Isaías – Lição 9 – A identidade do povo de Deus

Isaías – A identidade do povo de Deus

Por: Edicarlos Godinho

Resumo histórico

Nos primeiros estudos vemos muitas profecias sobre Efraim e Judá e informações sobre o cativeiro Assírio. Judá permanece por mais um tempo, são cerca de 133 anos do cativeiro assírio até o cativeiro babilônico. A Assíria entra em decadência enquanto a Babilônia está em ascensão. Babilônia derrota a Assíria e continua a pressão contra Judá. Depois de algumas tentativas de revolta de Judá, Babilônia arrasa com Judá e leva o povo cativo. Foram 3 deportações ao todo. A primeira em 609 a.C, a segunda em 598 a.C e a terceira em 587 a.C. Então foram 22 anos apenas para completar a deportação. O cativeiro babilônico termina em consequência da queda da Babilônia pelas mãos de Ciro rei de outro Império, o persa. A queda da babilônia aconteceu em 538 a.C. Então foram cerca de 70 anos de duração desse cativeiro. Após a queda da Babilônia, Ciro faz um decreto autorizando os judeus a regressar para a terra de Judá. O povo estava tão desmoralizado após o cativeiro que nem tinham vontade de voltar, foi um trabalho pesado de Esdras e Neemias para motivar o povo para voltar para Jerusalém reconstruir o templo e os muros da cidade. Quando o povo de Israel retorna a terra encontra os samaritanos, descendência do reino do Norte, com seu sincretismo religioso praticavam uma religião pagã misturada com a lei de Moisés. Conviveram juntos, porém com essa hostilidade que permanece até os tempos de Jesus. Cerca de 500 anos mais tarde vemos nos evangelhos relatos de que Judeus não se dão bem com os samaritanos.

Contexto histórico do capítulo 56.

A maioria dos estudiosos afirmam que do capítulo 40 até o 66 se referem ao cativeiro babilônico, sendo que no capítulo 56 vemos que Deus já dava sinais que o cativeiro estava chegando ao fim: “…a minha salvação está prestes a vir, e a minha justiça, prestes a manifestar-se…” Is 56.1. Os destinatários, são portanto, um povo cativo, totalmente desestruturado, com sua cultura, língua e princípios corrompidos.

Estrutura e síntese de Isaías 56.1-8

O capítulo 56 é o texto da reflexão desse estudo. Verso 1 é uma admoestação de Deus para o seu povo. Verso 2 uma benção de Deus para aqueles que cumprirem essa admoestação. Do Verso 3 ao 7 Deus se dirige ao estrangeiro e ao eunuco, Deus coloca em evidencia o amor a Ele, a dedicação ao serviço e o desejo pela Sua aliança no lugar do exclusivismo judaico. Verso 8 Deus promete congregar outros aos que já se acham reunidos.

Essa promessa se cumpriu em Jesus, através de Jesus, a salvação de Deus tem alcançado os gentios de tal maneira que hoje a igreja do Senhor é composta por muitos gentios dos quais fazemos parte, e vai continuar se cumprindo até a volta de Cristo.

Então essa é uma profecia do Senhor que não foi dirigida somente aos exilados mas a todas as pessoas em todos os lugares, em todas as épocas, pois fala da possibilidade de salvação a todos os que servirem a Deus.

Um ponto interessante que percebemos nesta profecia, assim como em outras, é que Deus vai suavizando o exclusivismo judaico e abraçando o gentio.

Análise de Isaías 56.1-8

“Assim diz o Senhor” Isaías começa e termina com essa expressão que autentica sua mensagem, isso quer dizer que ele não fala de si mesmo nem fala de algo do seu conhecimento, mas trata-se de uma mensagem de Deus ao povo.

“Chamado à justiça e ao juízo” Juízo é a capacidade da pessoa discernir entre o bem e o mal. Justiça é andar em retidão. Em outras palavras Deus está dizendo ao seu povo: faça separação entre o bem e o mal e escolha o bem e ande nele, abandone os seus pecados e viva em retidão. Porque? Porque Deus revelaria sua salvação e a sua justiça. Deus quer com essas palavras recobrar o ânimo do povo que está abatido após passar uma geração no cativeiro. Deus parece estar relembrando o povo que tem promessas para cumprir, mas é necessário que o povo esteja preparado, vivendo em retidão.

