Isaías – Lição 9 – A identidade do povo de Deus

Isaías – A identidade do povo de Deus

Por: Edicarlos Godinho

Resumo histórico

Nos primeiros estudos vemos muitas profecias sobre Efraim e Judá e informações sobre o cativeiro Assírio. Judá permanece por mais um tempo, são cerca de 133 anos do cativeiro assírio até o cativeiro babilônico. A Assíria entra em decadência enquanto a Babilônia está em ascensão. Babilônia derrota a Assíria e continua a pressão contra Judá. Depois de algumas tentativas de revolta de Judá, Babilônia arrasa com Judá e leva o povo cativo. Foram 3 deportações ao todo. A primeira em 609 a.C, a segunda em 598 a.C e a terceira em 587 a.C. Então foram 22 anos apenas para completar a deportação. O cativeiro babilônico termina em consequência da queda da Babilônia pelas mãos de Ciro rei de outro Império, o persa. A queda da babilônia aconteceu em 538 a.C. Então foram cerca de 70 anos de duração desse cativeiro. Após a queda da Babilônia, Ciro faz um decreto autorizando os judeus a regressar para a terra de Judá. O povo estava tão desmoralizado após o cativeiro que nem tinham vontade de voltar, foi um trabalho pesado de Esdras e Neemias para motivar o povo para voltar para Jerusalém reconstruir o templo e os muros da cidade. Quando o povo de Israel retorna a terra encontra os samaritanos, descendência do reino do Norte, com seu sincretismo religioso praticavam uma religião pagã misturada com a lei de Moisés. Conviveram juntos, porém com essa hostilidade que permanece até os tempos de Jesus. Cerca de 500 anos mais tarde vemos nos evangelhos relatos de que Judeus não se dão bem com os samaritanos.

Contexto histórico do capítulo 56.

A maioria dos estudiosos afirmam que do capítulo 40 até o 66 se referem ao cativeiro babilônico, sendo que no capítulo 56 vemos que Deus já dava sinais que o cativeiro estava chegando ao fim: “…a minha salvação está prestes a vir, e a minha justiça, prestes a manifestar-se…” Is 56.1. Os destinatários, são portanto, um povo cativo, totalmente desestruturado, com sua cultura, língua e princípios corrompidos.

Estrutura e síntese de Isaías 56.1-8

O capítulo 56 é o texto da reflexão desse estudo. Verso 1 é uma admoestação de Deus para o seu povo. Verso 2 uma benção de Deus para aqueles que cumprirem essa admoestação. Do Verso 3 ao 7 Deus se dirige ao estrangeiro e ao eunuco, Deus coloca em evidencia o amor a Ele, a dedicação ao serviço e o desejo pela Sua aliança no lugar do exclusivismo judaico. Verso 8 Deus promete congregar outros aos que já se acham reunidos.

Essa promessa se cumpriu em Jesus, através de Jesus, a salvação de Deus tem alcançado os gentios de tal maneira que hoje a igreja do Senhor é composta por muitos gentios dos quais fazemos parte, e vai continuar se cumprindo até a volta de Cristo.

Então essa é uma profecia do Senhor que não foi dirigida somente aos exilados mas a todas as pessoas em todos os lugares, em todas as épocas, pois fala da possibilidade de salvação a todos os que servirem a Deus.

Um ponto interessante que percebemos nesta profecia, assim como em outras, é que Deus vai suavizando o exclusivismo judaico e abraçando o gentio.

Análise de Isaías 56.1-8

“Assim diz o Senhor” Isaías começa e termina com essa expressão que autentica sua mensagem, isso quer dizer que ele não fala de si mesmo nem fala de algo do seu conhecimento, mas trata-se de uma mensagem de Deus ao povo.

“Chamado à justiça e ao juízo” Juízo é a capacidade da pessoa discernir entre o bem e o mal. Justiça é andar em retidão. Em outras palavras Deus está dizendo ao seu povo: faça separação entre o bem e o mal e escolha o bem e ande nele, abandone os seus pecados e viva em retidão. Porque? Porque Deus revelaria sua salvação e a sua justiça. Deus quer com essas palavras recobrar o ânimo do povo que está abatido após passar uma geração no cativeiro. Deus parece estar relembrando o povo que tem promessas para cumprir, mas é necessário que o povo esteja preparado, vivendo em retidão.

A manifestação dessa salvação se cumpriu de forma plena na vida de Jesus Cristo. Jesus é a salvação de Deus. Deus quer que o povo viva uma vida que corresponda com a justiça a qual ele pretende revelar. O chamado para a salvação no evangelho exige uma vida justa, comprometida com o  Reino de Deus. Essa é uma característica do novo testamento. Jesus ofereceu a salvação e exige uma vida de renuncia, de santificação, de comprometimento com a cruz. Deus é santo e justo e Ele espera que o povo que se relacione com Ele tenha uma vida coerente com esse Deus, o povo precisa refletir essa salvação, essa justiça.

Verso 2: Bem aventurado (feliz) aquele que faz isso

Isso o que? Faz o que ele disse no verso 1, mantem a justiça e o juízo. E, além disso, guarda o sábado e guarda a sua mão de praticar o mal. Esse texto da muita ênfase a guarda do sábado, por 3 vezes, versos 2, 4 e 6. Se fossemos adventistas esse texto seria um prato cheio para nós. No entanto, quero fazer a observação de que o sábado é um sinal externo da aliança com Deus, não são os sinais externos que diferenciam o religioso do verdadeiro discípulo, mas sim o seu caráter, o objetivo maior de Deus é alcançar o coração do homem, é uma transformação interior. O sábado aqui parece ser um símbolo para uma vida religiosa de uma forma geral, porque guardar o sábado não é o principal mandamento de Deus, então ele é usado para representar a lei, que é a expressão da vontade de Deus e do seu caráter. Essa palavra profética coloca então no mesmo patamar de importância a vida justa e reta com a prática religiosa, ou seja, tem que andar junto ter que haver um equilíbrio entre elas. Jesus não simplesmente condenou a prática religiosa, Jesus condenou a pratica religiosa desassociada da fé, da misericórdia e do amor. Os fariseus eram os alvos das críticas de Jesus justamente por isso, a religiosidade deles era desacompanhada da justiça e retidão.

Verso 3: A situação dos estrangeiros e eunucos

Deus expõe a queixa dos estrangeiros e eunucos, os estrangeiros lamentam por não fazerem parte do povo de Deus e os eunucos lamentam por sua impossibilidade de gerar filhos, além disso não podiam presenciar o culto a Deus (Dt 23.1-9). Mesmo que desejassem servir a Deus a lei os impedia. Mas através da graça que há de ser revelada através da justiça de Deus, ou seja, através de Jesus, a situação seria mudada. Tanto o eunuco quanto o estrangeiro seriam aceitos diante de Deus e terão acesso as bênçãos dessa nova aliança. Deus destaca as características dos estrangeiros e dos eunucos, pessoas que escolhem o que lhe agrada, abraçam a sua aliança, servem e amam o nome do Senhor. Mais uma vez o foco é tirado do exclusivismo da etnia e passa a ser a prática de uma verdadeira espiritualidade.

A Identidade do povo de Deus

O povo de Deus possui uma identidade que o distingue daquele que não é povo. Não é a herança genética, a religiosidade ou a aparência, mas as sim, a obediência, o caráter. O gentio se torna servo de Deus, filho de Deus assim como o judeu se ambos forem interiormente de coração convertidos ao Senhor.

Fechamento

Deus finaliza dizendo que ele é quem congrega os dispersos de Israel, ou seja, os exilados. E também congrega os estrangeiros e eunucos com aqueles que já foram reunidos. No novo testamento vemos o pleno cumprimento dessa profecia através de Jesus Cristo, assim como no livro de Atos e nas cartas de Paulo, detalhes de como os gentios foram alcançados pelo evangelho.

Por: Edicarlos Godinho

Isaías – Lição 11 – O Guerreiro Divino e a Nova Aliança

Lição 11 – O Guerreiro Divino e a Nova Aliança

Por: Fernanda Viana

Isaías: microcosmo de toda a bíblia

Também chamado de o evangelista do Antigo Testamento, pois descreveu o Cristo com muita clareza.

Vejamos como são interessantes as semelhanças: há 66 capítulos no Livro de Isaías; há 66 livros na Bíblia; o Livro de Isaías divide-se em duas partes; uma com 39 capítulos e outra com 27; a Bíblia divide-se em duas partes, o Velho Testamento com 39 livros e o Novo Testamento com 27 livros.

Ainda há outras semelhanças. A primeira parte do Livro de Isaías, como o Velho Testamento, contém exortações mensagens sobre o castigo divino, revela a condição verdadeira do homem e a solução que ele pode encontrar em Deus e aponta para o Caminho, para o Salvador. A segunda parte de Isaías, como no “Novo Testamento”, apresenta conforto e esperança para um povo que reconheceu a necessidade de um Salvador a partir do conhecimento do “Velho Testamento” de Isaías que aponta para o Caminho, para o Salvador.

Uma curiosidade muito interessante nessa divisão se encontra no capítulo de número 40. Aqui a profecia diz respeito a consolação de Israel (Jesus) e em seguida fala sobre “a voz que clama no deserto“ uma referência a João o batista do novo testamento..

O ultimo livro da bíblia é o apocalipse e descreve a nova Jerusalém. Os dois últimos capítulos de Isaías descrevem o novo céu e nova terra.

Um livro chamado Isaías

  Isaías Bíblia
Capítulos/Livros 66 66
Divisão Juízo: 39 capítulos

Consolo: 27 Capítulos

AT: 39 Livros

NT: 27 Livros

Início da 2ª parte Isaías 40.3 Voz do que

clama no deserto

Mateus 3.3 Voz do que

clama no deserto

Interlúdio Impérios: Assírio e

Babilônico

Impérios: Grego e

Romano

OS CATIVEIROS DE ISRAEL

CATIVEIRO ASSÍRIO

A Crueldade Assíria:  implacável “máquina de guerra” e “guarida dos leões”
Os assírios eram extremamente cruéis. Sua história foi pontilhada por inúmeros casos de mutilação. Muitos de seus vencidos tiveram as mãos e os pés, o nariz, as orelhas cortados e os olhos arrancados. Houve muitos casos de pessoas serem queimadas vivas.

