, o povo de Deus deveria praticar o que aprendera: a fidelidade ao Senhor da aliança não podia ser negociada de modo algum.

Em muitos aspectos, a experiência do cativeiro é notavelmente parecida com a dos cristãos de hoje. Os estudantes cristãos numa universidade secular, ou os cristãos que confrontam a cultura contemporânea e o mundo intelectual atual se sentirão frequentemente como exilados numa terra estranha e hostil.

Aplicação

A Igreja é hoje o Israel de Deus, povo do Senhor. Porém, há momentos em que o desprezamos. A Igreja parece muitas vezes enfrentar o cativeiro da Babilônia enquanto é mantida em uma sociedade pagã. O que podemos, então, aprender com o exílio de Judá? Como viver nessa situação sem perder a perspectiva da aliança?

Por: Fernanda Viana

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