Sola Gratia – Somente a Graça

Introdução

Sola Gratia  significa: “somente a Graça” e está relacionada ao fato de que a salvação do homem é pela graça de Deus. O principio de “somente a graça” se deve em razão da doutrina Católica vigente de que as boas obras ajudariam na salvação do homem, ou seja, a doutrina da salvação da Igreja Católica Romana seria uma mistura de confiança na graça de Deus e confiança no mérito de suas próprias obras, essa doutrina Católica era chamada pelos protestantes de “Sinergismo”, ou seja, segundo a igreja Católica o homem tem algum grau de participação na salvação, sendo responsável pela sua salvação ou perdição através do uso de seu próprio livre arbítrio.

A posição reformada é a de que a salvação é inteiramente condicionada a ação da graça de Deus, mais precisamente,  um conjunto da graça de Deus, a regeneração promovida pelo Espírito Santo, e a obra redentora de Jesus Cristo. E o que o ser humano não tem nenhuma participação.

Esta doutrina de “Somente a Graça” declara o “Monergismo” divino na salvação: Deus age sozinho para salvar o pecador. A responsabilidade para a salvação não repousa sobre o pecador em qualquer grau de sinergia.

“Mas Deus prova o seu próprio amor para conosco pelo fato de ter Cristo morrido por nós, sendo nós ainda pecadores”. Rm 5.8 é um dos versículos que melhor mostra a impossibilidade do homem de fazer algo para sua própria salvação.

A doutrina da salvação pela graça foi fundamental para o restabelecimento da doutrina bíblica no tempo da Reforma. Essa doutrina sempre incomodou o ser humano. O homem sempre se sentiu desconfortável em saber que sua salvação não depende de si mesmo, mas exclusivamente de Deus, que a concede graciosamente e não por mérito. Gostamos de tomar nossos assuntos em nossas próprias mãos. É por isso que essa doutrina nos incomoda tanto. Sempre foi assim, como os intermináveis debates sobre o tema ao longo da história deixam bem claro. Na Idade Média, porém, o abandono dessa doutrina alcançou seu ponto mais alto. Seu resgate foi feito pela teologia reformada.

A seguir veremos a que ponto a igreja do século XVI chegou devido as ramificações doutrinarias que surgiram a partir do simples fato de crerem na salvação pelas obras.

Missas em favor dos mortos

Na medida em que a igreja foi se distanciando da simplicidade dos tempos apostólicos, em que os cristãos “partiam o pão de casa em casa e tomavam as suas refeições com alegria e singeleza de coração” (At 2.46), a Ceia do Senhor foi adquirindo uma interpretação cada vez mais requintada. Na mesma medida em que a simplicidade do evangelho foi sendo perdida, uma ampla variedade de cerimônias foi sendo acrescentada.

Inicialmente, as pessoas que participavam da Ceia tinham que se preparar para ela apenas por meio de um autoexame, como orienta o apóstolo Paulo (1Co 11.28). Com o passar do tempo, essa preparação começou a envolver o lavar das mãos e das roupas. No começo, cada participante pegava seu bocado de pão com as próprias mãos. Depois, passou a ser servido em um pano de linho ou em um pires de ouro. Mais tarde, no século 11, passou a ser servido diretamente na boca do participante, que aguardava de joelhos diante do altar. O pão consagrado era servido não apenas na igreja, mas também nas casas, às pessoas que estavam às portas da morte, como “alimento para a jornada”, e passou a ser considerado útil para evitar desastres e pestes e para obter benefícios e bênçãos.

A partir daí, o passo seguinte foi estender a eficácia da Ceia do Senhor não somente aos vivos, mas também aos mortos. A essa altura, o costume pagão de fazer ofertas por parentes mortos e orar por sua alma no aniversário de sua morte já havia se estabelecido na crença popular. Quando a doutrina do purgatório foi estabelecida pelo papa Gregório (590-604), o Grande, a Ceia passou a ser interpretada como uma oferta do próprio corpo e sangue de Cristo em favor do parente morto. Logo se tornou uma crença estabelecida que a missa realizada em favor de pessoas mortas podia reduzir as penitências e punições temporais, não apenas aos vivos, mas também aos mortos, aliviando sua pena no purgatório.

Observe como há um entrelaçamento de erros aqui. Primeiro, há o desvirtuamento da Ceia do Senhor, que deixa de ser vista como um meio de graça e passa a ser vista como uma cerimônia religiosa cada vez mais elaborada; depois, ela começa a ser servida às pessoas que estavam às portas da morte como uma espécie de alimento para sua jornada; depois, o pão começa a ser visto como uma espécie de amuleto religioso capaz de prevenir pestes e tragédias; a seguir, há o sincretismo da fé cristã com religiões pagãs, o que gera a contaminação dos costumes religiosos do povo; surge, então, a doutrina do purgatório; por fim, a Ceia (e a missa da qual faz parte) passa a ser concebida como tendo importantes efeitos espirituais não apenas para os que participavam dela, mas também para os mortos, em memória de quem as missas eram realizadas. Um erro doutrinário nunca vem sozinho. Ele sempre produz outro ou foi produzido por outro: “um abismo chama outro abismo” (Sl 42.7).

Diante de tudo isso, a teologia reformada anuncia, com vigor e alegria: Sola gratia! Somente a graça salva. Somos salvos não por missas realizadas em nossa memória, nem por sacramentos ministrados a entes queridos, mas pela graça soberana do Senhor.

A compra da salvação

Na medida em que o evangelho era anunciado, as pessoas iam se convertendo e sendo discipuladas e batizadas. Isso provocava uma mudança de postura e de hábitos em grande parte dos convertidos, que vinham de religiões politeístas e tinham costumes que não se harmonizavam com a fé cristã. É claro que não se podia esperar que os crentes parassem de cometer pecados depois de terem sido batizados. Os próprios apóstolos haviam ensinado isso muito claramente.

1 João 1.

8. Se dissermos que não temos pecado nenhum, a nós mesmos nos enganamos, e a verdade não está em nós.

9 Se confessarmos os nossos pecados, ele é fiel e justo para nos perdoar os pecados e nos purificar de toda injustiça.

10 Se dissermos que não temos cometido pecado, fazemo-lo mentiroso, e a sua palavra não está em nós.

1Jo 9.1  Filhinhos meus, estas coisas vos escrevo para que não pequeis. Se, todavia, alguém pecar, temos Advogado junto ao Pai, Jesus Cristo, o Justo;

Efésios 4

25Por isso, deixando a mentira, fale cada um a verdade com o seu próximo, porque somos membros uns dos outros.

26 Irai-vos e não pequeis; não se ponha o sol sobre a vossa ira,

27 nem deis lugar ao diabo.

28 Aquele que furtava não furte mais; antes, trabalhe, fazendo com as próprias mãos o que é bom, para que tenha com que acudir ao necessitado.

29 Não saia da vossa boca nenhuma palavra torpe, e sim unicamente a que for boa para edificação, conforme a necessidade, e, assim, transmita graça aos que ouvem.

30 E não entristeçais o Espírito de Deus, no qual fostes selados para o dia da redenção.

31 Longe de vós, toda amargura, e cólera, e ira, e gritaria, e blasfêmias, e bem assim toda malícia.

32 Antes, sede uns para com os outros benignos, compassivos, perdoando-vos uns aos outros, como também Deus, em Cristo, vos perdoou.

No entanto, os cristãos sempre alimentaram a esperança de que os novos convertidos se abstivessem de pecados graves e, ao mesmo tempo, se empenhassem em seguir continuamente os caminhos da santidade. Com o passar do tempo, surgiu a necessidade de uma distinção entre pecados maiores (mortais) e menores (veniais), que gradualmente foi colocada em prática.

Na primeira categoria estavam os pecados considerados mais graves e que supostamente tinham consequências sociais mais marcantes: assassinato, roubo, adultério, infanticídio, envenenamento, apostasia, idolatria, feitiçaria e assim por diante. Na categoria dos pecados veniais, ou menores, estavam inseridos aqueles considerados menos graves, como falso testemunho, rancor, ira, rixas, fraudes, difamação e pequenas desonestidades nos negócios. É claro que essa divisão é muito subjetiva e totalmente arbitrária. Além disso, não tem o menor embasamento bíblico.

Tg 2

10  Pois qualquer que guarda toda a lei, mas tropeça em um só ponto, se torna culpado de todos.

11 Porquanto, aquele que disse: Não adulterarás também ordenou: Não matarás. Ora, se não adulteras, porém matas, vens a ser transgressor da lei.

Rm 3

23. pois todos pecaram e carecem da glória de Deus,

24 sendo justificados gratuitamente, por sua graça, mediante a redenção que há em Cristo Jesus,

25 a quem Deus propôs, no seu sangue, como propiciação, mediante a fé, para manifestar a sua justiça, por ter Deus, na sua tolerância, deixado impunes os pecados anteriormente cometidos;

Com o passar do tempo, os cristãos começaram a tomar uma posição diferente com relação aos pecados menores. A crença geral era que eles podiam expiar tais pecados, tomando algumas atitudes, enquanto o sacrifício de Cristo ficava “reservado” aos pecados mais graves. Embora esses pecados menores fossem inevitáveis, o crente, em contraste com o incrédulo, tinha a vantagem de ser um membro da igreja e poder apagar pessoalmente esses pecados, recebendo pacientemente a punição estabelecida para eles, por meio da confissão pública ou particular ou pela prática de boas obras (jejuns, esmolas e orações). Isso deu origem às doutrinas católicas romanas da penitência e da confissão auricular.