  1. a) O fim das 10 tribos – Umas das principais características dos assírios era o processo de caldeamento (misturas) a que submetiam os povos conquistados, 2Rs 17:6,24. Removiam os capturados de uma região para outra, forçando-os assim a perder seus bens, que sua origem, sua religião e suas mais nobres tradições. Por isso as dez tribos de Israel desapareceram com o cativeiro assírio. Não se tem noticias sobre elas, mas os profetas Naum e Jeremias registraram a promessa de restauração, Na 2:2, Jr 30:10 e 31:1,9.
  2. b) Origem dos samaritanos – Para habitar a região norte foram trazidos povos de outros lugares. Essa é a origem dos samaritanos, 2Rs 17:24. Esse fato nos ajuda a entender a dificuldade de relacionamento que havia entre judeus e samaritanos ao tempo do Novo Testamento. Nessa época os samaritanos tinham uma religião parecida com a dos judeus, 2Rs 17:27 e Jo 4:4-26. Foram os assírios que começaram a utilizar a deportação como a maneira principal de lidar com cidadãos de nações subjulgadas. Ao dominarem um determinado reino, eles capturavam seus habitantes e os realocavam em outra parte do império. Tal como os assírios,os babilônicos também usaram a mesma técnica.

O EXÍLIO NA BABILÔNIA

Babilônia: povo ímpio, instrumento nas mãos do Senhor, para castigar o povo rebelde do Senhor

O exílio marcou profundamente o povo de Israel, embora sua duração fosse relativamente pequena. De 587 a 538 a.C., Israel não conhecerá mais independência. O reino do Norte já havia desaparecido em 722 a.C. com a destruição da capital, Samaria. E a maior parte da população dispersou-se entre outros povos dominados pela Assíria, o reino do Sul também terminará tragicamente em 587 a.C. com a destruição da capital Jerusalém, e parte da população será deportada para a Babilônia. Tanto os que permaneceram em Judá como os que partirem para o exílio carregaram a imagem de uma cidade destruída e das instituições desfeitas: o Templo, o Culto, a Monarquia, a Classe Sacerdotal. Uns e outros, de forma diversa, viveram a experiência da dor, da saudade, da indignação, e a consciência de culpa pela catástrofe que se abateu sobre o reino de Judá.

A experiência foi vivida pelos que ficaram e pelos que saíram como provação, castigo e reconhecimento da própria infidelidade à aliança com Deus. Pouco a pouco foram retomando a confiança em Deus que pode salvar o seu povo e os conduzirá nesse Êxodo de volta a Sião, conforme afirma o Segundo Isaías. “Deus novamente devolverá a terra ao povo como a deu no passado.” De fato, no Segundo Isaías já se entrevê a libertação do povo que virá por meio de Ciro, rei da Pérsia. Ele será o novo dominador não só de Judá e Israel, mas de todo o Oriente.

Esse novo império da Babilônia foi conquistado durante o reinado caldeu de Nabucodonosor. Esse fato está registrado na Bíblia, que fala da invasão da cidade de Jerusalém e escravidão dos habitantes do povo Hebreu (Judeu).

A primeira deportação teve início em 598 a.C.. Jerusalém é saqueada e o jovem Joaquim, Rei de Judá, rende-se voluntariamente. O Templo de Jerusalém é parcialmente sitiado e uma grande parte da nobreza, os oficiais militares e artífices, inclusive o Rei, são levados para o Exílio em Babilônia. Zedequias, tio do Rei Joaquim, é nomeado por Nabucodonosor II como rei vassalo. Precisamente 11 anos depois, em resultado de nova revolta no Reino de Judá, ocorre a segunda deportação em 587 a.C. e a consequente destruição de Jerusalém e seu Templo.

Em Judá permaneceu, sobretudo, o povo do campo. Não havia mais o Estado de Israel, havia grupos que viviam nos campos, o que traz uma semelhança com o sistema tribal. Por outro lado, os moradores das cidades que ficaram estava arrasados, tudo tinha sido destruído: o templo, os prédios, a estrutura urbana. Temos ainda o grupo dos que fugiram para o Egito ou outras partes. Já o povo do exílio não ficou distanciado, mas agrupado em uma só região. Provavelmente ficaram às margens de rios (Sl 137), e outros estiveram na corte da Babilônia.

Em análise desse contexto, observamos que os babilônios não dispersaram os exilados, como fizeram os assírios. Surge um regime de servidão. Com isso, eles foram assentados em comunidades agrícolas (Ez 3,24; 33,30). Tudo isso favoreceu a conservação do patrimônio espiritual, religioso e cultural. Podiam falar a própria língua, observar seus costumes e suas práticas religiosas. Podiam livremente reunir-se, comprar terras, construir casas e comunicar-se com Judá, sua pátria. Na realidade, na Babilônia, conseguiram até certa prosperidade econômica num tempo relativamente curto.

O cativeiro em Babilônica e o regresso do povo judeu à terra de Judá foram entendidos como um dos grandes atos centrais no drama da relação entre o Deus de Israel e o seu povo arrependido. Esta experiência coletiva teve efeitos muito importantes na sua religião e cultura. Assim marca o surgimento da leitura e estudo da Torá nas sinagogas locais na vida religiosa dos judeus dispersos pelo mundo.

É certo que o período de cativeiro “em Babilônia” terminou no primeiro ano de reinado de Ciro II (538 a.C./537 a.C.) após a conquista da cidade de Babilônia (539 a.C.). Em consequência do Decreto de Ciro, os judeus exilados foram autorizados a regressar à terra de Judá, em particular a Jerusalém, para reconstruir o Templo.

Já os que regressaram ao país, por volta de 539 a.C., tiveram de enfrentar numerosas dificuldades e o Templo só pôde ser reconstruído em 516 a.C. Neemias tinha encontrado Jerusalém num estado desolador. As muralhas estavam arruinadas e os raros habitantes que restavam tinham deixado de respeitar qualquer lei. Com a ajuda de Esdras, que foi seu sucessor, restabeleceu a ordem social e religiosa e permitiu assim a Judá sobreviver ao seu desastre.

O GUERREIRO DIVINO

ISAIAS 59:1-21;  63:1-6

O exílio foi um período de trevas. Provérbio 16.4 afirma que “o SENHOR fez todas as coisas para determinados fins, e até o perverso para o dia da calamidade”. Não há dúvida de que a Babilônia serviu aos propósitos soberanos do Senhor para disciplinar o seu povo desobediente.

Apesar de todas as bênçãos divinas, Judá ignorou a ação de Deus, desprezou a promessa santa, buscou outros deuses e se entregou ao engano que a época oferecia. O povo de Judá estava enfrentando uma imensa crise em todas as esferas da vida: espiritual, social e política. Na verdade, considerando que este era o povo da aliança, podemos dizer que a grande e principal crise de Judá e Jerusalém era de identidade. O povo da aliança não vivia mais como o povo da aliança. Simples e terrível assim. O povo da aliança estava vivendo iludido, confiando em suas próprias obras e justiça, duvidando da capacidade de Deus para salvar.

Nestes capítulos de Isaías, o Senhor é descrito como um guerreiro que veste a armadura para a batalha: couraça da justiça, capacete da salvação e outros implementos de fúria e vingança (semelhantes ao discurso de Paulo sobre a armadura de Deus em Efésios). A imagem do Deus guerreiro demonstra o domínio universal do Senhor sobre tudo e todos. Ele é poderoso para salvar!

Temos ainda a afirmação da vinda do Redentor a Sião e aos de Jacó que abandonarem suas transgressões. O Senhor apresenta sua aliança eterna, o Espírito e as palavras do Senhor perpetuamente na boca do povo. Mas, sem dúvida, o aspecto mais importante era que Deus desejava que seu povo se arrependesse de seus pecados e se voltasse para ele, em adoração e submissão sincera.

O Senhor consola Seu povo, e se apresenta como a esperança daqueles que já não acreditavam mais na restauração da nação.  A salvação depende da ação do Senhor, que irrompe na historia trazendo julgamento contra o pecado e Graça para a salvação dos que a buscam verdadeiramente. Assim, o Senhor, exercendo sua justiça, bem como sua misericórdia – atributos igualmente perfeitos em Deus – providenciou que o seu povo fosse trazido de volta à verdadeira fé e adoração. Para isso, Judá deveria ser disciplinada com rigor.

CONCLUSÃO

O castigo foi necessário para mostrar a Judá que o Senhor, é o fiel e verdadeiro Deus da aliança; para trazer seu povo de volta à verdadeira adoração e mostrar às nações quem era o Deus de Judá.
Convivendo com pagãos na Babilônia, o povo eleito teve de aprender a separar a verdade de Deus dos ensinamentos e exigências pagãs, sem fugir (o que não podiam fazer), mas sem se contaminar.

Depois da trajetória de rebeldia de Judá e agora no cativeiro, o povo de Deus deveria praticar o que aprendera: a fidelidade ao Senhor da aliança não podia ser negociada de modo algum.

Em muitos aspectos, a experiência do cativeiro é notavelmente parecida com a dos cristãos de hoje. Os estudantes cristãos numa universidade secular, ou os cristãos que confrontam a cultura contemporânea e o mundo intelectual atual se sentirão frequentemente como exilados numa terra estranha e hostil.

Aplicação

A Igreja é hoje o Israel de Deus, povo do Senhor. Porém, há momentos em que o desprezamos. A Igreja parece muitas vezes enfrentar o cativeiro da Babilônia enquanto é mantida em uma sociedade pagã. O que podemos, então, aprender com o exílio de Judá? Como viver nessa situação sem perder a perspectiva da aliança?

Por: Fernanda Viana

Isaías – Lição 4 – Julgamento Sobre a Impiedade

O resultado da opressão e a injustiça social em Israel é o empobrecimento geral da terra

Por: Fernanda Viana

INTRODUÇÃO

Nesta lição, veremos as consequências do alastramento e da banalização do pecado na vida do povo da aliança. Veremos mais uma vez, a menção a inversão de valores na sociedade, de modo que o bem era tido por mal, e o mal por bem. Veremos também as consequências desses pecados na sociedade e o modo como o Senhor reagiu a tudo isso, estendendo a mão contra seu próprio povo. 

Contexto Histórico

O Reino de Israel  foi a nação formada pelas 12 Tribos de Israel, um povo descendente de Abraão, Isaac, e  Jacó .

Após o Êxodo do Egito, sob a liderança de Moisés, os israelitas que eram nômades, vaguearam pelo deserto durante décadas até que sob a liderança de Josué  conquistam a terra de Canaã, e estabelecem-se nas terras conquistadas, dividindo o território entre as 12 tribos.

Contudo não existia um verdadeiro poder central pois cada tribo governava a si própria. Os líderes nacionais, que eram chamados Juízes tinham um poder muito frágil e só conseguiam unir as várias tribos em caso de guerra com os povos inimigos.

Cansados desta situação as tribos israelitas resolveram unir-se e instaurar uma monarquia. O profeta Samuel designou Saul como o primeiro Rei de Israel.

Saul não modificou a organizações das tribos, mas desobedeceu ordens do profeta Samuel. Deus proclama a Samuel que o jovem pastor Davi seria o novo rei de Israel.