A manifestação dessa salvação se cumpriu de forma plena na vida de Jesus Cristo. Jesus é a salvação de Deus. Deus quer que o povo viva uma vida que corresponda com a justiça a qual ele pretende revelar. O chamado para a salvação no evangelho exige uma vida justa, comprometida com o  Reino de Deus. Essa é uma característica do novo testamento. Jesus ofereceu a salvação e exige uma vida de renuncia, de santificação, de comprometimento com a cruz. Deus é santo e justo e Ele espera que o povo que se relacione com Ele tenha uma vida coerente com esse Deus, o povo precisa refletir essa salvação, essa justiça.

Verso 2: Bem aventurado (feliz) aquele que faz isso

Isso o que? Faz o que ele disse no verso 1, mantem a justiça e o juízo. E, além disso, guarda o sábado e guarda a sua mão de praticar o mal. Esse texto da muita ênfase a guarda do sábado, por 3 vezes, versos 2, 4 e 6. Se fossemos adventistas esse texto seria um prato cheio para nós. No entanto, quero fazer a observação de que o sábado é um sinal externo da aliança com Deus, não são os sinais externos que diferenciam o religioso do verdadeiro discípulo, mas sim o seu caráter, o objetivo maior de Deus é alcançar o coração do homem, é uma transformação interior. O sábado aqui parece ser um símbolo para uma vida religiosa de uma forma geral, porque guardar o sábado não é o principal mandamento de Deus, então ele é usado para representar a lei, que é a expressão da vontade de Deus e do seu caráter. Essa palavra profética coloca então no mesmo patamar de importância a vida justa e reta com a prática religiosa, ou seja, tem que andar junto ter que haver um equilíbrio entre elas. Jesus não simplesmente condenou a prática religiosa, Jesus condenou a pratica religiosa desassociada da fé, da misericórdia e do amor. Os fariseus eram os alvos das críticas de Jesus justamente por isso, a religiosidade deles era desacompanhada da justiça e retidão.

Verso 3: A situação dos estrangeiros e eunucos

Deus expõe a queixa dos estrangeiros e eunucos, os estrangeiros lamentam por não fazerem parte do povo de Deus e os eunucos lamentam por sua impossibilidade de gerar filhos, além disso não podiam presenciar o culto a Deus (Dt 23.1-9). Mesmo que desejassem servir a Deus a lei os impedia. Mas através da graça que há de ser revelada através da justiça de Deus, ou seja, através de Jesus, a situação seria mudada. Tanto o eunuco quanto o estrangeiro seriam aceitos diante de Deus e terão acesso as bênçãos dessa nova aliança. Deus destaca as características dos estrangeiros e dos eunucos, pessoas que escolhem o que lhe agrada, abraçam a sua aliança, servem e amam o nome do Senhor. Mais uma vez o foco é tirado do exclusivismo da etnia e passa a ser a prática de uma verdadeira espiritualidade.

A Identidade do povo de Deus

O povo de Deus possui uma identidade que o distingue daquele que não é povo. Não é a herança genética, a religiosidade ou a aparência, mas as sim, a obediência, o caráter. O gentio se torna servo de Deus, filho de Deus assim como o judeu se ambos forem interiormente de coração convertidos ao Senhor.

Fechamento

Deus finaliza dizendo que ele é quem congrega os dispersos de Israel, ou seja, os exilados. E também congrega os estrangeiros e eunucos com aqueles que já foram reunidos. No novo testamento vemos o pleno cumprimento dessa profecia através de Jesus Cristo, assim como no livro de Atos e nas cartas de Paulo, detalhes de como os gentios foram alcançados pelo evangelho.

Por: Edicarlos Godinho

Isaías – Lição 11 – O Guerreiro Divino e a Nova Aliança

Lição 11 – O Guerreiro Divino e a Nova Aliança

Por: Fernanda Viana

Isaías: microcosmo de toda a bíblia

Também chamado de o evangelista do Antigo Testamento, pois descreveu o Cristo com muita clareza.

Vejamos como são interessantes as semelhanças: há 66 capítulos no Livro de Isaías; há 66 livros na Bíblia; o Livro de Isaías divide-se em duas partes; uma com 39 capítulos e outra com 27; a Bíblia divide-se em duas partes, o Velho Testamento com 39 livros e o Novo Testamento com 27 livros.

Ainda há outras semelhanças. A primeira parte do Livro de Isaías, como o Velho Testamento, contém exortações mensagens sobre o castigo divino, revela a condição verdadeira do homem e a solução que ele pode encontrar em Deus e aponta para o Caminho, para o Salvador. A segunda parte de Isaías, como no “Novo Testamento”, apresenta conforto e esperança para um povo que reconheceu a necessidade de um Salvador a partir do conhecimento do “Velho Testamento” de Isaías que aponta para o Caminho, para o Salvador.