Imediatamente depois que os pecados eram confessados ao sacerdote, este pronunciava o perdão, mas ainda tinha de impor a penitência proporcional à severidade dos pecados confessados (orações ou boas obras) para que os confessantes, dessa forma, ficassem livres, internamente, do poder do pecado. Como as pessoas que se confessavam continuavam cometendo pecados ao longo da vida, as penitências, via de regra, não podiam ser completamente cumpridas nesta vida e o déficit tinha de ser pago no porvir, por meio do sofrimento no purgatório.

Havia, porém, uma forma muito mais fácil de a pessoa cumprir, total ou parcialmente, suas penitências. A associação dessas três doutrinas (penitências, confissão auricular e purgatório) deu origem à crença de que o tempo da penitência podia ser abreviado e a própria penitência podia ser reduzida se caso o cristão demonstrasse sincero e profundo arrependimento. A partir daí, desenvolveu-se o costume segundo o qual os bispos perdoavam parte da punição ou transformavam uma penitência severa em uma penitência mais leve em favor daqueles que se mostravam zelosos em seu exercício penitencial.

A partir do século 11, porém, esse relaxamento da penitência assumiu a forma de que toda pessoa que cumprisse certa condição (como participar de uma guerra contra os mouros, de uma cruzada ou pagar para que alguém fizesse isso em seu lugar, por exemplo) podia obter perdão parcial ou total (indulgência) de seus pecados, o que reduzia ou eliminava a penitência. Dessa época em diante, com a cooperação do papado, as indulgências se tornaram tão numerosas que, finalmente, foram mais elaboradas e se tornaram uma importante fonte de renda. Sua aquisição foi facilitada e, por fim, as condições sob as quais podiam ser obtidas foram destituídas de toda seriedade.

O maior comerciante de indulgências se chamava João Tetzel. Embora exigisse demonstrações de arrependimento para que a pessoa obtivesse uma indulgência, não via problema em concedê-la a alguém que já havia morrido para que, assim, seu sofrimento no purgatório fosse amenizado. Seu conceito, como ele mesmo dizia, era de que “logo que uma moeda no cofre cai, a alma do purgatório sai”. Por certa quantia, ele emitia cartas de indulgência para serem apresentadas ao padre confessor para que ele concedesse plena absolvição depois que os pecados fossem confessados no confessionário.

A concessão de indulgências em troca de dinheiro acabou se transformando em um comércio de coisas que nunca foram e não podem ser vendidas (perdão, remissão de pecados, expiação). Por meio desse comércio, houve um retorno ao mesmo tipo de comercialização rejeitado veementemente por Cristo, quando revirou as mesas dos cambistas. Essa postura não se harmoniza com o ensinamento de Cristo, que disse aos seus apóstolos: Mt 10.8 “De graça recebestes, de graça dai”.

No entanto, deve ser observado que esse erro de comercialização da fé não ficou restrito aos tempos medievais. Ele está presente hoje, mas, desta vez, entre os evangélicos. Atualmente, temos visto uma ênfase exacerbada em uma doutrina sobre o dízimo que não tem fundamento na Escritura, segundo a qual o cristão é orientado a dar cada vez mais para receber bênçãos cada vez maiores de Deus. Os católicos medievais vendiam o perdão; muitos evangélicos modernos vendem bênçãos terrenas. Apesar dessa diferença, o princípio é o mesmo: benefícios concedidos por Deus em troca de dinheiro dado à igreja. A ambos os grupos, a teologia reformada afirma: “somente a graça”

Opondo-se à doutrina dos méritos

Porque precisamos da salvação de Deus? Porque não podemos ser salvos pelos nossos próprios méritos ou esforços, mas somente pela graça de Deus? E porque não podemos fazer nada por nos mesmos? Por causa dos efeitos do pecado, esses efeitos são explicados pela doutrina conhecida como depravação total.

Essa doutrina expressa o ensino bíblico de que o homem está espiritualmente morto em seus delitos e pecados (Ef 2.1-2). Isso não significa que todos os homens sejam igualmente maus, nem que o homem é tão mal quanto poderia ser, alcançando, assim, o ápice da maldade. Também não significa que o homem esteja completamente destituído de toda e qualquer virtude.

Essa doutrina ensina que, uma vez que o homem segue o curso do pecado (Ef 2.1-2), ele está completamente sujeito ao pecado, tendo motivações pecaminosas, inclinações pecaminosas, facilidade para pecar, está espiritualmente morto e, por isso, é incapaz de fazer ou querer qualquer coisa que o conduza à salvação, bem como é totalmente incapaz de merecer a salvação mediante suas próprias obras.

Somos todos pecadores e nosso salário, isto é, a recompensa natural por nossos méritos, é a morte (Rm 3.23; 6.23). Para recebermos vida, é preciso que Deus aja conosco de modo que vá além dos nossos méritos, dando-nos aquilo que não merecemos. É justamente esse favor que recebemos de Deus sem merecer que se chama “graça”. A salvação, segundo a Escritura e a teologia reformada, não é fundamentada nos méritos humanos, mas na graça de Deus.

Outro efeito do pecado na vida humana é o de impedir que o pecador compreenda as realidades espirituais necessárias à sua salvação (cf. 1Co 2.14). O homem natural carece de uma capacitação do Espírito para que possa discernir as realidades espirituais. Sem essa capacitação ele jamais compreenderá a extensão e a gravidade de seu pecado e, consequentemente, jamais compreenderá a sua necessidade de salvação. O homem natural está cego em seu entendimento e os seus sentimentos estão corrompidos pelo pecado (cf. 2Co 4.3-4).

A natureza humana não é má em si mesma, isto é, em essência, porque foi criada por Deus e vista por ele mesmo como sendo muito boa (Gn 1.31). Contudo sua atual condição é de total corrupção ocasionada pelo pecado. Sendo essa corrupção uma condição da natureza humana, está além de seu poder mudá-la. Isso só pode ser feito pela obra regeneradora de Deus na vida do pecador.

Paulo, escrevendo aos Efésios, dá mais um bom motivo pelo qual o homem natural é incapaz de obter a salvação por seus próprios méritos. Ele diz que Deus “vos deu vida, estando vós mortos em seus delitos e pecados” (Ef 2.1). Um cadáver nada pode fazer neste mundo, nem mesmo em seu próprio favor, no intuito de tirá-lo da morte. O mesmo acontece quando uma pessoa está espiritualmente morta. Ela é totalmente incapaz de fazer ou mesmo de querer qualquer coisa.

Diante dessa realidade, sua única possibilidade de salvação está na graça de Deus.

Conclusão

A doutrina das indulgências e a prática da realização de missas em favor dos mortos deram grande força à doutrina de salvação com base em méritos humanos. Essa doutrina colocou em xeque a doutrina da salvação pela graça, retomada por Lutero e enfatizada fervorosamente pela teologia reformada. Não há méritos humanos nem colaboração com Deus para a salvação. Somos salvos pela graça.

 Aplicação

Como está a igreja hoje 500 anos após a reforma? Será que os princípios da reforma estão bem estabelecidos na Igreja contemporânea?

Sugestão: Para ter uma boa ideia do efeito devastador causado pela cobrança de indulgências na Idade Média, assista ao filme Lutero. 


Edicarlos Godinho

Referencias

http://ultimato.com.br/sites/estudos-biblicos/assunto/evangelizacao/sola-gratia-somente-a-graca/

https://pt.wikipedia.org/wiki/Sola_gratia

Os 5 Solas da Reforma Protestante – Introdução

Introdução

Os 5 Solas da reforma protestante não é um assunto inédito, esses 5 solas estão embutidos nas pregações, nos estudos, na doutrina, mas é a primeira vez que que vamos tratar especificamente sobre esse assunto nesses 12 anos na nossa comunidade de fé.

E o que são os 5 solas?

São os 5 princípios básicos da reforma protestante. E Porque ficaram conhecidos por “5 solas”? por causa das 5 frases que intitulam esses princípios e também porque foram escritos em latim, o Inglês da época.

Que frases são essas?

Sola Gratia, Sola Fide, Sola Scriptura, Solus Christus e Soli Deo Gloria. A palavra latina “sola” significa “somente” em português. Traduzindo: Somente a graça, somente a fé, somente a escritura, somente Cristo e somente a Deus a glória.

Os cinco solas sintetizam, a profissão de fé, ou seja, os credos teológicos básicos dos reformadores, nos quais criam ser essenciais da vida e prática cristã naquela época. As 5 doutrinas que mais precisavam ser revisitadas, porque tinham sido deixadas de lado pela Igreja Católica Apostólica Romana, ou seja, todos os 5 sola implicitamente se contrapõem aos ensinamentos da então dominante Igreja Católica Apostólica Romana, a qual estava, segundo os reformadores, abusando da sua autoridade, usurpado atributos divinos para a Igreja e sua hierarquia, especialmente seu superior, o Para.

Pré reforma

Então os 5 solas são resultado da reforma que aconteceu no século 16.

A Reforma Protestante foi um movimento reformista cristão culminado no início do século XVI por Martinho Lutero, quando através da publicação de suas 95 teses, em 31 de outubro de 1517 na porta da Igreja do Castelo de Wittenberg, protestou contra diversos pontos da doutrina da Igreja Católica Romana, propondo uma reforma ao catolicismo romano.

Esse marco foi, na verdade, a cereja do bolo, a história relata protestos de cunho reformista muito anteriores que seria uma pre reforma.

1º lugar, houve também um desacordo dentro da Igreja católica que ficou conhecido na historia como o grande cisma, século 11, que deu origem aos católicos ortodoxos, por questões doutrinarias.

2º lugar temos, no seculo  12, Pedro Valdo (1174), que já propunha uma bíblia na língua popular, separação entre igreja e estado, rejeitavam o culto a imagens, rejeitavam a supremacia da igreja Romana (a autoridade do lideres da igreja acima da autoridade das escrituras).