Davi em seu reinado consegue estabelecer um forte exército e expulsar os filisteus. Também invade a cidade de Jerusalém e a transforma em sua nova capital.

Quando Davi morre, seu filho Salomão assume o trono, melhora o exército, fortalece a economia. Salomão construiu o Templo de Jerusalém  e isso gerou um aumento dos impostos que permaneceram mesmo após o fim da construção, o povo estava descontente com os impostos abusivos.

Após sua morte, seu filho Roboão assumiu o trono, mas devido ao descontentamento em relação aos impostos, as 10 tribos do Norte separam-se e proclamaram Jeroboão como seu rei. Israel foi dividido entre o Reino de Israel (ao Norte com capital em Samaria) e o Reino de Judá (ao Sul com capital em Jerusalém).

Jeroboão não quis que o povo fosse a Jerusalém para adorar no templo do Senhor. Assim, fez dois bezerros de ouro e fez com que o povo do reino de 10 tribos os adorasse. Logo, o país ficou cheio de crimes e violência.

Os reinos de Israel e Judá travaram disputas um querendo conquistar o outro.

O reino do norte (Israel) terminou em 721 com a tomada da Samaria pelos assírios. Parte da população foi deportada para a Assíria. Por sua vez, o reino de sul (Judá) terminou em 587, quando Jerusalém foi saqueada, o templo e o palácio real foram destruídos pelos babilônios, grande parte da população foi deportada para a Babilônia. 

Isaías 5

  1. O cântico da vinha (5.1-7)

Esta alegoria reflete sobre o amor existente entre o Senhor e o Seu povo, muitas vezes representado como uma vinha (à semelhança de Isaías 1:8 e 3:14).

O “amigo” do profeta cavou num terreno e preparou-o para receber as plantas que originariam a vinha, selecionando-as cuidadosamente (v.2). Ele até chegou a construir uma torre de onde podia observar o estado da plantação, edificando ainda um lagar para armazenamento das uvas. No entanto, a vinha “só produziu uvas bravas”.

É a vez do Senhor falar. Ele pede aos habitantes de Jerusalém e de Judá que atuem como juízes nesta questão, comprovando que Ele tudo fez para o bem da vinha. Ela, pelo contrário, recompensou-O ingratamente com uvas bravas(v.3).

“Que se poderia fazer pela minha vinha que eu não tenha feito? Porque, quando eu esperava vê-la produzir uvas, só deu uvas bravas?” (v.4)

Deus teve de tomar uma decisão em relação à vinha, removendo a proteção com que a havia rodeado (v.5) – a “sebe” e o “muro”. Assim sendo, o povo israelita ficou sujeito aos seus inimigos, em especial aos exércitos da Assíria e da Babilônia. A vinha não receberá mais qualquer tipo de cuidado, e rapidamente ficará repleta de “sarças e espinhos”, tornando-se um terreno infértil e sem qualquer utilidade (v.6). Deus explica, por fim, o que significa tal alegoria:

“A vinha do Senhor dos exércitos é a casa de Israel e os homens de Judá são a planta da Sua predileção. Esperei deles a prática da justiça, e eis o sangue derramado; esperei a retidão, e eis os gritos de socorro.” (v.7)

Uma bela ilustração da vinha do Senhor na qual Deus desejou e esperou que desse frutos bons, mas que na verdade produziram frutos maus.

Aqui, Isaías cantou sobre as maneiras como Judá se rebelara contra Deus, usando as imagens de uma vinha e de um agricultor (veja Mt 21:33-44; Jo 15:1-6).

Tudo foi feito a favor da vinha para que sarasse e produzisse o esperado, com grande atenção, Deus tinha preparado e estabelecido o seu povo para as gerações que se seguiriam, mas de nada adiantou os esforços e aplicação de recursos.

O que faria, então, o dono da vinha? Então veio a palavra de julgamento de que ali se tornaria algo terrível e a vinha serviria de pasto, onde seria pisada e depois tornada em deserto.

O verso 7 explica a parábola da vinha e o que era esperado em Deus: justiça e juízo. Israel era essa vinha que se corrompeu totalmente nos dias da visitação de Deus.

  1. Os ais contra o povo de Deus (5.8-30).

As profecias iniciadas por “Ai” trazem uma severa mensagem de juízo da parte do Senhor. São seis os “Ai” desse capítulo, que representam uma terrível ameaça, todos eles contra os perversos do povo de Deus.

  1. O primeiro Ai condena a ganância.
  2. O segundo Ai condena a corrupção social.
  3. O terceiro Ai condena a corrupção teológica.
  4. O quarto Ai condena o orgulho e a corrupção moral.
  5. O quinto Ai condena a corrupção espiritual.
  6. O sexto Ai condena a corrupção social.
  1. O primeiro Ai condena a ganância.

A Terra Prometida sempre pertenceu a Deus – Lv 25:23 – que a deu para os filhos de Israel conforme tinha prometido – Nm 33:54 – para ser a base da sobrevivência de qualquer família da aliança. Nela habitavam povos de costumes estranhos que já tinham sido julgados por Deus e que deveriam ser exterminados ou expulsos de sua habitação.

No entanto, negligenciaram a Palavra de Deus e com os povos fizeram alianças e os imitaram pelo que o juízo que tinha vindo sobre os povos, agora vinha sobre Israel também.

Quando os israelitas foram privados da terra que tinham recebido em herança, os seus cidadãos se tornaram operários diaristas ou escravos de outros povos.

Por conta disso, haviam os que se aproveitavam da ocasião como uma oportunidade de grande negócio e com ela oprimia o povo fazendo da terra dada por Deus objeto de suas ganâncias para ajuntarem terras e casas e campos e serem os senhores da terra. O profeta estava lidando com o problema da transformação das terras em latifúndios e com outras formas de alienação doas pobres. O verso 8 deixa claro que a opressão consiste em acúmulos de posses e terras cada vez maior pelos ricos e carência dos pobres.

A terrível consequência disso seria a maldição de Deus sobre os bens adquiridos com a ganancia e o fruto disso seria o deserto, a fome, a escassez e a produção fraca.

  1. O segundo Ai condena a corrupção social.

Aqui o ai está sobre todos os que não estão nem ai com a causa de ninguém, antes querem se banquetearem com o vinho forte e de dia e de noite se entregam aos vícios somente para passarem o tempo de forma totalmente irresponsável.

Com frequência, abusar do consumo de bebidas alcoólicas ou se entregar aos vícios caracteriza depravação social e frouxidão moral (caps. 22, 28; Am 4:1-3; 6:6-7) pelo extremo do egoísmo.

Depois das acusações dos versículos anteriores, é apresentada a sentença. Assim serão levado cativos por falta de conhecimento e dessa forma seus nobres passarão fome e a multidão se secará de sede. Verdadeiramente não consideram os feitos do SENHOR, nem olham para as obras das suas mãos.

O próprio exílio está ligado à própria morte. A morte devoraria com feroz apetite todo aquele que tivesse se afastado de Deus, tanto os “nobres” (v. 13) quanto as pessoas comuns (“multidão”, vs. 13-14).

  1. O terceiro Ai condena a corrupção teológica.

O terceiro ai condena a corrupção teológica intencional e danosa daqueles que se vestem da iniquidade (perversidade, maldade) e que se cobrem com o pecado (transgressão da lei), para em seguida, desaforadamente, usarem o nome do Senhor como demonstrando grande santidade e temor a Deus para o povo. 

  1. O quarto Ai condena o orgulho e a corrupção moral.

Aqui os papeis são invertidos e a teologia usada é a reversa. O mal é que o bem e o bem que é o mal. Ficaram tão cheios de si mesmos que agora são capazes de inverterem as coisas e confundirem o inocente.

A corrupção moral está tão impregnada em seus poros que já respiram o próprio ar do orgulho e da vaidade.

  1. O quinto Ai condena a corrupção espiritual.

O “sábios a seus próprios olhos” é uma expressão que indica uma autoconfiança arrogante. A revelação de Deus  – ele é o único que sabe todas as coisas -, é o único fundamento firme para todo conhecimento verdadeiro (veja Pv 3:7; 26:5,12; 28:11).

  1. O sexto Ai condena a corrupção social.

O sexto ai condena os que rejeitam a lei do Senhor e desprezam a palavra do Santo de Israel – vs 24. Quem são esses?

Os heróis e valentes da bebida forte! Os que se enriquecem com o suborno e com as falcatruas; os que não estão nem ai para a justiça ou para a situação social do povo; os que justificam os perversos e negam justiça aos justos!

Muitos desses são aplaudidos de pé e nas festas são a referência do que não presta e são rodeados também de mulheres e daqueles que querem rir um pouco da desgraça alheia. É por isso que a ira do Senhor se acende! Se acende contra eles e contra o povo todo que os aplaude e querem ser como eles, igualmente podres.

Isaías 9:8-21 / 10:1-4 – O castigo pela impiedade

O povo se manteve firme em sua rebeldia, alegando poder reconstruir o que havia sido devastado, só que melhor do que antes. Não houve reconhecimento de que o que lhes sobreveio foi um castigo do Senhor por causa do pecado. Não houve reconhecimento do pecado, nem justiça, nem arrependimento.

De modo geral, ninguém ficou de fora da condenação de Deus ao povo de Judá e Jerusalém. Nem mesmo os órfãos e viúvas, grupos que normalmente são destacados como objetos especiais do favor do Senhor, devido a sua vulnerabilidade e fragilidade. No entanto, a impiedade havia se alastrado de tal forma, que até órfãos e viúvas são vistos como ímpios e malfazejos.

Contudo, uma punição especial está destinada aos lideres e legisladores da nação. Que o homem não brinque com Deus que é fogo consumidor para destruir o ímpio da face da terra para sempre. Diante da revelação da ira de Deus, a natureza treme – 2:19-21; 13:4,13; 24:18,19. E o homem? O que é ele e toda a sua arrogância diante do juízo de Deus?

Conclusão e aplicação

O Senhor jamais é conivente ou omisso contra uma sociedade que se orienta por valores e atitudes contrários a Ele. Deus se manifesta contra a injustiça e a impiedade. Ele não permanece inerte diante de um mundo afastado Dele. O elemento de julgamento e condenação contra uma sociedade corrompida é um dos pilares da missão dos profetas.

Que possamos ser uma geração de ama e obedece a Deus de Todo coração, que segue o Seu caminho comm retidão. Que possamos seguir a justiça, mesmo em um mundo tão perdido. Clamemos ao Senhor que nos guarde nestes tempos tão perversos, que Ele tenha misericórdia de nós.