Uma curiosidade muito interessante nessa divisão se encontra no capítulo de número 40. Aqui a profecia diz respeito a consolação de Israel (Jesus) e em seguida fala sobre “a voz que clama no deserto“ uma referência a João o batista do novo testamento..

O ultimo livro da bíblia é o apocalipse e descreve a nova Jerusalém. Os dois últimos capítulos de Isaías descrevem o novo céu e nova terra.

Um livro chamado Isaías

  Isaías Bíblia
Capítulos/Livros 66 66
Divisão Juízo: 39 capítulos

Consolo: 27 Capítulos

AT: 39 Livros

NT: 27 Livros

Início da 2ª parte Isaías 40.3 Voz do que

clama no deserto

Mateus 3.3 Voz do que

clama no deserto

Interlúdio Impérios: Assírio e

Babilônico

Impérios: Grego e

Romano

OS CATIVEIROS DE ISRAEL

CATIVEIRO ASSÍRIO

A Crueldade Assíria:  implacável “máquina de guerra” e “guarida dos leões”
Os assírios eram extremamente cruéis. Sua história foi pontilhada por inúmeros casos de mutilação. Muitos de seus vencidos tiveram as mãos e os pés, o nariz, as orelhas cortados e os olhos arrancados. Houve muitos casos de pessoas serem queimadas vivas.

  1. a) O fim das 10 tribos – Umas das principais características dos assírios era o processo de caldeamento (misturas) a que submetiam os povos conquistados, 2Rs 17:6,24. Removiam os capturados de uma região para outra, forçando-os assim a perder seus bens, que sua origem, sua religião e suas mais nobres tradições. Por isso as dez tribos de Israel desapareceram com o cativeiro assírio. Não se tem noticias sobre elas, mas os profetas Naum e Jeremias registraram a promessa de restauração, Na 2:2, Jr 30:10 e 31:1,9.
  2. b) Origem dos samaritanos – Para habitar a região norte foram trazidos povos de outros lugares. Essa é a origem dos samaritanos, 2Rs 17:24. Esse fato nos ajuda a entender a dificuldade de relacionamento que havia entre judeus e samaritanos ao tempo do Novo Testamento. Nessa época os samaritanos tinham uma religião parecida com a dos judeus, 2Rs 17:27 e Jo 4:4-26. Foram os assírios que começaram a utilizar a deportação como a maneira principal de lidar com cidadãos de nações subjulgadas. Ao dominarem um determinado reino, eles capturavam seus habitantes e os realocavam em outra parte do império. Tal como os assírios,os babilônicos também usaram a mesma técnica.

O EXÍLIO NA BABILÔNIA

Babilônia: povo ímpio, instrumento nas mãos do Senhor, para castigar o povo rebelde do Senhor

O exílio marcou profundamente o povo de Israel, embora sua duração fosse relativamente pequena. De 587 a 538 a.C., Israel não conhecerá mais independência. O reino do Norte já havia desaparecido em 722 a.C. com a destruição da capital, Samaria. E a maior parte da população dispersou-se entre outros povos dominados pela Assíria, o reino do Sul também terminará tragicamente em 587 a.C. com a destruição da capital Jerusalém, e parte da população será deportada para a Babilônia. Tanto os que permaneceram em Judá como os que partirem para o exílio carregaram a imagem de uma cidade destruída e das instituições desfeitas: o Templo, o Culto, a Monarquia, a Classe Sacerdotal. Uns e outros, de forma diversa, viveram a experiência da dor, da saudade, da indignação, e a consciência de culpa pela catástrofe que se abateu sobre o reino de Judá.

A experiência foi vivida pelos que ficaram e pelos que saíram como provação, castigo e reconhecimento da própria infidelidade à aliança com Deus. Pouco a pouco foram retomando a confiança em Deus que pode salvar o seu povo e os conduzirá nesse Êxodo de volta a Sião, conforme afirma o Segundo Isaías. “Deus novamente devolverá a terra ao povo como a deu no passado.” De fato, no Segundo Isaías já se entrevê a libertação do povo que virá por meio de Ciro, rei da Pérsia. Ele será o novo dominador não só de Judá e Israel, mas de todo o Oriente.

Esse novo império da Babilônia foi conquistado durante o reinado caldeu de Nabucodonosor. Esse fato está registrado na Bíblia, que fala da invasão da cidade de Jerusalém e escravidão dos habitantes do povo Hebreu (Judeu).