3º lugar temos, um período chamado de papado de Avinhão, quando a residência do papa foi alterada de Roma para Avinhão, parte do século 13 e 14. Por causa de disputa pelo poder politico entre o rei da frança e o papa.

4º lugar temos, no seculo 15, conhecido como um dos precursores da reforma, John wycliffe. Ele atacava a incompatibilidade da vida simples dos apóstolos e o poder politico dos papas. Defendia a separação entre igreja e estado.

Todos esses fenômenos anteriores à reforma contribuíram para um enfraquecimento da Igreja Católica e serviu de impulso para os reformadores.

Reforma

Então no século 16 Lutero abraçando as ideias dos pre reformadores, prega sermões contra as indulgencias, levanta suas 95 teses contra a igreja católica, isso aconteceu numa época em que a imprensa estava surgindo, isso contribuiu para a expansão da ideia pelo mundo, as 95 teses foram traduzidas para o alemão, impressas e rapidamente se espalharam pelo Europa. Isso gerou uma revolta ideológica contra a igreja como também uma revolta armada. Você imagine um povo despenado pelo estado com impostos e por outro lado despenado pela igreja com indulgencias, somado a isso temos teólogos de dentro da Igreja afirmando que o quê a igreja estava fazendo estava errado.

Temos Lutero na Alemanha, João Calvino na suíça, Ulrico Zuínglio na França dentre outros.

Na Inglaterra o rei Henrique 8º, viu uma oportunidade para um golpe de estado, a igreja na Inglaterra se separou da igreja de Roma e se tonou a igreja Anglicana como se fosse uma media entre o catolicismo e o protestantismo.

Contra reforma

Foi uma tentativa da igreja católica de evitar que as ideias reformadoras encontrassem divulgação em Portugal, Espanha ou Itália (países católicos em geral) através de inquisição, censura e perseguição.

Conclusão

Queria lembrar que os reformadores eram católicos e que a intenção deles nunca foi de causar divisão ou romper com a Igreja Católica, mas como o próprio nome diz, eles queriam uma reforma, ou seja, consertar aquilo que estava errado, se reaproximar da doutrina bíblica. No entanto, os lideres da Igreja Católica, por não aceitarem as propostas, inevitavelmente levaram a igreja ao rompimento.

E hoje em dia, infelizmente, temos visto muitas denominações, que são braços do protestantismo, trilhar os mesmos caminhos da Igreja Católica na idade média, se afastando cada vez mais do evangelho, se afastando da doutrina bíblica, chegando ao ponto de cobrar as mesmas indulgencias que foram motivo para a reforma a 500 anos atrás.

Os 5 solas da reforma são princípios que devem ser mantidos e celebrados pelas denominações que se mantêm reformadas e revisitados pelas denominações que tem se afastado destes princípios.

 


Edicarlos Godinho

 

Referências:

https://pt.wikipedia.org/wiki/Reforma_Protestante

Isaías – Lição 9 – A identidade do povo de Deus

Isaías – A identidade do povo de Deus

Por: Edicarlos Godinho

Resumo histórico

Nos primeiros estudos vemos muitas profecias sobre Efraim e Judá e informações sobre o cativeiro Assírio. Judá permanece por mais um tempo, são cerca de 133 anos do cativeiro assírio até o cativeiro babilônico. A Assíria entra em decadência enquanto a Babilônia está em ascensão. Babilônia derrota a Assíria e continua a pressão contra Judá. Depois de algumas tentativas de revolta de Judá, Babilônia arrasa com Judá e leva o povo cativo. Foram 3 deportações ao todo. A primeira em 609 a.C, a segunda em 598 a.C e a terceira em 587 a.C. Então foram 22 anos apenas para completar a deportação. O cativeiro babilônico termina em consequência da queda da Babilônia pelas mãos de Ciro rei de outro Império, o persa. A queda da babilônia aconteceu em 538 a.C. Então foram cerca de 70 anos de duração desse cativeiro. Após a queda da Babilônia, Ciro faz um decreto autorizando os judeus a regressar para a terra de Judá. O povo estava tão desmoralizado após o cativeiro que nem tinham vontade de voltar, foi um trabalho pesado de Esdras e Neemias para motivar o povo para voltar para Jerusalém reconstruir o templo e os muros da cidade. Quando o povo de Israel retorna a terra encontra os samaritanos, descendência do reino do Norte, com seu sincretismo religioso praticavam uma religião pagã misturada com a lei de Moisés. Conviveram juntos, porém com essa hostilidade que permanece até os tempos de Jesus. Cerca de 500 anos mais tarde vemos nos evangelhos relatos de que Judeus não se dão bem com os samaritanos.

Contexto histórico do capítulo 56.

A maioria dos estudiosos afirmam que do capítulo 40 até o 66 se referem ao cativeiro babilônico, sendo que no capítulo 56 vemos que Deus já dava sinais que o cativeiro estava chegando ao fim: “…a minha salvação está prestes a vir, e a minha justiça, prestes a manifestar-se…” Is 56.1. Os destinatários, são portanto, um povo cativo, totalmente desestruturado, com sua cultura, língua e princípios corrompidos.

Estrutura e síntese de Isaías 56.1-8

O capítulo 56 é o texto da reflexão desse estudo. Verso 1 é uma admoestação de Deus para o seu povo. Verso 2 uma benção de Deus para aqueles que cumprirem essa admoestação. Do Verso 3 ao 7 Deus se dirige ao estrangeiro e ao eunuco, Deus coloca em evidencia o amor a Ele, a dedicação ao serviço e o desejo pela Sua aliança no lugar do exclusivismo judaico. Verso 8 Deus promete congregar outros aos que já se acham reunidos.

Essa promessa se cumpriu em Jesus, através de Jesus, a salvação de Deus tem alcançado os gentios de tal maneira que hoje a igreja do Senhor é composta por muitos gentios dos quais fazemos parte, e vai continuar se cumprindo até a volta de Cristo.

Então essa é uma profecia do Senhor que não foi dirigida somente aos exilados mas a todas as pessoas em todos os lugares, em todas as épocas, pois fala da possibilidade de salvação a todos os que servirem a Deus.

Um ponto interessante que percebemos nesta profecia, assim como em outras, é que Deus vai suavizando o exclusivismo judaico e abraçando o gentio.

Análise de Isaías 56.1-8

“Assim diz o Senhor” Isaías começa e termina com essa expressão que autentica sua mensagem, isso quer dizer que ele não fala de si mesmo nem fala de algo do seu conhecimento, mas trata-se de uma mensagem de Deus ao povo.

“Chamado à justiça e ao juízo” Juízo é a capacidade da pessoa discernir entre o bem e o mal. Justiça é andar em retidão. Em outras palavras Deus está dizendo ao seu povo: faça separação entre o bem e o mal e escolha o bem e ande nele, abandone os seus pecados e viva em retidão. Porque? Porque Deus revelaria sua salvação e a sua justiça. Deus quer com essas palavras recobrar o ânimo do povo que está abatido após passar uma geração no cativeiro. Deus parece estar relembrando o povo que tem promessas para cumprir, mas é necessário que o povo esteja preparado, vivendo em retidão.

A manifestação dessa salvação se cumpriu de forma plena na vida de Jesus Cristo. Jesus é a salvação de Deus. Deus quer que o povo viva uma vida que corresponda com a justiça a qual ele pretende revelar. O chamado para a salvação no evangelho exige uma vida justa, comprometida com o  Reino de Deus. Essa é uma característica do novo testamento. Jesus ofereceu a salvação e exige uma vida de renuncia, de santificação, de comprometimento com a cruz. Deus é santo e justo e Ele espera que o povo que se relacione com Ele tenha uma vida coerente com esse Deus, o povo precisa refletir essa salvação, essa justiça.

Verso 2: Bem aventurado (feliz) aquele que faz isso

Isso o que? Faz o que ele disse no verso 1, mantem a justiça e o juízo. E, além disso, guarda o sábado e guarda a sua mão de praticar o mal. Esse texto da muita ênfase a guarda do sábado, por 3 vezes, versos 2, 4 e 6. Se fossemos adventistas esse texto seria um prato cheio para nós. No entanto, quero fazer a observação de que o sábado é um sinal externo da aliança com Deus, não são os sinais externos que diferenciam o religioso do verdadeiro discípulo, mas sim o seu caráter, o objetivo maior de Deus é alcançar o coração do homem, é uma transformação interior. O sábado aqui parece ser um símbolo para uma vida religiosa de uma forma geral, porque guardar o sábado não é o principal mandamento de Deus, então ele é usado para representar a lei, que é a expressão da vontade de Deus e do seu caráter. Essa palavra profética coloca então no mesmo patamar de importância a vida justa e reta com a prática religiosa, ou seja, tem que andar junto ter que haver um equilíbrio entre elas. Jesus não simplesmente condenou a prática religiosa, Jesus condenou a pratica religiosa desassociada da fé, da misericórdia e do amor. Os fariseus eram os alvos das críticas de Jesus justamente por isso, a religiosidade deles era desacompanhada da justiça e retidão.

Verso 3: A situação dos estrangeiros e eunucos

Deus expõe a queixa dos estrangeiros e eunucos, os estrangeiros lamentam por não fazerem parte do povo de Deus e os eunucos lamentam por sua impossibilidade de gerar filhos, além disso não podiam presenciar o culto a Deus (Dt 23.1-9). Mesmo que desejassem servir a Deus a lei os impedia. Mas através da graça que há de ser revelada através da justiça de Deus, ou seja, através de Jesus, a situação seria mudada. Tanto o eunuco quanto o estrangeiro seriam aceitos diante de Deus e terão acesso as bênçãos dessa nova aliança. Deus destaca as características dos estrangeiros e dos eunucos, pessoas que escolhem o que lhe agrada, abraçam a sua aliança, servem e amam o nome do Senhor. Mais uma vez o foco é tirado do exclusivismo da etnia e passa a ser a prática de uma verdadeira espiritualidade.