Por: Fernanda Viana

 

 

Isaías – Lição 6 – O Renovo de Jessé – Versão 2

LIÇÃO 6 – O RENOVO DE JESSÉ

Por: Janaína Godinho

Introdução

ISAÍAS 1-1-16 , profeta com ministério de pelo menos 40 anos de pregação, provavelmente morto pelo perverso rei Manassés (que foi idólatra, advinho, agoureiro, queimou seus filhos em sacrifício) supostamente após a morte de seu pai Ezequias;

Reino do Sul ou Judá: com as tribos de Judá e Benjamim: 931-586 a. C;

Reino do Norte ou Israel: com as tribos de Rubem, Simeão, Dã, Naftali, Gade, Aser, Issacar, Zebulom, Efraim e Manasses: 931- 722 a. C.

A revista nessa lição está divida em dois tópicos principais:

1 – DEUS DETÉM O CONTROLE DE TODAS AS COISAS;

2 – DEUS PROMETEU AO SEU POVO A SALVAÇÃO E A RESTAURAÇÃO DE TODAS AS COISAS POR MEIO DO MESSIAS, JESUS, SEU FILHO, NOSSO SALVADOR.

OS CAPÍTULOS 10 VAI TRATAR DOS AIS…. TANTO EM RELAÇÃO AO PRÓPRIO POVO DE DEUS, QUANTO ÀS NAÇÕES INIMIGAS

JÁ O CAPÍTULO 11,O RENOVO DE JESSÉ, TRATA  DA PROMESSA DA VINDA DO MESSIAS QUE RESTAURARÁ A PAZ E ESTABELECERIA UM GOVERNO JUSTO E SÁBIO.

Entendendo o contexto em que a profecia foi dada.

Israel dividido (desde Roboão, filho de Salomão – 931 a.C) devido ao pecado de Salomão, que foi muito idólatra ( 1 reis 11:9-11), contudo Deus permaneceu fiel à aliança que fez com Davi (2samuel 7:12 e 16) . Reino do Norte (capital Samaria), também conhecido como Israel ou Efraim (10  tribos) e Reino do Sul (capital Jerusalém) também referido como Judá apenas (2 tribos, Judá e Benjamim).

QUANDO DEUS ENTREGOU O REINO DO NORTE À JEROBOÃO,  LHE FEZ PROMESSA DE, SE ELE LHE OBEDECESSE, ESTABELECERIA SEU REINO SOBRE A TERRA TAMBÉM. MAS JEROBOÃO TEMEU TANTO O POVO DE ISRAEL SE VOLTAR PARA JERUSALÉM NOVAMENTE, QUE FEZ COISAS TÃO ABOMINÁVEIS, ESTABELECEU LEIS E RITUAIS CONTRÁRIOS A PALAVRA DE DEUS QUE O SENHOR PUNIU SEVERAMENTE A ISRAEL E A CASA DE JEROBOÃO.

A falta de fé: a razão da nossa fraqueza ou queda no nosso relacionamento com Deus. Olhar para as circunstâncias e deixar de confiar em Deus…Hebreus 11:6 “Sem fé é impossível…”

Quantas vezes fazemos a mesma coisa? Ao invés de confiar nas promessas de Deus, imaginamos todas as coisas que poderiam acontecer. Ficamos preocupados e ansiosos sobre coisas imaginadas, quando devemos simplesmente confiar no Senhor. Pedro disse que devemos nos humilhar “sob a poderosa mão de Deus… lançando sobre ele toda a vossa ansiedade, porque ele tem cuidado de vós” (1 Pedro 5:6-7).

Tanto em relação a Israel quanto a Judá Deus sempre enviava profetas, seus emissários, alertando o povo dos seus pecados, promulgando a Lei do Senhor e seu Juízo.

IRMÃOS, ABRA OS OLHOS, OS OUVIDOS E O CORAÇÃO. HOJE DEUS TEM USADO SEUS PROFETAS PARA ALERTAR SEU POVO TAMBÉM.

E QUANDO O POVO SE ARREPENDE, BUSCA A DEUS E CONFIA SOMENTE NELE, DEUS ATÉ DETÉM SUA MÃO DE JUÍZO E ESTENDE A SUA MISERICÓRDIA.

VEJA O CASO DE EZEQUIAS, COMO DEUS O LIVROU DAS MÃOS DA ASSÍRIA. 2 REIS 19:17-19

PARA ENTENDER UM POUCO A ORDEM CRONOLÔGICA DAS COISAS:

– em 734 (a.C ) o Reino do Norte se aliou a Síria, contra a Assíria (REI PECA EM ISRAEL E ACAZ EM JUDÁ); mas essa coalização provocou a derrota e severa subjugação de Israel pela Assíria (2Rs 15:20-29);

– em 722 os assírios reagiram a novas rebeliões de Israel destruindo Samaria e exilando vários dos seus cidadãos, além de trazer pessoas de lá para ocupar Samaria;

– Em 701 o rei assírio Senaqueribe atacou Judá e cercou Jerusalém, mas o rei Ezequias, confiando no Senhor, teve total livramento e houve a derrota da Assíria (um anjo matou 185 mil);

ISAÍAS 10:12 = castigo à assíria

LER REVISTA TÓPICO I, segundo e terceiro parágrafos.

Queridos, não é novidade para ninguém as dificuldades pelas quais passamos em nosso País, por causa dos desmandos do próprio Governo. Pois bem, a partir dessa situação, que leitura devemos fazer? Como devemos agir? Será que, como os ímpios, devemos ficar repetindo as velhas e conhecidas perguntas: Onde está Deus, que não vê isso? Será que Deus perdeu o controle das coisas? Se não, porque ele não toma providência para que isso acabe? Ou devemos nos rebelar contra as autoridades?

Deus é soberano sobre todas as coisas; Deus é Senhor da história; este mundo mau, e ele é mau por causa do nosso pecado, não está desgovernado.

Tudo que temos estudado aqui, a própria história de Israel, nos mostra como podemos enxergar a manifestação da soberana providência de Deus; como podemos ver a manifestação da sua bondade na condução do seu povo mesmo em meio aos maus tratos sofridos neste mundo. Todas as coisas acontecem no tempo certo de Deus, e não quando nós queremos, e que tudo isso acontece para o nosso bem. ROMANOS 8:28

O propósito de Deus ao enviar a Assíria foi para a conversão do povo de Deus, pelo seu grande amor e sua longanimidade (observar o tempo da paciência de Deus até dar cabo a sua indignação).

MAS HAVIA UMA ESPERANÇA: A PROMESSA DA SALVAÇÃO PARA O REMANESCENTE FIEL.

Música: SEU REINO É SEMPRE ETERNO, FIRMADO EM MISERICÓRDIA, JUSTIÇA E IGUALDADE, BONDADE E FIDELIDADE…

Isso certamente é o que todo o coração íntegro deseja. Só de ler esse treco de Isaías nosso coração se enche de alegria e exclama o nosso espírito: Maranata!!!

CARACTERÍSTICAS DO REI PROMETIDO:

– DIVINA CAPACITAÇÃO PARA GOVERNAR : V.2 E 3ª

Jesus é Deus. Como não confiar no próprio Deus?

-JUSTIÇA ABSOLUTA DE SEU GOVERNO: v.3b -5

Ele é o rei perfeito, que julga com justiça a todos e executará o juízo sobre os perversos. Em dias de tanta parcialidade, tanta corrupção, esse é um anseio, um gemido da alma de muitos e será saciada em Jesus. Nós não conseguimos julgar com justiça. Nós vemos apenas a aparência. Por isso a Palavra de Deus nos adverte: MATEUS 7:1 … “Não julgueis para ….”

– O QUE SEU REINO PROPORCIONARÁ: V 6-9

O pecado destruiu o equilíbrio das coisas, mas Jesus restaurará todas as coisas. Ele promove a reconciliação e a paz. Ele nos reconciliou com Deus e gozamos de uma paz interior que não é  a ausência das tribulações, mas a certeza que Ele está no controle de todas as coisas, que não somos desse mundo, que não estamos sozinhos.

E nos entregou, como Igreja do Senhor, corpo de Cristo, o ministério da Reconciliação: 2Cor 5:18

Se você é um crente, isso significa que você tem esse ministério! É o ministério de proclamar a um mundo que necessita desesperadamente ser reconciliado com Deus; é o ministério de proclamar que Deus nos proporcionou um caminho de reconciliação na pessoa de seu Filho; é o ministério de ser arauto do evangelho de Jesus Cristo. Somos um povo que tem o “ministério de reconciliação”.

Somos embaixadores que representam a Cristo e devemos dar nossas próprias vidas em favor da obra de implorar, rogar, suplicar e exortar os perdidos a se reconciliarem com Deus. Nas palavras de Charles Haddon Spurgeon: “Se os pecadores serão condenados, que eles o sejam pelo menos passando por cima de nossos corpos. Se os pecadores hão de perecer, que eles o façam pelo menos tendo os nossos braços a agarrar-lhes os joelhos, implorando que fiquem. Se o inferno tem de ser cheio, que o seja pelo menos contra o vigor de nossos esforços, e não permitamos que ninguém vá para o inferno sem que o tenhamos advertido e por ele tenhamos orado”.

Adendo:

REIS DE JUDÁ – REINO DO SUL

(APÓS A DIVISÃO DO REINO)

REIS DE ISRAEL – REINO DO NORTE

(APÓS A DIVISÃO DO REINO)

  1. Roboão  = INFIEL
  2. Abias = INFIEL
  3. Asa = BOM
  4. Josafá = BOM
  5. Jeorão ou Jorão = INFIEL
  6. Acazias = INFIEL
  7. Atália = INFIEL (FILHA DE ACABE E JEZABEL)
  8. Joás = BOM ATÉ METADE DO SEU REINADO
  9. Amazias = INFIEL
  10. Uzia ou Azarias = BOM
  11. Jotão = BOM 
  12. Acaz = INFIEL (reinando em Judá e Peca em Israel)
  13. Ezequias = BOM
  14. Manasses = INFIEL
  15. Amom =INFIEL
  16. Josias = BOM
  17. Joacaz = INFIEL
  18. Jeoaquim = INFIEL
  19. Joaquim = INFIEL
  20. Zedequias = INFIEL
  1. Jeroboão I = INFIEL
  2. Nadabe = INFIEL
  3. Baasa = INFIEL
  4. Ela = INFIEL
  5. Zinri = INFIEL
  6. Onri e Tibni = INFIEL (PAI DE ACABE)
  7. Acabe= INFIEL
  8. Acazias = INFIEL
  9. Jorão = INFIEL
  10. Jeú = BOM
  11. Jeoacaz = INFIEL
  12. Jeoás = INFIEL
  13. Jeroboão II = INFIEL
  14. Zacarias = INFIEL
  15. Salum = INFIEL
  16. Menaém = INFIEL
  17. Pecaías = INFIEL
  18. Peca = INFIEL
  19. Oséis= INFIEL = povo levado cativo para a Assíria