A primeira deportação teve início em 598 a.C.. Jerusalém é saqueada e o jovem Joaquim, Rei de Judá, rende-se voluntariamente. O Templo de Jerusalém é parcialmente sitiado e uma grande parte da nobreza, os oficiais militares e artífices, inclusive o Rei, são levados para o Exílio em Babilônia. Zedequias, tio do Rei Joaquim, é nomeado por Nabucodonosor II como rei vassalo. Precisamente 11 anos depois, em resultado de nova revolta no Reino de Judá, ocorre a segunda deportação em 587 a.C. e a consequente destruição de Jerusalém e seu Templo.

Em Judá permaneceu, sobretudo, o povo do campo. Não havia mais o Estado de Israel, havia grupos que viviam nos campos, o que traz uma semelhança com o sistema tribal. Por outro lado, os moradores das cidades que ficaram estava arrasados, tudo tinha sido destruído: o templo, os prédios, a estrutura urbana. Temos ainda o grupo dos que fugiram para o Egito ou outras partes. Já o povo do exílio não ficou distanciado, mas agrupado em uma só região. Provavelmente ficaram às margens de rios (Sl 137), e outros estiveram na corte da Babilônia.

Em análise desse contexto, observamos que os babilônios não dispersaram os exilados, como fizeram os assírios. Surge um regime de servidão. Com isso, eles foram assentados em comunidades agrícolas (Ez 3,24; 33,30). Tudo isso favoreceu a conservação do patrimônio espiritual, religioso e cultural. Podiam falar a própria língua, observar seus costumes e suas práticas religiosas. Podiam livremente reunir-se, comprar terras, construir casas e comunicar-se com Judá, sua pátria. Na realidade, na Babilônia, conseguiram até certa prosperidade econômica num tempo relativamente curto.

O cativeiro em Babilônica e o regresso do povo judeu à terra de Judá foram entendidos como um dos grandes atos centrais no drama da relação entre o Deus de Israel e o seu povo arrependido. Esta experiência coletiva teve efeitos muito importantes na sua religião e cultura. Assim marca o surgimento da leitura e estudo da Torá nas sinagogas locais na vida religiosa dos judeus dispersos pelo mundo.

É certo que o período de cativeiro “em Babilônia” terminou no primeiro ano de reinado de Ciro II (538 a.C./537 a.C.) após a conquista da cidade de Babilônia (539 a.C.). Em consequência do Decreto de Ciro, os judeus exilados foram autorizados a regressar à terra de Judá, em particular a Jerusalém, para reconstruir o Templo.

Já os que regressaram ao país, por volta de 539 a.C., tiveram de enfrentar numerosas dificuldades e o Templo só pôde ser reconstruído em 516 a.C. Neemias tinha encontrado Jerusalém num estado desolador. As muralhas estavam arruinadas e os raros habitantes que restavam tinham deixado de respeitar qualquer lei. Com a ajuda de Esdras, que foi seu sucessor, restabeleceu a ordem social e religiosa e permitiu assim a Judá sobreviver ao seu desastre.

O GUERREIRO DIVINO

ISAIAS 59:1-21;  63:1-6

O exílio foi um período de trevas. Provérbio 16.4 afirma que “o SENHOR fez todas as coisas para determinados fins, e até o perverso para o dia da calamidade”. Não há dúvida de que a Babilônia serviu aos propósitos soberanos do Senhor para disciplinar o seu povo desobediente.

Apesar de todas as bênçãos divinas, Judá ignorou a ação de Deus, desprezou a promessa santa, buscou outros deuses e se entregou ao engano que a época oferecia. O povo de Judá estava enfrentando uma imensa crise em todas as esferas da vida: espiritual, social e política. Na verdade, considerando que este era o povo da aliança, podemos dizer que a grande e principal crise de Judá e Jerusalém era de identidade. O povo da aliança não vivia mais como o povo da aliança. Simples e terrível assim. O povo da aliança estava vivendo iludido, confiando em suas próprias obras e justiça, duvidando da capacidade de Deus para salvar.

Nestes capítulos de Isaías, o Senhor é descrito como um guerreiro que veste a armadura para a batalha: couraça da justiça, capacete da salvação e outros implementos de fúria e vingança (semelhantes ao discurso de Paulo sobre a armadura de Deus em Efésios). A imagem do Deus guerreiro demonstra o domínio universal do Senhor sobre tudo e todos. Ele é poderoso para salvar!