A Identidade do povo de Deus

O povo de Deus possui uma identidade que o distingue daquele que não é povo. Não é a herança genética, a religiosidade ou a aparência, mas as sim, a obediência, o caráter. O gentio se torna servo de Deus, filho de Deus assim como o judeu se ambos forem interiormente de coração convertidos ao Senhor.

Fechamento

Deus finaliza dizendo que ele é quem congrega os dispersos de Israel, ou seja, os exilados. E também congrega os estrangeiros e eunucos com aqueles que já foram reunidos. No novo testamento vemos o pleno cumprimento dessa profecia através de Jesus Cristo, assim como no livro de Atos e nas cartas de Paulo, detalhes de como os gentios foram alcançados pelo evangelho.

Por: Edicarlos Godinho

Isaías – Lição 6 – O Renovo de Jessé

O Renovo de Jessé

Por: Edicarlos Godinho

Isaías 10.5 até Isaías 12.6

introdução

Vamos relembrar um pouco do contexto histórico e as profecias de Isaías vistas na última lição (lição 5), porque servirão de gancho para essa lição de hoje. Efraim, o Reino do Norte, se alia aos Sírios tanto para resistir o Império Assírio quanto para atacar Judá. Isaías vai ao encontro do rei Acaz para levar um aviso de Deus, que o rei pode ficar tranquilo que Deus não permitiria que os planos de Efraim e Síria prosperassem, o rei só precisaria crer na proteção de Deus, porém Acaz não crê. Isaías também oferece um sinal de Deus, no entanto o rei despreza o sinal de Deus. Isaías apresenta o sinal mesmo assim: “Pois sabei que o Eterno, o Senhor, ele mesmo vos dará um sinal: Eis que a virgem ficará grávida e dará à luz um filho, e o Nome dele será Emanuel, Deus Conosco”, logo depois Isaías traz uma segunda profecia: “Porque um menino nos nasceu, um filho se nos deu, e o principado está sobre os seus ombros, e se chamará o seu nome: Maravilhoso, Conselheiro, Deus Forte, Pai da Eternidade, Príncipe da Paz.” Nós sabemos que essas profecias se referem a Jesus e foram cumpridas nele.

Contexto Histórico

O contexto histórico por traz das profecias estudadas nessa lição 6 são consequências dos atos de Acaz praticados na lição anterior. Porque Acaz não creu em Deus e por ter desprezado sua proteção e o seu sinal, Deus entregou o reino de Judá nas mãos de Efraim e Síria. O próprio livro de Isaías não traz para nós os detalhes dessa batalha, temos que recorrer aos livros de 2Cr 28 e 2 Rs 16. Morreram naquela batalha 120 mil homens de Judá num único dia, além disso levaram cativos de Judá 200 mil mulheres, filhos e filhas.

Porém Deus intervém com misericórdia para que a tragédia ainda não seja maior e manda um profeta chamado Odede para ir de encontro ao exército de Efraim, antes mesmos que chegassem a Samaria, e dizer ao exército que Deus estava com o furor de sua ira sobre eles por terem se excedido sobre os seus irmão de Judá e que enviassem de volta a Judá os cativos que foram levados. Pela intervenção divina os exércitos se arrependem e deixam o povo ir, mas antes disso dão de comer aos cativos, dão agua, dão roupa aos que estão nus e montaria aos que não tinham condição de voltar a pé. Uma atitude realmente rara e inesperada diante de tanta perversidade do Reino do Norte.

O Reino de Judá fica ainda mais enfraquecido diante de tantas baixas em seu exército. Os Edomitas e os Filisteus se aproveitam dessa fraqueza e atacam também a Judá, enquanto os Edomitas levam parte do povo cativo os Filisteus tomam parte da terra e habitam nelas.

Diante de toda essa tragédia, Acaz ao invés de se arrepender e buscar a Deus, manda mensageiros ao Império Assirio pedindo socorro e propondo um acordo, o rei da Assíria, Tiglate-Pileser aceita a proposta de Israel mas coloca Acaz e o Reino de Judá em uma situação pior, porque teve que se subjugar aos impostos da Assíria. Acaz saqueia o Templo de Deus levando roubando todo ouro e prata e dá de presente a Assíria assim como também todo o tesouro da realeza.

Já podemos tirar uma lição daqui, que o socorro vindo do mundo só causa mais aflições. Hoje em dia vemos pecados semelhantes ao de Acaz no meio cristão, em meio a igreja. Infelizmente há muitos cristãos insensatos e imprudentes resolvendo os seus problemas com um “jeitinho mundano” ao invés de recorrer a Deus. As vezes até de uma maneira perversa a ponto de atrair a ira de Deus sobre si e sobre sua família a semelhança de Acaz. Que Deus preserve sua igreja de tal coisa em nome de Jesus.

Nossa reflexão vai dos capítulos 10.5 até 12.6 que compreendem 3 profecias: uma é “A profecia contra a Assíria” a outra sobre “O Renovo de Jessé” e a última, que eu gostaria de chamar de “O Cântico do Milênio”.

Capitulo 10 – Profecia contra a Assíria.

Deus usa o Império Assírio para punir Efraim e Judá por causa de suas desobediências e pecados. Isso revela a soberania de Deus no mundo. Isso mostra que Deus dirige a história da humanidade para a realização dos seus propósitos.

O fato de Deus usar a Assíria não significa que Deus era com a Assíria ou que Deus aprovava a Assíria, pelo contrário, Deus reprovava a Assíria porque era um império ímpio, perverso, cruel, violento, soberbo. Mas Deus precisava de disciplinar Efraim e Judá e, portanto, dentro de sua Soberania, resolveu usar a Assíria para isso. E por causa de toda a sua impiedade, a Assíria também seria punida. Então Deus, através de Isaías, profetisa sua queda, vemos que posteriormente essa profecia se cumpre. Deus manda um só anjo que matou 185 mil Assírios (2 Rs 19), a partir daí a Assíria começa a enfraquecer e por fim, mais tarde, Deus usa o Império Babilônico para destruir o que sobrou da Assíria.

O propósito de Deus de enviar a Assíria contra Israel foi para o arrependimento a conversão do povo, não simplesmente para destruir. Muitas pessoas olham para essas guerras da antiguidade assim como para toda a maldade do mundo de hoje, miséria, fome, morte, doenças e etc… e perguntam porque Deus permite tudo isso? Deus não controla a humanidade, apenas direciona a história para que os seus propósitos sejam alcançados, no mais, deixa o homem através de suas obras manifestem aquilo que está dentro dos seus corações, e por causa da natureza pecaminosa o homem tende para o mal, o homem simplesmente colhe o mal que ele mesmo planta. Deus disciplina aqueles a quem ama para que retornem para o seu caminho, apesar da disciplina, sempre notamos o cuidado e a misericórdia de Deus para com o seu povo não permitindo que o povo fosse destruído completamente, apenas disciplinado por causa de seus pecados para que houvesse arrependimento e conversão. Deus agiu e age assim com o povo de Israel como também tem agido com a sua igreja.

Observação: Na bíblia lemos sobre muitas guerras contra a nação de Israel tão antigas e distantes que as vezes até nos parece meras histórias, porém vimos como a nação de Israel foi perseguida durante a primeira e segunda guerra mundial e o quanto sofreu pelas mãos de Hitler e da Alemanha, milhões de Judeus foram mortos, isso há pouco mais de 50 anos, presenciados por muitos de nossos pais e avós. Não seria este também um mover de Deus para arrependimento e conversão de Israel em nosso tempo?

Capítulo 11 – Renovo de Jessé

Esse é o núcleo da nossa reflexão, profecia que dá título ao nosso estudo, podemos dividir essa profecia em duas partes, versos 1 e 2 contém uma parte que já se cumpriu e dos versos 3 até o final contém uma parte da profecia que vem se cumprindo aos poucos e que, segundo a maioria dos estudiosos, se cumprirá no Milênio.

No verso 1 temos a visão que temos é de Israel e Judá é de uma floresta devastada após os conflitos que se seguiram no contexto histórico que abordamos anteriormente, por isso encontramos aqui a palavra “tronco” no início desse versículo. E Jessé é mencionado aqui por ser pai de Davi, segundo as profecias, o messias procederia da linhagem de Davi.

No verso 2 temos uma série de atributos do Espírito Santo presente no Messias. Isso revela o seu caráter, caráter esse que encontramos em Jesus e é demonstrado nos evangelhos. Ao longo da história de Israel vemos um ou outro rei ou juiz de Israel com algum atributo de Deus sobre sua vida. Davi era um homem segundo o coração de Deus, Salomão tinha sabedoria e etc., mas em Jesus vemos presente todos os atributos de Deus que comprovam que de fato ele era o Messias que havia de vir. Portanto em Jesus vemos que estes dois versículos já se cumpriram.

Versos 3,4 e 5 ressaltam duas características do Messias, justiça e juízo, que embora estivessem presentes na vida de Jesus, estes versículos mostram como essa justiça e juízo seriam aplicados sobre a terra, percebemos então que dessa exata maneira Jesus não atuou nessa sua primeira vinda, logo esta parte da profecia ainda está para se cumprir.

Versos 6 a 9 mostram um cenário que a maioria dos interpretes e estudiosos também supõem que só podem caracterizar o período do Milênio. Haverá uma paz tão sublime sobre a terra de maneira que isso refletirá até na natureza.