 

LER A APLICAÇÃO DA REVISTA


Por: Janaína Godinho

Isaías – Lição 6 – O Renovo de Jessé

O Renovo de Jessé

Por: Edicarlos Godinho

Isaías 10.5 até Isaías 12.6

introdução

Vamos relembrar um pouco do contexto histórico e as profecias de Isaías vistas na última lição (lição 5), porque servirão de gancho para essa lição de hoje. Efraim, o Reino do Norte, se alia aos Sírios tanto para resistir o Império Assírio quanto para atacar Judá. Isaías vai ao encontro do rei Acaz para levar um aviso de Deus, que o rei pode ficar tranquilo que Deus não permitiria que os planos de Efraim e Síria prosperassem, o rei só precisaria crer na proteção de Deus, porém Acaz não crê. Isaías também oferece um sinal de Deus, no entanto o rei despreza o sinal de Deus. Isaías apresenta o sinal mesmo assim: “Pois sabei que o Eterno, o Senhor, ele mesmo vos dará um sinal: Eis que a virgem ficará grávida e dará à luz um filho, e o Nome dele será Emanuel, Deus Conosco”, logo depois Isaías traz uma segunda profecia: “Porque um menino nos nasceu, um filho se nos deu, e o principado está sobre os seus ombros, e se chamará o seu nome: Maravilhoso, Conselheiro, Deus Forte, Pai da Eternidade, Príncipe da Paz.” Nós sabemos que essas profecias se referem a Jesus e foram cumpridas nele.

Contexto Histórico

O contexto histórico por traz das profecias estudadas nessa lição 6 são consequências dos atos de Acaz praticados na lição anterior. Porque Acaz não creu em Deus e por ter desprezado sua proteção e o seu sinal, Deus entregou o reino de Judá nas mãos de Efraim e Síria. O próprio livro de Isaías não traz para nós os detalhes dessa batalha, temos que recorrer aos livros de 2Cr 28 e 2 Rs 16. Morreram naquela batalha 120 mil homens de Judá num único dia, além disso levaram cativos de Judá 200 mil mulheres, filhos e filhas.

Porém Deus intervém com misericórdia para que a tragédia ainda não seja maior e manda um profeta chamado Odede para ir de encontro ao exército de Efraim, antes mesmos que chegassem a Samaria, e dizer ao exército que Deus estava com o furor de sua ira sobre eles por terem se excedido sobre os seus irmão de Judá e que enviassem de volta a Judá os cativos que foram levados. Pela intervenção divina os exércitos se arrependem e deixam o povo ir, mas antes disso dão de comer aos cativos, dão agua, dão roupa aos que estão nus e montaria aos que não tinham condição de voltar a pé. Uma atitude realmente rara e inesperada diante de tanta perversidade do Reino do Norte.

O Reino de Judá fica ainda mais enfraquecido diante de tantas baixas em seu exército. Os Edomitas e os Filisteus se aproveitam dessa fraqueza e atacam também a Judá, enquanto os Edomitas levam parte do povo cativo os Filisteus tomam parte da terra e habitam nelas.

Diante de toda essa tragédia, Acaz ao invés de se arrepender e buscar a Deus, manda mensageiros ao Império Assirio pedindo socorro e propondo um acordo, o rei da Assíria, Tiglate-Pileser aceita a proposta de Israel mas coloca Acaz e o Reino de Judá em uma situação pior, porque teve que se subjugar aos impostos da Assíria. Acaz saqueia o Templo de Deus levando roubando todo ouro e prata e dá de presente a Assíria assim como também todo o tesouro da realeza.

Já podemos tirar uma lição daqui, que o socorro vindo do mundo só causa mais aflições. Hoje em dia vemos pecados semelhantes ao de Acaz no meio cristão, em meio a igreja. Infelizmente há muitos cristãos insensatos e imprudentes resolvendo os seus problemas com um “jeitinho mundano” ao invés de recorrer a Deus. As vezes até de uma maneira perversa a ponto de atrair a ira de Deus sobre si e sobre sua família a semelhança de Acaz. Que Deus preserve sua igreja de tal coisa em nome de Jesus.

Nossa reflexão vai dos capítulos 10.5 até 12.6 que compreendem 3 profecias: uma é “A profecia contra a Assíria” a outra sobre “O Renovo de Jessé” e a última, que eu gostaria de chamar de “O Cântico do Milênio”.

Capitulo 10 – Profecia contra a Assíria.

Deus usa o Império Assírio para punir Efraim e Judá por causa de suas desobediências e pecados. Isso revela a soberania de Deus no mundo. Isso mostra que Deus dirige a história da humanidade para a realização dos seus propósitos.

O fato de Deus usar a Assíria não significa que Deus era com a Assíria ou que Deus aprovava a Assíria, pelo contrário, Deus reprovava a Assíria porque era um império ímpio, perverso, cruel, violento, soberbo. Mas Deus precisava de disciplinar Efraim e Judá e, portanto, dentro de sua Soberania, resolveu usar a Assíria para isso. E por causa de toda a sua impiedade, a Assíria também seria punida. Então Deus, através de Isaías, profetisa sua queda, vemos que posteriormente essa profecia se cumpre. Deus manda um só anjo que matou 185 mil Assírios (2 Rs 19), a partir daí a Assíria começa a enfraquecer e por fim, mais tarde, Deus usa o Império Babilônico para destruir o que sobrou da Assíria.

O propósito de Deus de enviar a Assíria contra Israel foi para o arrependimento a conversão do povo, não simplesmente para destruir. Muitas pessoas olham para essas guerras da antiguidade assim como para toda a maldade do mundo de hoje, miséria, fome, morte, doenças e etc… e perguntam porque Deus permite tudo isso? Deus não controla a humanidade, apenas direciona a história para que os seus propósitos sejam alcançados, no mais, deixa o homem através de suas obras manifestem aquilo que está dentro dos seus corações, e por causa da natureza pecaminosa o homem tende para o mal, o homem simplesmente colhe o mal que ele mesmo planta. Deus disciplina aqueles a quem ama para que retornem para o seu caminho, apesar da disciplina, sempre notamos o cuidado e a misericórdia de Deus para com o seu povo não permitindo que o povo fosse destruído completamente, apenas disciplinado por causa de seus pecados para que houvesse arrependimento e conversão. Deus agiu e age assim com o povo de Israel como também tem agido com a sua igreja.

Observação: Na bíblia lemos sobre muitas guerras contra a nação de Israel tão antigas e distantes que as vezes até nos parece meras histórias, porém vimos como a nação de Israel foi perseguida durante a primeira e segunda guerra mundial e o quanto sofreu pelas mãos de Hitler e da Alemanha, milhões de Judeus foram mortos, isso há pouco mais de 50 anos, presenciados por muitos de nossos pais e avós. Não seria este também um mover de Deus para arrependimento e conversão de Israel em nosso tempo?

Capítulo 11 – Renovo de Jessé

Esse é o núcleo da nossa reflexão, profecia que dá título ao nosso estudo, podemos dividir essa profecia em duas partes, versos 1 e 2 contém uma parte que já se cumpriu e dos versos 3 até o final contém uma parte da profecia que vem se cumprindo aos poucos e que, segundo a maioria dos estudiosos, se cumprirá no Milênio.

No verso 1 temos a visão que temos é de Israel e Judá é de uma floresta devastada após os conflitos que se seguiram no contexto histórico que abordamos anteriormente, por isso encontramos aqui a palavra “tronco” no início desse versículo. E Jessé é mencionado aqui por ser pai de Davi, segundo as profecias, o messias procederia da linhagem de Davi.

No verso 2 temos uma série de atributos do Espírito Santo presente no Messias. Isso revela o seu caráter, caráter esse que encontramos em Jesus e é demonstrado nos evangelhos. Ao longo da história de Israel vemos um ou outro rei ou juiz de Israel com algum atributo de Deus sobre sua vida. Davi era um homem segundo o coração de Deus, Salomão tinha sabedoria e etc., mas em Jesus vemos presente todos os atributos de Deus que comprovam que de fato ele era o Messias que havia de vir. Portanto em Jesus vemos que estes dois versículos já se cumpriram.

Versos 3,4 e 5 ressaltam duas características do Messias, justiça e juízo, que embora estivessem presentes na vida de Jesus, estes versículos mostram como essa justiça e juízo seriam aplicados sobre a terra, percebemos então que dessa exata maneira Jesus não atuou nessa sua primeira vinda, logo esta parte da profecia ainda está para se cumprir.

Versos 6 a 9 mostram um cenário que a maioria dos interpretes e estudiosos também supõem que só podem caracterizar o período do Milênio. Haverá uma paz tão sublime sobre a terra de maneira que isso refletirá até na natureza.

Versos 10 até o final temos uma parte da profecia que é dedicada a falar sobre a restauração de Israel nesse tempo, o Milênio. Essa restauração é caracterizada pelo ajuntamento de todos os judeus espalhados sobre a face da terra em um único lugar: Israel. Haverá reconciliação e união entre as tribos e Jesus fará de Israel uma nação de destaque sobre a terra, um referencial do governo do Messias.

Observação: Deus já começou a trabalhar nesse sentido desde 1948 com o restabelecimento do Estado de Israel, com o aval da ONU.

Nessa profecia do capitulo 11 vemos 3 características do Messias e seu governo:

1° A sua divina capacitação para governar. Por melhor que tenham sido alguns reis ou juízes de Israel, todos pecaram em algum ponto, nenhum se compara ao Messias. Perfeito e com todos os tributos de Deus. Assim Deus cumpre essa parte da profecia e envia Jesus, sem pecado e com todos os atributos de Deus.

2° Justiça absoluta do seu governo. Justiça verdadeira, não haverá impunidade, os necessitados serão atendidos, completamente diferente do que temos visto no mundo em especial no Brasil.

3° Consequências do seu Reinado. A paz será estabelecida de tal maneira no mundo de modo que não haverá conflitos e até mesmo na natureza veremos o reflexo dessa paz.

Capitulo 12 – “O Cântico do Milênio” ou “Canto de louvor pela restauração de Israel”

O capitulo 12 é um cântico de ação de graças, e ele é profético. Ele é uma resposta ou conclusão apropriada para a profecia do capitulo 11. Assim como parte do capitulo 11 não se cumpriu o capitulo 12 também não se cumpriu visto este é uma resposta àquele.

Diante da vinda do Messias, o estabelecimento pleno do seu reino na terra, e da restauração de Israel, os Judeus demonstram a sua gratidão a Deus através desse cântico.

Milênio

Gostaria de abrir um parênteses aqui para falar um pouco dessa escatologia presente nessas profecias e para falar sobre o Milênio para aqueles que nunca ouviram sobre ele, uma vez que foi citado neste estudo.

A bíblia fala de pelo menos duas vindas de Cristo, alguns dizem que são 3 vindas.

A primeira vinda de Cristo aconteceu na Pessoa de Jesus, para nós cristãos o Messias já veio, não temos dúvidas sobre isso, no entanto, infelizmente a maioria dos judeus não creram que Jesus Cristo é o Messias. Jesus nasce, cresce, morre e ressuscita e sobe aos céus, e deixa para os seus discípulos a promessa de que retornaria para buscar a sua igreja para que, onde ele esteja, estejamos nós também. Por isso aguardamos a sua segunda vinda.

A segunda vinda de Cristo acontecerá em cumprimento a sua promessa feita na primeira vinda. Nós cristãos também não temos nenhuma dúvida sobre isso, afinal, essa é a grande esperança da igreja desde que Jesus subiu. Jesus voltará e arrebatará sua Igreja e os salvos da antiga aliança, os vivos e os mortos. Para mais informações sobre a segunda vinda de Cristo leia 1ª Ts 4.13-17.

O que vou dizer daqui em diante é um conceito da teologia dispensacionalista. Não é uma visão da Igreja Batista Vale Verde, nossa igreja não defende nenhuma doutrina escatológica, não por uma questão de fé, mas porque normalmente é uma discussão de meras hipóteses, por isso não costumamos tocar muito em assuntos escatológicos, portanto vou deixar aqui o conceito dispensacionalista, que parece ser o conceito mais aceito entre os estudiosos, para conhecer outra visão escatológica faça uma pesquisa sobre “teologia do pacto” no Google.

Após o arrebatamento se inicia simultaneamente uma era no céu chamada de “As bodas do cordeiro” e outra na terra chamada de “Tribulação” e “A Grande Tribulação” na qual passará aqueles que não foram arrebatados. Os dispensacionalista creem que essas duas eras durarão 7 anos. Essas eras também terminarão simultaneamente e o fim delas se dará com a terceira vinda de Cristo.

A terceira vinda de Cristo, Jesus retornará com os arrebatados e reinará na terra por um período de mil anos, por isso chamado de Milênio pelos dispensacionalistas. Bem, toda essa volta que fizemos no assunto foi para dizer que os capítulos 11 e 12 de Isaías vão se cumprir na sua totalidade nesse período do Milênio. Como a maioria dos Judeus não creem que Jesus é o Messias, essa vinda, que para nós seria a terceira vinda de Cristo, para o Judeu será a primeira e única vinda, o tempo da restauração de Israel. O reino de Deus será manifestado na sua plenitude para a humanidade. Fechamos aqui o nosso parênteses escatológico.

Conclusão e aplicação

Para os Judeus o tempo de salvação se dará quando o reino de Deus se manifestar na sua plenitude, porém para nós os cristãos o tempo de salvação é agora. A nossa resposta a essa salvação de Deus deve ser a mesma do Judeu, no entanto, é para hoje! Devemos então, por causa dessa salvação que nos foi dada por intermédio de Jesus Cristo demonstrar nossa gratidão e fazer conhecido o nome de Jesus e os seus feitos em terra através do nosso testemunho pessoal.

Jesus veio em cumprimento as profecias de Isaías e estabeleceu o reino de Deus, embora o reino de Deus não tenha se manifestado na sua plenitude, nós já podemos desfrutar das bênçãos dessa salvação.

Em resposta a salvação manifestada a nós por meio de Jesus Cristo, ofereçamos nosso louvor, nossa adoração, nossa gratidão, assim como o nosso testemunho cristão para que, pela misericórdia e graça de Deus, aqueles que ainda não foram alcançados sejam alcançados para a glória de Deus pela pregação do evangelho.

“Rogo-vos pois, irmãos, pela compaixão de Deus, que apresenteis os vossos corpos como um sacrifício vivo, santo e agradável a Deus, que é o vosso culto racional.” Rm 12.1


Por: Edicarlos Godinho

Referencias Bibliográficas:

A mensagem de Isaías. Pecado, arrependimento e salvação. Souza, R. F. Revista Expressão. Editora Cultura Cristã. São Paulo. nº59/3° trimestre de 2015.

Biblia Shedd: Antigo e Novo Testamentos. Russell Shedd. 1997.

Russel Normam Champlim. Comentário do Antigo testamento versículo por versículo. Hagnos; Edição: 2ª (1 de janeiro de 2003)

Isaías – lição 5 – o nascimento que trará luz

Isaías – lição 5 – o nascimento que trará luz

Por: Queila Cristina de Oliveira Godinho

Isaías capítulos 7, 8 e 9.1-7

Introdução

A condição de depravação do homem não é nenhuma novidade, desde o pecado original o mundo permanece distante de Deus. Porém a promessa de restauração sempre foi algo real e concreto e a profecia de Isaías reitera a Israel a salvação de Deus. Este estudo tem como objetivo fazer uma breve expositiva dos capítulos 7,8 e 9:1-7 de Isaías, apontado as fragilidades do povo de Israel em seu relacionamento com Deus bem como a grande promessa de Deus relatada por Isaías, contextualizando com a realidade da igreja de Cristo.

Desenvolvimento

No contexto histórico de Isaías, a Assíria era considerada a grande potência militar, temida por todas as outras nações. No geral, para evitar o confronto, as demais nações optavam por se aliarem. Neste mesmo contexto Israel já não era mais uma nação única. As tribos foram divididas em reino do Norte, chamada de Israel ou Efraim (capital Samaria), que era composta por 10 tribos, e o reino do Sul, composta por Judá, onde encontrava-se a capital Jerusalém.

Esta divisão enfraqueceu os israelitas tornando-os vulneráveis aos inimigos. No evangelho de Lucas 11.17, Jesus diz que todo reino dividido contra si ficará deserto e a casa dividida contra si mesma cairá.

Ficar em dissensão foi tão prejudicial aos israelitas naqueles dias como é para a igreja de Cristo nos dias atuais. A igreja está dividida em religiões, denominações, ideologias e doutrinas. Isto permitiu o enfraquecimento do ensino do evangelho, a entrada do conformismo ao mundo e consequentemente o esfriamento e não cumprimento do chamado de Cristo para estender o reino de Deus na Terra.

Isaías 7.2

Embora a maioria das nações cedessem a Assíria, uma pequena nação chamada Síria resolveu rebelar e buscar aliados para si. Aliou-se então Efraim a Síria, e como Judá se recusara a fazer esta aliança, a Síria e Efraim planejavam pelejar contra a mesma.

Israel foi o povo separado por Deus para ser um referencial as outras nações, o objetivo era trazer a luz e não se juntar as trevas. Em 2Co 6.14 Paulo alerta a igreja de Corinto para não cometerem o erro gravíssimo cometido por Efraim, o julgo desigual. Não é possível haver aliança do povo santo de Deus com um povo ímpio, idolatra e perverso e as coisas acabarem bem. Assim como não é possível a igreja de Cristo se colocar em julgo desigual com pessoas cujos os princípios, ideologias não estão centrados em Cristo.

É importante ressaltar que o povo de Israel, tal como a igreja, não são melhores que as demais pessoas, mas foram escolhidos e santificados por Deus para trazer a luz e não se aliar as trevas.

A aliança com a Síria fez com que Efraim almejasse guerrear contra seu próprio povo, Judá. A dissenção trouxe o julgo desigual, o julgo desigual trouxe a perversão, a perversão trouxe a ira de Deus, pois Efraim, conforme profetizado por Isaías, foi destruída em 65 anos. Um abismo chama outro abismo (Salmo 42:7).

Isaías 7.2-9

Acaz, rei de Judá e todo o povo estavam agitados e com medo do possível ataque de Efraim/Síria. Porém Deus ordenou a Isaías que dissesse a Acaz que Efraim e Síria não subsistiriam, mas que era necessário crer.

Isaías 7.10-15

Acaz se recusando a crer, fingia piedade em não querer ver um sinal de Deus. Mas apesar disso Isaías traz a notícia do grande sinal que seria o nascimento de um menino através de uma virgem, o Emanuel.

Em um cenário de conflitos, falta de fé e a abundância de pecado (características de uma humanidade caída), Isaías traz a grande notícia da vinda do Deus resgatador da humanidade.

Isaías 7-17-25

Notem que não houve da parte de Isaías uma promessa de apaziguação da guerra, pelo contrário, a Assíria se levantaria contra Judá fortemente. A Assíria seria um instrumento de Deus para tratar com Israel. A promessa do Emanuel não estava relacionada a paz militar, mas a restauração espiritual do povo de Deus. O contexto de guerra acompanhou Israel ao longo de toda a sua história: O exílio da Babilônia, a tomada por Roma, a queda de Jerusalém, e mais recentemente, a perseguição nazista durante a 2ª guerra mundial e atualmente a guerra contra o estado Islâmico.

Não é diferente com a igreja de Cristo, vivemos em constante guerra, as vezes perseguições físicas, tal como ocorreu com a igreja primitiva e acontece com muitos irmãos ainda hoje em países sob o islamismo, como também as constantes guerras contra todo principado e dominadores do mal, e contra a própria natureza pecaminosa. Mas Jesus, em Jo 16.33 disse que passaríamos por aflições, mas que Ele venceu o mundo para nossa salvação eterna.

Isaías 8

O clima de tensão continua, o profeta reforça a necessidade de firmeza de fé do povo e santificação, mas já informa que Deus (na pessoa de Cristo) seria pedra de tropeço e rocha de ofensa para Israel. Novamente o povo não creu na palavra de Deus e buscavam outros recursos como necromante e adivinhos para dar respostas a crise que viviam.

O homem possui uma necessidade pessoal de respostas as suas crises que correspondem justamente a ausência de Deus (morte espiritual), a atitude dos israelita de desespero não é diferente nos dias atuais, há uma grande diversidade de ritos e religiões que tentam religar o homem a um Deus que lhe faz falta, e tal como Israel, erram por não buscarem essa luz no Messias. Mesmo a igreja que já tem acesso a luz de Cristo apresenta sinais de uma meninice espiritual (Ef. 4:14), sendo conduzida por qualquer vento de doutrina, apegando-se a ritos e símbolos para depositarem a sua fé, enquanto deveriam estar firmados na palavra de Deus (Rm 10:17), a mesma palavra que Israel recusou ouvir.