Versos 10 até o final temos uma parte da profecia que é dedicada a falar sobre a restauração de Israel nesse tempo, o Milênio. Essa restauração é caracterizada pelo ajuntamento de todos os judeus espalhados sobre a face da terra em um único lugar: Israel. Haverá reconciliação e união entre as tribos e Jesus fará de Israel uma nação de destaque sobre a terra, um referencial do governo do Messias.

Observação: Deus já começou a trabalhar nesse sentido desde 1948 com o restabelecimento do Estado de Israel, com o aval da ONU.

Nessa profecia do capitulo 11 vemos 3 características do Messias e seu governo:

1° A sua divina capacitação para governar. Por melhor que tenham sido alguns reis ou juízes de Israel, todos pecaram em algum ponto, nenhum se compara ao Messias. Perfeito e com todos os tributos de Deus. Assim Deus cumpre essa parte da profecia e envia Jesus, sem pecado e com todos os atributos de Deus.

2° Justiça absoluta do seu governo. Justiça verdadeira, não haverá impunidade, os necessitados serão atendidos, completamente diferente do que temos visto no mundo em especial no Brasil.

3° Consequências do seu Reinado. A paz será estabelecida de tal maneira no mundo de modo que não haverá conflitos e até mesmo na natureza veremos o reflexo dessa paz.

Capitulo 12 – “O Cântico do Milênio” ou “Canto de louvor pela restauração de Israel”

O capitulo 12 é um cântico de ação de graças, e ele é profético. Ele é uma resposta ou conclusão apropriada para a profecia do capitulo 11. Assim como parte do capitulo 11 não se cumpriu o capitulo 12 também não se cumpriu visto este é uma resposta àquele.

Diante da vinda do Messias, o estabelecimento pleno do seu reino na terra, e da restauração de Israel, os Judeus demonstram a sua gratidão a Deus através desse cântico.

Milênio

Gostaria de abrir um parênteses aqui para falar um pouco dessa escatologia presente nessas profecias e para falar sobre o Milênio para aqueles que nunca ouviram sobre ele, uma vez que foi citado neste estudo.

A bíblia fala de pelo menos duas vindas de Cristo, alguns dizem que são 3 vindas.

A primeira vinda de Cristo aconteceu na Pessoa de Jesus, para nós cristãos o Messias já veio, não temos dúvidas sobre isso, no entanto, infelizmente a maioria dos judeus não creram que Jesus Cristo é o Messias. Jesus nasce, cresce, morre e ressuscita e sobe aos céus, e deixa para os seus discípulos a promessa de que retornaria para buscar a sua igreja para que, onde ele esteja, estejamos nós também. Por isso aguardamos a sua segunda vinda.

A segunda vinda de Cristo acontecerá em cumprimento a sua promessa feita na primeira vinda. Nós cristãos também não temos nenhuma dúvida sobre isso, afinal, essa é a grande esperança da igreja desde que Jesus subiu. Jesus voltará e arrebatará sua Igreja e os salvos da antiga aliança, os vivos e os mortos. Para mais informações sobre a segunda vinda de Cristo leia 1ª Ts 4.13-17.

O que vou dizer daqui em diante é um conceito da teologia dispensacionalista. Não é uma visão da Igreja Batista Vale Verde, nossa igreja não defende nenhuma doutrina escatológica, não por uma questão de fé, mas porque normalmente é uma discussão de meras hipóteses, por isso não costumamos tocar muito em assuntos escatológicos, portanto vou deixar aqui o conceito dispensacionalista, que parece ser o conceito mais aceito entre os estudiosos, para conhecer outra visão escatológica faça uma pesquisa sobre “teologia do pacto” no Google.

Após o arrebatamento se inicia simultaneamente uma era no céu chamada de “As bodas do cordeiro” e outra na terra chamada de “Tribulação” e “A Grande Tribulação” na qual passará aqueles que não foram arrebatados. Os dispensacionalista creem que essas duas eras durarão 7 anos. Essas eras também terminarão simultaneamente e o fim delas se dará com a terceira vinda de Cristo.

A terceira vinda de Cristo, Jesus retornará com os arrebatados e reinará na terra por um período de mil anos, por isso chamado de Milênio pelos dispensacionalistas. Bem, toda essa volta que fizemos no assunto foi para dizer que os capítulos 11 e 12 de Isaías vão se cumprir na sua totalidade nesse período do Milênio. Como a maioria dos Judeus não creem que Jesus é o Messias, essa vinda, que para nós seria a terceira vinda de Cristo, para o Judeu será a primeira e única vinda, o tempo da restauração de Israel. O reino de Deus será manifestado na sua plenitude para a humanidade. Fechamos aqui o nosso parênteses escatológico.

Conclusão e aplicação

Para os Judeus o tempo de salvação se dará quando o reino de Deus se manifestar na sua plenitude, porém para nós os cristãos o tempo de salvação é agora. A nossa resposta a essa salvação de Deus deve ser a mesma do Judeu, no entanto, é para hoje! Devemos então, por causa dessa salvação que nos foi dada por intermédio de Jesus Cristo demonstrar nossa gratidão e fazer conhecido o nome de Jesus e os seus feitos em terra através do nosso testemunho pessoal.

Jesus veio em cumprimento as profecias de Isaías e estabeleceu o reino de Deus, embora o reino de Deus não tenha se manifestado na sua plenitude, nós já podemos desfrutar das bênçãos dessa salvação.

Em resposta a salvação manifestada a nós por meio de Jesus Cristo, ofereçamos nosso louvor, nossa adoração, nossa gratidão, assim como o nosso testemunho cristão para que, pela misericórdia e graça de Deus, aqueles que ainda não foram alcançados sejam alcançados para a glória de Deus pela pregação do evangelho.

“Rogo-vos pois, irmãos, pela compaixão de Deus, que apresenteis os vossos corpos como um sacrifício vivo, santo e agradável a Deus, que é o vosso culto racional.” Rm 12.1


Por: Edicarlos Godinho

Referencias Bibliográficas:

A mensagem de Isaías. Pecado, arrependimento e salvação. Souza, R. F. Revista Expressão. Editora Cultura Cristã. São Paulo. nº59/3° trimestre de 2015.

Biblia Shedd: Antigo e Novo Testamentos. Russell Shedd. 1997.

Russel Normam Champlim. Comentário do Antigo testamento versículo por versículo. Hagnos; Edição: 2ª (1 de janeiro de 2003)

Lucas 12.35-48 – A parábola do servo vigilante

Este texto se trata de uma parábola, intitulada como a parábola do servo vigilante, é uma parábola profética, ou seja, aponta para o fim dos tempos, mais precisamente sobre a segunda vinda de Cristo.

Existe uma série de parábolas proféticas, como a da figueira, das 10 virgens, dos talentos, que apontam para as mesmas ideias que se destacam na temática dessa parábola, de estar preparado para a vinda de Cristo. Na ótica dessa parábola todos nós cristãos somos os servos dessa casa espiritual chamada igreja cujo dono é o Senhor Jesus, todos precisam estar preparados para essa segunda vinda de Jesus.

O objetivo dessas parábolas não é gerar medo nos cristãos com relação a volta de Cristo, mas gerar um sentimento de comprometimento com a obra de Deus e, principalmente, gerar esperança nos nossos corações com relação a volta de Cristo.

Jesus vai voltar, essa é a nossa grande esperança, se Jesus não fosse voltar o Evangelho não teria sentido pra nós, Mas ele prometeu que ia voltar, e pela fé na sua promessa devemos aguardar com muita expectativa por esse momento.

Eis o perfil do servo que Jesus espera encontrar no seu retorno: servos cingidos que mantenham acesas as suas lâmpadas.

“Cingindo esteja o vosso corpo…” vs 35

Os discípulos devem estar preparados. Estar cingido se refere a estar pronto para servir, as vestes da época eram túnicas e elas eram desconfortáveis para o trabalho, tirava a mobilidade, para dar mobilidade as pessoas fazerem algum serviço, as pessoas se cingiam, colocavam um cinto pra ajustar a roupa pra facilitar a mobilidade. Em ultima análise, ativas no serviço cristão.

“… e acessa as cossas candeias” vs 35

E sobre o manter acessa a candeia, me lembro, das parábolas das 10 virgens, e da parábola da candeia, que mostra pra nós em ultima analise a necessidade de estarmos cheios do Espirito Santo. Esse é o tipo de servo que Jesus quer encontrar na sua vinda, servos cheios do Espirito Santo e ativas no serviço cristão.

Nessa parábola Jesus compara o estado de alerta a homens que esperam pelo seu Senhor, ao voltar ele das festas de casamento; para que, quando vier e bater à porta, logo a abram – (v.36). Assim devemos estar atentos pra vinda de Jesus. Não sabemos se a volta de Jesus vai acontecer na nossa geração ou daqui a 100 anos, ou daqui há mil anos, não importa, precisamos viver com essa esperança como se sua vinda fosse iminente, porque pode ser que seja hoje e pode ser que não seja, ninguém sabe a hora exata, é um segredo divino. Mas há alguns indícios, Jesus mesmo deu alguns indicativos. Não cabe aqui ressaltar esses sinais, mas ainda na expositiva de Lucas vamos ver alguns desses indicativos. Mas independente do tempo devemos aguardar vigilantes por sua vinda.

Todos devem esperar de igual modo sem revezamento na espera. Nesta parábola, todos os servos que estão esperando pelo Senhor, devem abrir a porta quando Ele bater. Não é uma única pessoa que esta esperando o Senhor, mas todos quando ouvir o bater da porta, devem abri-la – (V.36 e 37)

O bater na porta nos lembra a Igreja de Laodicéia (Apocalipse 3:20) – Eis que estou à porta, e bato; se alguém ouvir a minha voz, e abrir a porta, entrarei em sua casa, e com ele cearei, e ele comigo.

No versículo 37 dessa parábola percebemos uma serie acontecimentos inesperados, temos servos cingidos, com suas candeias acesas, vigilantes, abrindo a porta pra esse senhor, com tudo pronto para serví-lo, no entanto o senhor ao encontrar esses servos vigilantes se cinge, dá aos seus servos lugar a mesa e os serve. É isso que vai acontecer com aqueles que aguardam a volta de Cristo como estes servos vigilantes. E nos não temos noção da glória que nos há de ser revelada. “Nem olhos viram, nem ouvidos ouviram, nem jamais penetrou em coração humano o que Deus tem preparado para aqueles que o amam.” 1 Coríntios 2:9. Pense aí que com toda a capacidade intelectual que você tem, você não é capaz de imaginar o que Deus tem preparado pra você no reino Dele. Sabe as visões que João teve sobre Jesus, sobre a nova Jerusalém? Pra aqueles que estão acompanhando os estudos de Isaias, lembra da visão de Isaías? Eu não sei você, mas eu leio esses textos e fico maravilhado a respeito dessas visões, aí Paulo diz para gente que nem olhos virão nem ouvidos ouviram nem jamais passou pela mente humana o que Deus tem preparado.

A palavra “bem-aventurado” ocorre na parábola por três vezes isso mostra a ênfase que Jesus dá na plenitude da sua vinda.

Note que antes de valorizar o que o servo deve fazer, Jesus valoriza quem o servo deve ser. Porque é possível ser um servo aparentemente bom mas não ser de fato bom. Serve bem porque está diante do senhor, mas na ausência do senhor maltrata os seus conservos, ou serve porque está de olho na recompensa, porque tem medo de ser punido. Por isso Jesus valoriza primeiramente quem o servo é e só depois o que ele faz, V42, “quem é pois o mordomo fiel e prudente a quem o senhor confiará os seus conservos para dar-lhes o sustento a seu tempo”? Fidelidade e prudência também são características que Jesus procura em seus servos.

A fidelidade deve acompanhar todas as nossas atitudes tanto para com Deus quanto para com o nosso próximo. Devemos ser fieis…

Fieis no falar. Sua palavra deve ser, sim, sim e não, não. (Mt 5.37)

Fiel a comunhão da igreja. (Hb 10.25) (não deixemos de congregar) sendo participativos, envolvidos, comprometidos com o trabalho.

Fiel na Assistência Social, Socorro aos necessitados, órfãos e viúvas. Mt 25.42-43. No cuidado da família. (I Tm 5.8) “Ora, se alguém não tem cuidado dos seus e especialmente dos da própria casa, tem negado a fé e é pior do que o descrente.”

Fiel nos compromissos. Nas compras efetuadas não dar calote, não deixar de pagar o aluguel, pedir dinheiro emprestado e não pagar; Com relação ao uso dos objetos alheios, se pegar algo emprestado devolver; se esse algo estragar não devolver estragado; Com relação aos horários previamente marcados não chegar atrasado ou faltar aos compromissos deixando a pessoa na mão,

Fiel nos relacionamentos; com relação ao relacionamento conjugal, não destrua seu casamento com o adultério; com relação aos filhos não deixe de cumprir suas promessas, seja exemplo naquilo que você mesmo exige do seu filho, “pais não irriteis os vossos filhos” (Cl 3.21), Com relação aos amigos ou irmãos em Cristo saiba guardar segredo, não faça fofoca, saiba dar bons conselhos.

Fiel no pouco e no muito. Seja fiel nas riquezas materiais e o senhor te confiara a verdadeira riqueza. (Lc 16.10).

Fiel até a morte. (Ap. 2.10). Seja morte matada ou morte morrida, seja fiel ao senhor por toda a vida. Não só de vez em quando.

Outra coisa que precisamos ser é prudentes. Jesus já falou sobre o homem prudente, (mt 7.24) “Todo aquele, pois, que escuta estas minhas palavras, e as pratica, assemelhá-lo-ei ao homem prudente, que edificou a sua casa sobre a rocha”. O homem prudente edifica sua vida sobre o evangelho de Jesus, ouvindo e colocando em pratica aquilo que aprende.

4 perfis de servos e o que acontecerá com eles na volta do senhor

Cada tipo de servo terá um tratamento diferente, cada um recebera segundo as suas obras “(Deus)…que retribuirá a cada um segundo o seu procedimento” (Rm2.6)

1) Servo fiel e prudente, cheio do espirito, ativos no serviço cristão. Estes terão lugar a mesa do seu senhor. – (v.37)

2) Anti-servo. Não terão lugar a mesa do Senhor, serão castigados e a sua sorte será com os infiéis, incrédulos – (v.45,46)

(Mateus 7:21) – Nem todo o que me diz: Senhor, Senhor! entrará no reino dos céus, mas aquele que faz a VONTADE de meu Pai, que está nos céus.

3) Servo que conhece a vontade de seu Senhor mas não se aprontou pra sua vinda. Serão punidos com muitos açoites – (v.47)

4) Servo que não conheceu a vontade do Senhor, mas fez coisas dignas de reprovação. Serão punidos com poucos açoites – (v.48)

(Mateus 5:19) – Qualquer, pois, que violar um destes mandamentos, por menor que seja, e assim ensinar aos homens, será chamado o menor no reino dos céus; aquele, porém, que os cumprir e ensinar será chamado grande no reino dos céus.

Que tipo de servo você é?

Referencias:

ALMEIDA, João Ferreira de. “Bíblia de Estudo Shedd.” São Paulo: Edições Vida Nova Cultura Cristã (Sociedade (2000).

Sproul, R. C. “Bíblia de estudo de Genebra.” São Paulo e Barueri: Editora Cultura Cristã e Sociedade Bíblica do Brasil (1999).

http://discipulosdecristoprromildo.blogspot.com.br

Isaías – Lição 1 – Isaías: O quinto Evangelista

No olho da crise e de olho da Redenção

Por: Edicarlos Francisco Godinho

Isaías 1.1-9

Introdução

Esse é o começo da série de estudos sobre a mensagem de Isaías, hoje faremos um estudo introdutório, e por ser um estudo introdutório, vamos conversar sobre 4 assuntos básicos: O contexto histórico; O personagem Isaías; O livro, o manuscrito de Isaías; e A mensagem de Isaías.

Contexto histórico

Vamos ler Isaías 1.1, esse versículo nos dá uma contextualização histórica do profeta Isaías e seu ministério, seu ministério ocorreu durante os reinados de Uzias (Azarias), Jotão, Acaz e Ezequias, que foram reis de Judá.

O período da vida e ministério de Isaías aconteceu durante um período histórico chamado de monarquia dividida, esse período histórico se iniciou apos a morte de Salomão e foi até o cativeiro babilônico durou cerca de 390 anos. Após a morte de Salomão, o reino de Israel foi dividido pelo seu filho Roboão e pelo oportunista Jeroboão após um desentendimento entre os dois, um governou o norte e o outro o sul, o sul era somente a tribo de Judá, e o Norte contava com demais 10 tribos de Israel (Efraim). A tribo de Judá apesar de ser uma única tribo era tão numerosa quanto a soma das demais tribos, assim como geograficamente o território de Judá era praticamente a metade de Israel, como pode ser percebido nos mapas da época. Durante todo esse período histórico, a nação tinha um rei que governava Israel e outro rei que governava em Judá.

O reino de Israel durou cerca de 257 anos de Jeroboão até o cativeiro assírio, nesse tempo, as vezes tinha um rei que temia ao senhor, depois assumia  outro que era perverso, mas nas décadas finais Israel sofreu uma instabilidade interna muito grande com uma série sucessiva de reis completamente perversos fazendo todo tipo de coisa que desagradava a Deus, portanto Deus não era com eles, sofreram golpes políticos, um tomando o trono do outro com assassinato, os assírios se aproveitaram dessa instabilidade e atacam e tomaram a Israel. Por muito tempo Israel pagou impostos pesados para a Assíria. Numa tentativa de retomada pelo povo de Israel, a Assíria acabou por destruir completamente Israel, levando boa parte do povo cativo e, além disso, trazendo habitantes da Assíria e outros povos (babilônicos) para morar em Samaria, era uma estratégia de guerra para evitar uma possível revolta. Detalhe, Samaria era a capital do reino do Norte. O sincretismo religioso de Samaria e o ódio judeu que vemos nos evangelhos foram resultado dessa miscigenação dos israelitas, assírios e babilônicos nesse período.

Quando Israel foi tomada pelos assírios, Judá estava sendo reinada por Jotão (2ª Reis), então percebemos que Isaias foi contemporâneo a queda de Israel. Isaías estava lá, assistiu bem próximo, pois ele estava em Judá. (O reino está dividido, um reino não interferia no outro, portanto Judá não participou das guerras), portanto o reino de Judá ainda durou cerca de 133 anos do cativeiro assírio até o cativeiro babilônico. Mas foram 133 anos de muito sofrimento, com investidas dos assírios, obrigados a pagar tributo, parte da terra foi tomada e dada a reis filisteus.

O próprio livro de Isaías fala pouco sobre seu contexto histórico, o que mais compõe esse contexto são os livros de 2ª Reis, Amós, Oséias e Miquéias que relatam a situação nacional e internacional nos tempos de Isaías, sendo que esses profetas (Amós, Oseias e Miqueias) eram contemporâneos de Isaías. Então para um estudo aprofundado de Isaías não basta ler o livro de Isaías.