Isaías 9:1-7

Nenhuma profecia é feita fora de contexto. Em meio ao desespero e a guerra vem a promessa de Paz. Isaías anuncia a vinda de um Rei da linhagem de Davi que traria a paz e alegria tão esperada pelo povo de Israel. Das terras mais desprezíveis e assoladas do reino norte nasceria o grande Salvador, pois Deus escolheu as coisas fracas deste mundo para envergonhar as fortes (1Co 1:27). Esta geração não viu esta promessa se cumprir, pois o Jesus veio a nascer por volta de 700 anos depois, mas receberam a grande palavra de esperança de que Deus não havia se esquecido deles. Os títulos conferidos a esse salvador, fazia referência a sua missão messiânica e trazia grande expectativa ao povo porque representava o líder que eles tanto precisavam:

Maravilhoso conselheiro

Expectativa do povo: Um grande estrategista, orquestrando uma maravilhosa vitória para o seu povo.

Como se cumpriu: Trouxe a palavra de vida eterna;

Deus forte

Expectativa do povo: Um Deus guerreiro que mostraria poder divino enquanto guerreava pelo seu povo.

Como se cumpriu: Capaz de levar sobre si o peso dos nossos pecados vencendo o reino das trevas;

Pai da Eternidade

Expectativa do povo: Seria o pai real da nação, seu cuidado paternal pelos seus súditos jamais acabaria.

Como se cumpriu: Está conosco pela eternidade.

Príncipe da Paz

Expectativa do povo: seu governo seria tão eficiente que prenunciaria a paz.

Como se cumpriu: Nos trouxe a paz da sua presença que o mundo não pode dar.

Conclusão

As guerras e conflitos humanos estão relacionados ao seu rompimento do relacionamento com o seu criador. O homem sem Deus se tornou mau, e produz o mal. Porém Cristo é o nosso resgatador, a promessa cumprida, o caminho que nos leva ao nosso amado Pai.


Por: Queila Cristina de Oliveira Godinho

Referencias Bibliográficas:

A mensagem de Isaías. Pecado, arrependimento e salvação. Souza, R. F. Revista Expressão. Editora Cultura Cristã. São Paulo. nº59/3° trimestre de 2015.

Biblia Shedd: Antigo e Novo Testamentos. Russell Shedd. 1997.

HARRISON, Everety F. Comentário Bíblico Moody, vol. 4 e 5. (1983).

Isaías – Lição 2 – Um Pai fiel e seus filhos (muito) rebeldes

Isaías – Lição 2 – Um Pai fiel e seus filhos (muito) rebeldes

Por: Queila Cristina de Oliveira Godinho

Isaías 1: 1-31

Introdução

Este estudo tem como objetivo fazer uma introdução à mensagem exposta em todo o livro de Isaías. No capítulo 1 de Isaías é possível termos uma ideia do assunto que será abordado em todo o livro.

Com o intuito de trazer clareza e contextualizar a mensagem de Isaías com o novo testamento e uma aplicação para nossa atualidade, o assunto será exposto através de um quadro:

A acusação contra o povo (versículos 2-17)

Profecia de Isaías Novo Testamento

Contextualização

(V.2) Deus, como em um julgamento chama os céus e a terra para serem testemunhas que Ele criou e escolheu um povo (descendência de Abraão) que ao longo de sua história se rebelou e O  rejeitou (Jo 1:11) 700 anos após Deus ter tratado com os Israelitas, os judeus ainda permaneciam na rejeição a Deus, agora na pessoa de Jesus Cristo. (Rm. 1:28) O mundo permanece em sua rejeição a Jesus. Apesar da grande disseminação do evangelho da inclusão ( também para gentios) a todos os povos, ainda é notória a grande rejeição a Cristo e seus preceitos.
(V.3) Deus diz que até os animais conhecem o seu possuidor, mas o seu povo, Israel, não tem conhecimento, não entende a vontade de seu Deus. (Mt. 22:29) Jesus alerta os judeus, interpretes da lei, os que seriam responsáveis por levarem o conhecimento de Deus ao mundo, o quanto eles estavam na ignorância e desobediência a vontade de Deus. (Jo  8: 31-32)  O conhecimento de Deus se dá através da obediência de sua palavra. Aqueles que são chamados para serem discípulos de Cristo, a sua igreja, precisam conhecer e obedecer à palavra de Deus.
(v.4-6) A consequência do povo se afastar da santidade de Deus é a corrupção de seu caráter, que adoece o seu espírito. ( Mt. 15:8; 23:33) Jesus novamente chama atenção dos judeus, por estarem longe de Deus e corruptos de coração. ( Gl. 5: 17-23; Rm. 8:7) Paulo trás com muita clareza a consequência do crente estar cheio ou vazio do Espírito. As obras da carne, que é o próprio pecado, é a expressão de uma vida sem a presença  de Cristo através do Espírito Santo.
(V. 7,8) Deus afirma que a terra seria assolada por causa do pecado do povo. (Mt. 24:2) Também nos dias de Jesus ele faz uma profecia a respeito de Jerusalém. A cidade que deveria ser um referencial evangelístico para a outras nações seria (e foi) destruída por causa do pecado do povo. (Rm.8: 19-22) Toda a criação sofre as consequências do pecado humano.  A cobiça e maldade do homem trás impactos desastrosos na natureza e na sociedade. Por esse motivo a terra está doente, as pessoas estão doentes, as relações estão doentes.
(V.9) Se Deus não preservasse um remanescente fiel, o pecado assolaria a todos. (Mt. 24:22) Ainda em seu sermão profético, Jesus afirma que para preservação dos escolhidos de Deus, os maus dias seriam abreviados. (1 Pe.2:9) Mesmo em meio a um mundo perverso, a igreja é o remanescente fiel de Cristo.

Povo eleito, para ser a luz de Cristo sobre a Terra.

(v.10-17) Deus acusa o povo de realizarem práticas religiosas vazias e omissão a real vontade de Deus no cuidado com as pessoas. (Mt.9:13; Rm. 2:17-23) Jesus e também Paulo questionam a prática da lei pelos judeus sem uma real obediência e relacionamento com Deus. (Tg. 1:27) A verdadeira religião que Deus espera da tua igreja é obediência ao sumo mandamento: Amar a Deus sobre todas as coisas nos santificando do mundo para Ele, e amar ao próximo como a si mesmo, cuidando das necessidades uns dos outros.

Um convite ao arrependimento  (versículos 18-31)

Profecia de Isaías

Novo Testamento

Contextualização

(V.18-20) Aqueles que voltarem os ouvidos para Deus, receberão a graça do perdão. (Mt. 4:17; Ef.1:7) Jesus inicia o seu ministério chamando o povo ao arrependimento, pois através dele e somente nele, há redenção. (1Jo 1:9) Todo aquele que contrito confessar os seus pecados a Deus, ele é fiel e justo para perdoar em Cristo Jesus.
(V.21-27) Deus irá purificar a sua cidade santa (permitirá para isso o exílio na Babilônia) e restituirá a justiça de Deus como nos tempos dos juízes. (Ap. 3:19; 1 Jo 1:7) Deus prova e trata com aquele a quem ama, com intuito de purifica-lo. A justiça e o juízo de Deus são estabelecidos ao homem através do sangue de Jesus. (1Pe. 1:7) É necessário à igreja, que é justificada em Cristo, ser purificada pela provação da sua fé, afim de que Cristo seja honrado e glorificado.
(V. 28:31) Os ímpios serão punidos. (Mt. 25: 31-46) Haverá um julgamento e condenação eterna para os que não estiverem em Cristo. (Ap. 2:10) Aqueles que permanecerem fiel (o remanescente fiel) herdarão a vida eterna.

Por: Queila Cristina de Oliveira Godinho

Referencias Bibliográficas:

A mensagem de Isaías. Pecado, arrependimento e salvação. Souza, R. F. Revista Expressão. Editora Cultura Cristã. São Paulo. nº59/3° trimestre de 2015.

Biblia Shedd: Antigo e Novo Testamentos. Russell Shedd. 1997.

Introdução ao Antigo testamento. William S. Lasor, David A. Hubbard, Frederic W. Bush. Editora Vida Nova. São Paulo. 1999.

 

Isaías – Lição 1 – Isaías: O quinto Evangelista

No olho da crise e de olho da Redenção

Por: Edicarlos Francisco Godinho

Isaías 1.1-9

Introdução

Esse é o começo da série de estudos sobre a mensagem de Isaías, hoje faremos um estudo introdutório, e por ser um estudo introdutório, vamos conversar sobre 4 assuntos básicos: O contexto histórico; O personagem Isaías; O livro, o manuscrito de Isaías; e A mensagem de Isaías.

Contexto histórico

Vamos ler Isaías 1.1, esse versículo nos dá uma contextualização histórica do profeta Isaías e seu ministério, seu ministério ocorreu durante os reinados de Uzias (Azarias), Jotão, Acaz e Ezequias, que foram reis de Judá.

O período da vida e ministério de Isaías aconteceu durante um período histórico chamado de monarquia dividida, esse período histórico se iniciou apos a morte de Salomão e foi até o cativeiro babilônico durou cerca de 390 anos. Após a morte de Salomão, o reino de Israel foi dividido pelo seu filho Roboão e pelo oportunista Jeroboão após um desentendimento entre os dois, um governou o norte e o outro o sul, o sul era somente a tribo de Judá, e o Norte contava com demais 10 tribos de Israel (Efraim). A tribo de Judá apesar de ser uma única tribo era tão numerosa quanto a soma das demais tribos, assim como geograficamente o território de Judá era praticamente a metade de Israel, como pode ser percebido nos mapas da época. Durante todo esse período histórico, a nação tinha um rei que governava Israel e outro rei que governava em Judá.

O reino de Israel durou cerca de 257 anos de Jeroboão até o cativeiro assírio, nesse tempo, as vezes tinha um rei que temia ao senhor, depois assumia  outro que era perverso, mas nas décadas finais Israel sofreu uma instabilidade interna muito grande com uma série sucessiva de reis completamente perversos fazendo todo tipo de coisa que desagradava a Deus, portanto Deus não era com eles, sofreram golpes políticos, um tomando o trono do outro com assassinato, os assírios se aproveitaram dessa instabilidade e atacam e tomaram a Israel. Por muito tempo Israel pagou impostos pesados para a Assíria. Numa tentativa de retomada pelo povo de Israel, a Assíria acabou por destruir completamente Israel, levando boa parte do povo cativo e, além disso, trazendo habitantes da Assíria e outros povos (babilônicos) para morar em Samaria, era uma estratégia de guerra para evitar uma possível revolta. Detalhe, Samaria era a capital do reino do Norte. O sincretismo religioso de Samaria e o ódio judeu que vemos nos evangelhos foram resultado dessa miscigenação dos israelitas, assírios e babilônicos nesse período.