Detalhe: Os livros da bíblia não são associados por ordem cronológica, o que as vezes dificulta essa visibilidade, 2ª Reis está lá atrás e Amos, Oséias e Miqueias lá na frente (comparado com o livro de Isaías). Lá atrás temos Esdras, Neemias retratando a saída do povo de Israel do cativeiro babilônico enquanto Isaías, lá na frente está prevendo esse cativeiro.

Sobre o personagem Isaías

Isaías vivia no reino do Sul, no reino de Judá, mais precisamente em Jerusalém sua capital. Provavelmente por isso a maioria das profecias de Isaías foram direcionadas a Judá e sua capital Jerusalém, mas também profetizou para Israel e nações e cidades estrangeiras, inclusive aos impérios da época (assíria e babilônia). A tradição judaica diz que ele era próximo da corte, possivelmente de uma família nobre. O que permitiu que ele estivesse próximo dos reis (Uzias, Jotão, Acaz e Ezequias) durante seu ministério e permitiu também que Isaías estivesse a par da situação mundial.

Isaías viveu entre os séculos 8 e 7 ac. Que compreende o período do reino dividido que falamos anteriormente. Foi citado como Filho de Amoz, porém a bíblia não traz mais informações sobre seu pai. Era casado, possivelmente passou por 2 casamentos, não temos informações sobre a primeira esposa, teve 1 filhos com essa esposa e o nome dele era Sear-Jasube (7.3) que significa “um resto volverá” (virar, voltar) e a segunda esposa foi uma profetisa (8.3), ele teve um filho com ela que se chamou Maer-sall-has-baz (8.1-4), que significa rápido despojo presa segura. Os nomes dos filhos de Isaías representam as conquistas assírias que deixaram só um remanescente sobrevivente em Israel e o reino saqueado. O texto afirma que Deus mandou colocar esse nome no segundo filho, e possivelmente o primeiro filho também tenha sido devido ao seu significado profético.

Isaías teve uma das visões mais surpreendentes sobre Jesus, (Is 6.1-13), João confirma em seu relato no seu evangelho que a visão de Isaias era sobre Jesus (Jo 12.39-41) e não de Deus Pai como alguns possam pensar.  Eu não sei se você notou, mas a capa da revista é uma representação dessa visão. [A mensagem de Isaías: Pecado, arrependimento e salvação. Editora Cultura Cristã. 3° trimestre. 2015. São Paulo.]

Seu ministério se estendeu entre os anos 740 e 690 ac. O que dá Entre 40 e 50 anos de ministério. Segundo a tradição judaica ele foi morto por manasses, filho de Ezequias. A tradição judaica também vai dizer que ele foi serrado ao meio, possível base para Hb 11.37 onde o autor de hebreus fala sobre o fim de alguns dos que compõe a famosa galeria dos heróis da fé.

Sobre o livro e autoria

Isaías é o segundo maior livro da bíblia com 66 capítulos, sendo salmos o maior livro.

É chamado por alguns de “O quinto evangelho”, por isso o título desse estudo, por que o livro de Isaías foi um dos livros mais influentes na formação do judaísmo e cristianismo primitivos, o Novo Testamento começou a ser escrito na segunda metade do primeiro século, então o que os cristãos primitivos têm é o Antigo Testamento, principalmente Isaías, que aborda temas fundamentais da teologia cristã, são mais de 400 citações de Isaías no novo testamento. Alguns teólogos comparam sua estrutura como a de romanos pois retrata a Onipotência, Onisciência e a Obra redentora de Deus.

Alguns fatores como a diferença literária entre algumas partes do livro fazem os estudiosos acreditarem que Isaías pode ter tido vários autores. As argumentações mais fortes são para dois ou três autores. As linhas que defendem 2 autores mostram que as profecias nos capítulos de 1 a 39 concentram-se em Judá e assíria enquanto que as de 40 a 66 concentram-se para um período do cativeiro babilônico, além disso repetições de palavras para demonstrar ênfase, referência das cidades representando pessoas, ou seja um estilo literário diferente. Já os Argumentos para um terceiro Isaías é que os capítulos de 50 a 66 não tratam exatamente de profecias, mas seria um relato histórico de um período de 150 anos mais tarde.

Mais importante do que a autoria do livro é a autoridade do livro, as teorias sobre a autoria não diminuem sua autoridade ou sua canonicidade, principalmente pelas inúmeras citações no novo testamento, principalmente citações feitas pelo próprio Jesus nos evangelhos fortalece a autoridade do livro, como também os cumprimentos dessas profecias atestam que realmente foram dadas por Deus.

Ainda sobre a autoridade do livro de Isaías, queria destacar a atualidade da mensagem de Isaias, o núcleo da mensagem de Deus dada a Isaias continua sendo o núcleo da mesma mensagem que a igreja anuncia sobre o evangelho. O autor da revista vai destacar textos chaves da mensagem de Isaias que mostram como a mensagem de Isaias é atual.

As mensagens de Isaías – Temas chaves dos livros ou Núcleos das mensagens

Remanescente fiel, ainda que o numero dos filhos de Israel seja como a areia do mar o remanescente é que será salvo (Rm 9.27). Aquele que perseverar até o fim será salvo. (Mt 24.13)

A soberania de Deus sobre o destino dos povos, Paulo dedica o capitulo 9 de romanos para falar sobre a soberania de Deus. Um dos princípios mais importantes da teologia cristã é a soberania de Deus e a responsabilidade humana.

A humilhação dos arrogantes e a exaltação de Deus dos que o servem. “Pois todo o que se exalta será humilhado; e o que se humilha será exaltado” (Lc 14.11). “Deus resiste aos soberbos mas dá graça aos humildes” (Tg 4.6). “Humilhai-vos perante o Senhor, e ele vos exaltará”. (Tiago 4:10)

Servo do senhor, Santo de Israel, e O rei messiânico da casa de Davi. É anunciar cristo e o seu evangelho.

O que aprendemos com Isaías:

1) Jesus é o Deus que caminha conosco na nossa história. A ação de Deus se dá na realidade do mundo material, Na situação social e politica, Deus se utiliza das nações estrangeiras pra tratar com a nação de Israel. Como Deus caminhou com Israel ele caminha também com sua igreja, e com cada um de nós individualmente.

2) Isaías titubeou no seu chamado, assim como outros profetas e lideres chamados por Deus no AT. Moisés pediu a Deus para mandar outro no lugar dele, disse que ele era gago. Gideão, como ele colocou a prova o chamado de Deus. Jonas tentou fugir do seu chamado. Para nós isso é comum a nossa natureza humana, as vezes podemos achar que não damos conta do recado, que o chamado de Deus não é pra nós, tentamos se esquivar do chamado, mas Deus tem sim um chamado para nós como membros de sua igreja, como discípulos dele, um chamado pra levar sua palavra, devemos encarar esse chamado com mais coragem e com a mesma humildade de Isaías, que reconheceu o seu pecado, A semelhança de como Jesus purifica Isaías nessa visão, hoje somos purificados por Jesus, no seu sangue. Estamos, portanto, aptos para levar sua mensagem, somos os profetas da nova aliança.

3) Reconhece sua situação pecadora assim como a dos seus irmãos e compatriotas, apenas após esse reconhecimento e a partir da purificação feita por Deus ele é capaz de iniciar seu ministério. Precisamos do mesmo modo reconhecer nossa condição pecadora, que necessitamos da graça e da misericórdia de Deus. Que possamos enxergar também nossos erros, nossos pecados. Temos um advogado junto ao pai, se confessarmos os nossos pecados ele é fiel e justo para nos perdoar e nos purificar de toda injustiça (1Jo)

4) Temor de Deus diante da sua santidade, “ai de mim, estou perdido”, “Meus olhos viram o Rei, o senhor dos exércitos”. Precisamos nos achegar com temor diante de Deus, respeito, reverencia. Não podemos perder a noção da santidade de Deus e o quanto precisamos buscar a santificação para que possamos nos apresentar diante dele. “Segui a paz e a santificação sem a qual ninguém verá o Senhor” (Hb12.14).

5) A purificação de Isaías com as brasas tiradas do Altar, isso indica que a purificação só poderia ocorrer por meio de um ato divino. Semelhantemente só podemos ser purificados por Jesus, graças ao seu sangue que foi derramado pelos nossos pecados. Sem a intervenção divina por meio de Jesus jamais poderíamos nos achegar a Deus.

6) O cativeiro foi o tratamento de Deus por causa da desobediência do povo, da idolatria, e apesar da imagem desoladora das profecias, as vezes podemos pensar: “puxa Deus está pesando a mão” no final, sempre temos uma palavra de misericórdia de Deus, de manutenção da sua graça sobre o povo. O objetivo de Deus não é destruir o povo, pelo contrário, o objetivo é de dar a salvação. Mas o povo sempre desobedece, se esquece de Deus, Deus castiga porquê… “ Porque o Senhor corrige a quem ama e açoita a todo filho a quem recebe” (Hb 12.6).

Aplicação final

Isaías foi chamado para relembrar o povo da aliança divina. Que possamos compreender que, como igreja, temos o desafio de falar sobre a aliança de Deus conosco. Uma nova aliança que foi feita pelo sangue de Jesus. Que a partir de tudo que vamos aprender sobre a mensagem de Isaías durante toda essa revista possamos refletir sobre a responsabilidade que Deus coloca sobre cada um de nós de anunciar a sua mensagem.

Por: Edicarlos Francisco Godinho

Referencias Bibliográficas:

A mensagem de Isaías. Pecado, arrependimento e salvação. Souza, R. F. Revista Expressão. Editora Cultura Cristã. São Paulo. nº59/3° trimestre de 2015.

Biblia Shedd: Antigo e Novo Testamentos. Russell Shedd. 1997.

Introdução ao Antigo testamento. William S. Lasor, David A. Hubbard, Frederic W. Bush. Editora Vida Nova. São Paulo. 1999.

 

Mateus 4.18-22 – A vocação dos Discípulos

Esse trecho fala sobre o chamado dos primeiros discípulos e nos indica detalhes interessantes:

  • Este chamado é tão grandioso que se estende até nós nos dias de hoje.
  • Jesus busca as pessoas para acompanha-lo e trabalhar com Ele, ou seja, compartilha a sua missão com a humanidade, isso revela seu desejo de comunhão conosco.
  • Ele vai à busca de simples pescadores, pois o que importa não é o conhecimento cientifico, títulos acadêmicos. Aquele que prega por Jesus não precisa demonstrar nada senão fé, testemunhar a verdade do amor de Deus, a certeza da ressurreição de Cristo.
  • A vocação acontece junto ao mar da galileia, lugar onde o povo da galileia vive e trabalha, o chamado não é feito em um ambiente religioso, mas onde as pessoas vivem a sua vida cotidiana.

Dois aspectos pessoais de Jesus

Primeiro, Jesus chama cada um do seu modo, numa experiência singular com o seus eleitos. Segundo, a simplicidade na pregação de Jesus ao utilizar de situações do cotidiano.


 

Imediatamente

Os discípulos imediatamente o seguiram. Imediatamente é uma palavra chave desse trecho. É um exemplo para nós, porque, hoje em dia muitos crentes procrastinam esse chamado.

SOBRE O CHAMADO

O chamado de Jesus é irresistível e os faz capaz de renunciar a sua família e trabalho para seguir Jesus. Essa ruptura é muito diferente da noção de abandono que vem a nossa mente. Precisamos entender que para servirmos a Jesus não precisamos ser mendigos ou indigentes ou não podemos ter posses, ou até mesmo desfrutar de relacionamentos pessoais de amizade, mas devemos amar a Deus acima de todas as coisas e saber que o maior propósito da nossa vida é cumprir o chamado dele de sermos seus discípulos e pregar o evangelho. Para o Judeu fazer parte de uma família era sinal de prestigio e honra. Precisamos entender que a nossa dependência de Deus precisa ser maior que a nossa dependência econômica e social.

Ser ou não ser, eis a questão…

A grande questão do cristão sempre foi: Qual é o meu chamado, vocação, dom, talento, qual é a minha função no corpo de Cristo, qual é o meu papel no reino de Deus? Ninguém pode escolher ou decidir isso por você. Talvez Deus se antecipe colocando no seu coração tal desejo juntamente dando-lhe a capacitação. Ele vai fazer brotar no seu coração a vontade de servi-lo. O Chamado de Deus não é maçante, pelo contrario, é agradável, te traz paz, jamais ansiedade ou medo.

largar as redes

O que representa as “largar as redes (de pesca)” pra você? Talvez tenha algo que te atrapalhe a seguir a Jesus. Um pecado, um relacionamento, um vício. Pergunte pra você mesmo o que você precisa largar para seguir Jesus e tome uma decisão de coragem hoje para exercer seu ministério.

tá nervoso? vá pescar!

Os pescadores devem ser pacientes e perseverantes ao perceber que o resultado do seu trabalho não corresponde ao esforço empregado. Do mesmo modo vamos enfrentar adversidades em nosso ministério. Precisamos lembrar que fomos vocacionados por Jesus e que Nele o nosso trabalho nunca é em vão.

E eu com isso?

Jesus nos chama para segui-lo, e o chamado dos discípulos é um chamado também a nós que somos seus discípulos. “Seguir” ou “vinde após mim” não significa somente ir atrás de Jesus, mas aceitar a sua doutrina, entregar-se a sua vontade, colaborar com a sua missão, partilhar do seu destino que é a morte e glorificação. E o mais difícil: Renuncia, Negar sua própria vontade para fazer a vontade de Deus.

Os discípulos são chamados para serem pescadores de homens, ou seja, ser pessoas que vão praticar essa atividade missionaria de atrair mais pessoas ao reino de Deus pela pregação do evangelho.

Mateus 2: 1-12 – A visita dos Magos

Mateus 2: 1-12 – A visita dos Magos

É importante prestarmos atenção ao que diz as escrituras para entendermos o que é mito e o que é verdade comparada aos contos populares, que são muitos, e também para não confundirmos personagens, pois há muitos personagens com o mesmo nome.

A história da visita dos magos, por exemplo, é recheada de mitos populares, temos que tomar cuidado de não reforçarmos um mito ou um conto popular que muitos acham que é verdade e realmente não é, o que não seria biblicamente correto.

Herodes, o Grande, não deve ser confundido com o seu filho, Herodes Antipas, que mandou cortar a cabeça de João Batista, o mesmo envolvido com a morte de Jesus.

A visita dos Magos não aconteceu ao mesmo tempo que a visita dos pastores (Lc 2). Jesus era recém-nascido naquela ocasião, estava numa estrebaria. Os magos foram visitar Jesus, talvez até 2 anos mais tarde. A família de Jesus estava numa casa (Mt 2. 11). Tanto que Herodes, sentindo que o seu trono estava ameaçado, mandou matar crianças de até 2 anos, após perguntar para os magos sobre a aparição da estrela (Mt 2:7).

A palavra “Magos” no grego utilizado nesse texto pode significar sacerdotes, astrólogos, astrônomos, sábios (Persas ou Babilônicos).

Apesar da tradição popular os considerarem reis, nada indica que realmente o fossem, nada indica que eram 3 magos, as pessoas parecem que fazem essa ligação por causa dos 3 presentes recebidos, ouro, incenso e mirra, e nada indica que os seus nomes eram Melquior, Baltazar e Gaspar, os estudiosos afirmam estes nomes se originaram de uma lenda surgida no séc. VIII.

Se começarmos a ler o capítulo 2, de forma desapercebida, temos a impressão de que os magos saíram do oriente e foram direto ao palácio de Herodes, mas não foi assim. Eles estavam seguindo pistas da “estrela”, um sinal do nascimento do Messias.

Pelo texto podemos perceber que a chegada dos Magos causou grande alvoroço em Jerusalém. É provável que eles tenham chegado com uma caravana com muitas pessoas porque eles vieram de longe e traziam presentes valiosos. Por isso que não temos certeza de quantos eram, mas é mais provável que eram muitos mais que apenas 3 pessoas.

A respeito da estrela, não sabemos com certeza se era um fenômeno natural ou sobrenatural, mas foi, de fato, um sinal dado por Deus da vinda do messias. Em Lucas 2, na visita dos pastores, aparecem Anjos. É possível que o resplendor da glória desses Anjos possa ter sido interpretado por esses magos como sendo um resplendor de uma estrela.

A visita dos Magos pode representar a salvação universal, pois os mais distantes também procuram a Cristo. O sacrifício de Jesus foi tão completo e perfeito que Ele redimiu e reconciliou não só a nação de Israel, mas também todo o mundo, toda a humanidade, toda a natureza. Jo 1.11,12 – Ele veio para os seus, mas os seus não o receberam, mas a todos quanto o receberam deu-lhes o poder de serem chamados filhos de Deus…

Os que estão próximos não se deixam atingir pelo menino Deus, o messias esperado. Herodes, os escribas e sacerdotes, principalmente as autoridades religiosas deveriam ser os primeiros a identificarem e reconhecerem a Cristo, mas pelo contrário, o rejeitaram e o perseguiram.

(V. 10) Eles se encheram de alegria ao encontrarem. É uma satisfação sem igual quando encontramos Jesus.

Aqueles Magos presentearam Jesus com ouro, mirra e incenso. E nós, o que temos oferecidos a Jesus?

(V. 12) Aqueles Magos foram avisados para que não voltassem pelo mesmo caminho. Uma vez que vemos a Cristo jamais voltamos pelo mesmo caminho, pelo contrario, tomamos outro caminho porque Jesus transforma totalmente as nossas vidas.

Aqueles magos presentearam jesus com ouro, mirra e incenso. Esses presentes podem ser interpretados numa análise cristológica em relação as características de Jesus: O ouro para o Jesus Rei, o incenso para o Jesus Deus e a mirra para o Jesus Salvador que iria entregar a sua própria vida.

Podemos interpretar esses magos e seus presentes como pessoas que talvez nem possuíssem necessariamente muitas riquezas mas que adoraram a Jesus com suas posses. Podemos compará-los conosco hoje, com as nossas atitudes de fiéis seguidores de Jesus. O que tem oferecido, dado ou ofertado ao nosso Senhor e Salvador?

Esse capitulo 2 de mateus que descreve a visita dos reis magos tem um enfoque na realeza de Jesus ao mostrar que Ele nasceu na cidade de Belém de Davi. Por causa da profecia cumprida que diz que de Belém nascerá o guia que apascentara Israel. No capítulo anterior vimos na genealogia que ele é da linhagem de Davi. Alem disso os magos procuravam honrá-lo, renderem adoração, ou seja, reconheceram a divindade de Jesus. Isso remete a uma doutrina importantíssima do cristianismo que é a doutrina da Trindade, pouco ensinada atualmente. Jesus é Deus. Como Paulo afirma aos colossenses em Cl 2:9 “Pois em Cristo habita corporalmente toda a plenitude da divindade”.

Podemos confirmar a realeza de Jesus na atitude de Herodes, que se sentiu ameaçado vendo em Jesus um possível  concorrente ao seu trono.


Bibliografia:

Os Evangelhos. Versão restauração com comentários de Witness Lee. 1999.

Mário Persona. O Evangelho em 3 minutos. 2013