Quando Israel foi tomada pelos assírios, Judá estava sendo reinada por Jotão (2ª Reis), então percebemos que Isaias foi contemporâneo a queda de Israel. Isaías estava lá, assistiu bem próximo, pois ele estava em Judá. (O reino está dividido, um reino não interferia no outro, portanto Judá não participou das guerras), portanto o reino de Judá ainda durou cerca de 133 anos do cativeiro assírio até o cativeiro babilônico. Mas foram 133 anos de muito sofrimento, com investidas dos assírios, obrigados a pagar tributo, parte da terra foi tomada e dada a reis filisteus.

O próprio livro de Isaías fala pouco sobre seu contexto histórico, o que mais compõe esse contexto são os livros de 2ª Reis, Amós, Oséias e Miquéias que relatam a situação nacional e internacional nos tempos de Isaías, sendo que esses profetas (Amós, Oseias e Miqueias) eram contemporâneos de Isaías. Então para um estudo aprofundado de Isaías não basta ler o livro de Isaías.

Detalhe: Os livros da bíblia não são associados por ordem cronológica, o que as vezes dificulta essa visibilidade, 2ª Reis está lá atrás e Amos, Oséias e Miqueias lá na frente (comparado com o livro de Isaías). Lá atrás temos Esdras, Neemias retratando a saída do povo de Israel do cativeiro babilônico enquanto Isaías, lá na frente está prevendo esse cativeiro.

Sobre o personagem Isaías

Isaías vivia no reino do Sul, no reino de Judá, mais precisamente em Jerusalém sua capital. Provavelmente por isso a maioria das profecias de Isaías foram direcionadas a Judá e sua capital Jerusalém, mas também profetizou para Israel e nações e cidades estrangeiras, inclusive aos impérios da época (assíria e babilônia). A tradição judaica diz que ele era próximo da corte, possivelmente de uma família nobre. O que permitiu que ele estivesse próximo dos reis (Uzias, Jotão, Acaz e Ezequias) durante seu ministério e permitiu também que Isaías estivesse a par da situação mundial.

Isaías viveu entre os séculos 8 e 7 ac. Que compreende o período do reino dividido que falamos anteriormente. Foi citado como Filho de Amoz, porém a bíblia não traz mais informações sobre seu pai. Era casado, possivelmente passou por 2 casamentos, não temos informações sobre a primeira esposa, teve 1 filhos com essa esposa e o nome dele era Sear-Jasube (7.3) que significa “um resto volverá” (virar, voltar) e a segunda esposa foi uma profetisa (8.3), ele teve um filho com ela que se chamou Maer-sall-has-baz (8.1-4), que significa rápido despojo presa segura. Os nomes dos filhos de Isaías representam as conquistas assírias que deixaram só um remanescente sobrevivente em Israel e o reino saqueado. O texto afirma que Deus mandou colocar esse nome no segundo filho, e possivelmente o primeiro filho também tenha sido devido ao seu significado profético.

Isaías teve uma das visões mais surpreendentes sobre Jesus, (Is 6.1-13), João confirma em seu relato no seu evangelho que a visão de Isaias era sobre Jesus (Jo 12.39-41) e não de Deus Pai como alguns possam pensar.  Eu não sei se você notou, mas a capa da revista é uma representação dessa visão. [A mensagem de Isaías: Pecado, arrependimento e salvação. Editora Cultura Cristã. 3° trimestre. 2015. São Paulo.]

Seu ministério se estendeu entre os anos 740 e 690 ac. O que dá Entre 40 e 50 anos de ministério. Segundo a tradição judaica ele foi morto por manasses, filho de Ezequias. A tradição judaica também vai dizer que ele foi serrado ao meio, possível base para Hb 11.37 onde o autor de hebreus fala sobre o fim de alguns dos que compõe a famosa galeria dos heróis da fé.

Sobre o livro e autoria

Isaías é o segundo maior livro da bíblia com 66 capítulos, sendo salmos o maior livro.

É chamado por alguns de “O quinto evangelho”, por isso o título desse estudo, por que o livro de Isaías foi um dos livros mais influentes na formação do judaísmo e cristianismo primitivos, o Novo Testamento começou a ser escrito na segunda metade do primeiro século, então o que os cristãos primitivos têm é o Antigo Testamento, principalmente Isaías, que aborda temas fundamentais da teologia cristã, são mais de 400 citações de Isaías no novo testamento. Alguns teólogos comparam sua estrutura como a de romanos pois retrata a Onipotência, Onisciência e a Obra redentora de Deus.

Alguns fatores como a diferença literária entre algumas partes do livro fazem os estudiosos acreditarem que Isaías pode ter tido vários autores. As argumentações mais fortes são para dois ou três autores. As linhas que defendem 2 autores mostram que as profecias nos capítulos de 1 a 39 concentram-se em Judá e assíria enquanto que as de 40 a 66 concentram-se para um período do cativeiro babilônico, além disso repetições de palavras para demonstrar ênfase, referência das cidades representando pessoas, ou seja um estilo literário diferente. Já os Argumentos para um terceiro Isaías é que os capítulos de 50 a 66 não tratam exatamente de profecias, mas seria um relato histórico de um período de 150 anos mais tarde.

Mais importante do que a autoria do livro é a autoridade do livro, as teorias sobre a autoria não diminuem sua autoridade ou sua canonicidade, principalmente pelas inúmeras citações no novo testamento, principalmente citações feitas pelo próprio Jesus nos evangelhos fortalece a autoridade do livro, como também os cumprimentos dessas profecias atestam que realmente foram dadas por Deus.

Ainda sobre a autoridade do livro de Isaías, queria destacar a atualidade da mensagem de Isaias, o núcleo da mensagem de Deus dada a Isaias continua sendo o núcleo da mesma mensagem que a igreja anuncia sobre o evangelho. O autor da revista vai destacar textos chaves da mensagem de Isaias que mostram como a mensagem de Isaias é atual.

As mensagens de Isaías – Temas chaves dos livros ou Núcleos das mensagens

Remanescente fiel, ainda que o numero dos filhos de Israel seja como a areia do mar o remanescente é que será salvo (Rm 9.27). Aquele que perseverar até o fim será salvo. (Mt 24.13)

A soberania de Deus sobre o destino dos povos, Paulo dedica o capitulo 9 de romanos para falar sobre a soberania de Deus. Um dos princípios mais importantes da teologia cristã é a soberania de Deus e a responsabilidade humana.

A humilhação dos arrogantes e a exaltação de Deus dos que o servem. “Pois todo o que se exalta será humilhado; e o que se humilha será exaltado” (Lc 14.11). “Deus resiste aos soberbos mas dá graça aos humildes” (Tg 4.6). “Humilhai-vos perante o Senhor, e ele vos exaltará”. (Tiago 4:10)

Servo do senhor, Santo de Israel, e O rei messiânico da casa de Davi. É anunciar cristo e o seu evangelho.

O que aprendemos com Isaías:

1) Jesus é o Deus que caminha conosco na nossa história. A ação de Deus se dá na realidade do mundo material, Na situação social e politica, Deus se utiliza das nações estrangeiras pra tratar com a nação de Israel. Como Deus caminhou com Israel ele caminha também com sua igreja, e com cada um de nós individualmente.

2) Isaías titubeou no seu chamado, assim como outros profetas e lideres chamados por Deus no AT. Moisés pediu a Deus para mandar outro no lugar dele, disse que ele era gago. Gideão, como ele colocou a prova o chamado de Deus. Jonas tentou fugir do seu chamado. Para nós isso é comum a nossa natureza humana, as vezes podemos achar que não damos conta do recado, que o chamado de Deus não é pra nós, tentamos se esquivar do chamado, mas Deus tem sim um chamado para nós como membros de sua igreja, como discípulos dele, um chamado pra levar sua palavra, devemos encarar esse chamado com mais coragem e com a mesma humildade de Isaías, que reconheceu o seu pecado, A semelhança de como Jesus purifica Isaías nessa visão, hoje somos purificados por Jesus, no seu sangue. Estamos, portanto, aptos para levar sua mensagem, somos os profetas da nova aliança.

3) Reconhece sua situação pecadora assim como a dos seus irmãos e compatriotas, apenas após esse reconhecimento e a partir da purificação feita por Deus ele é capaz de iniciar seu ministério. Precisamos do mesmo modo reconhecer nossa condição pecadora, que necessitamos da graça e da misericórdia de Deus. Que possamos enxergar também nossos erros, nossos pecados. Temos um advogado junto ao pai, se confessarmos os nossos pecados ele é fiel e justo para nos perdoar e nos purificar de toda injustiça (1Jo)

4) Temor de Deus diante da sua santidade, “ai de mim, estou perdido”, “Meus olhos viram o Rei, o senhor dos exércitos”. Precisamos nos achegar com temor diante de Deus, respeito, reverencia. Não podemos perder a noção da santidade de Deus e o quanto precisamos buscar a santificação para que possamos nos apresentar diante dele. “Segui a paz e a santificação sem a qual ninguém verá o Senhor” (Hb12.14).

5) A purificação de Isaías com as brasas tiradas do Altar, isso indica que a purificação só poderia ocorrer por meio de um ato divino. Semelhantemente só podemos ser purificados por Jesus, graças ao seu sangue que foi derramado pelos nossos pecados. Sem a intervenção divina por meio de Jesus jamais poderíamos nos achegar a Deus.

6) O cativeiro foi o tratamento de Deus por causa da desobediência do povo, da idolatria, e apesar da imagem desoladora das profecias, as vezes podemos pensar: “puxa Deus está pesando a mão” no final, sempre temos uma palavra de misericórdia de Deus, de manutenção da sua graça sobre o povo. O objetivo de Deus não é destruir o povo, pelo contrário, o objetivo é de dar a salvação. Mas o povo sempre desobedece, se esquece de Deus, Deus castiga porquê… “ Porque o Senhor corrige a quem ama e açoita a todo filho a quem recebe” (Hb 12.6).

Aplicação final

Isaías foi chamado para relembrar o povo da aliança divina. Que possamos compreender que, como igreja, temos o desafio de falar sobre a aliança de Deus conosco. Uma nova aliança que foi feita pelo sangue de Jesus. Que a partir de tudo que vamos aprender sobre a mensagem de Isaías durante toda essa revista possamos refletir sobre a responsabilidade que Deus coloca sobre cada um de nós de anunciar a sua mensagem.

Por: Edicarlos Francisco Godinho

Referencias Bibliográficas:

A mensagem de Isaías. Pecado, arrependimento e salvação. Souza, R. F. Revista Expressão. Editora Cultura Cristã. São Paulo. nº59/3° trimestre de 2015.

Biblia Shedd: Antigo e Novo Testamentos. Russell Shedd. 1997.

Introdução ao Antigo testamento. William S. Lasor, David A. Hubbard, Frederic W. Bush. Editora Vida Nova. São Paulo. 1999.