Temos ainda a afirmação da vinda do Redentor a Sião e aos de Jacó que abandonarem suas transgressões. O Senhor apresenta sua aliança eterna, o Espírito e as palavras do Senhor perpetuamente na boca do povo. Mas, sem dúvida, o aspecto mais importante era que Deus desejava que seu povo se arrependesse de seus pecados e se voltasse para ele, em adoração e submissão sincera.

O Senhor consola Seu povo, e se apresenta como a esperança daqueles que já não acreditavam mais na restauração da nação.  A salvação depende da ação do Senhor, que irrompe na historia trazendo julgamento contra o pecado e Graça para a salvação dos que a buscam verdadeiramente. Assim, o Senhor, exercendo sua justiça, bem como sua misericórdia – atributos igualmente perfeitos em Deus – providenciou que o seu povo fosse trazido de volta à verdadeira fé e adoração. Para isso, Judá deveria ser disciplinada com rigor.

CONCLUSÃO

O castigo foi necessário para mostrar a Judá que o Senhor, é o fiel e verdadeiro Deus da aliança; para trazer seu povo de volta à verdadeira adoração e mostrar às nações quem era o Deus de Judá.
Convivendo com pagãos na Babilônia, o povo eleito teve de aprender a separar a verdade de Deus dos ensinamentos e exigências pagãs, sem fugir (o que não podiam fazer), mas sem se contaminar.

Depois da trajetória de rebeldia de Judá e agora no cativeiro, o povo de Deus deveria praticar o que aprendera: a fidelidade ao Senhor da aliança não podia ser negociada de modo algum.

Em muitos aspectos, a experiência do cativeiro é notavelmente parecida com a dos cristãos de hoje. Os estudantes cristãos numa universidade secular, ou os cristãos que confrontam a cultura contemporânea e o mundo intelectual atual se sentirão frequentemente como exilados numa terra estranha e hostil.

Aplicação

A Igreja é hoje o Israel de Deus, povo do Senhor. Porém, há momentos em que o desprezamos. A Igreja parece muitas vezes enfrentar o cativeiro da Babilônia enquanto é mantida em uma sociedade pagã. O que podemos, então, aprender com o exílio de Judá? Como viver nessa situação sem perder a perspectiva da aliança?

Por: Fernanda Viana

Isaías – Lição 4 – Julgamento Sobre a Impiedade

O resultado da opressão e a injustiça social em Israel é o empobrecimento geral da terra

Por: Fernanda Viana

INTRODUÇÃO

Nesta lição, veremos as consequências do alastramento e da banalização do pecado na vida do povo da aliança. Veremos mais uma vez, a menção a inversão de valores na sociedade, de modo que o bem era tido por mal, e o mal por bem. Veremos também as consequências desses pecados na sociedade e o modo como o Senhor reagiu a tudo isso, estendendo a mão contra seu próprio povo. 

Contexto Histórico

O Reino de Israel  foi a nação formada pelas 12 Tribos de Israel, um povo descendente de Abraão, Isaac, e  Jacó .

Após o Êxodo do Egito, sob a liderança de Moisés, os israelitas que eram nômades, vaguearam pelo deserto durante décadas até que sob a liderança de Josué  conquistam a terra de Canaã, e estabelecem-se nas terras conquistadas, dividindo o território entre as 12 tribos.

Contudo não existia um verdadeiro poder central pois cada tribo governava a si própria. Os líderes nacionais, que eram chamados Juízes tinham um poder muito frágil e só conseguiam unir as várias tribos em caso de guerra com os povos inimigos.

Cansados desta situação as tribos israelitas resolveram unir-se e instaurar uma monarquia. O profeta Samuel designou Saul como o primeiro Rei de Israel.

Saul não modificou a organizações das tribos, mas desobedeceu ordens do profeta Samuel. Deus proclama a Samuel que o jovem pastor Davi seria o novo rei de Israel.

Davi em seu reinado consegue estabelecer um forte exército e expulsar os filisteus. Também invade a cidade de Jerusalém e a transforma em sua nova capital.

Quando Davi morre, seu filho Salomão assume o trono, melhora o exército, fortalece a economia. Salomão construiu o Templo de Jerusalém  e isso gerou um aumento dos impostos que permaneceram mesmo após o fim da construção, o povo estava descontente com os impostos abusivos.

Após sua morte, seu filho Roboão assumiu o trono, mas devido ao descontentamento em relação aos impostos, as 10 tribos do Norte separam-se e proclamaram Jeroboão como seu rei. Israel foi dividido entre o Reino de Israel (ao Norte com capital em Samaria) e o Reino de Judá (ao Sul com capital em Jerusalém).

Jeroboão não quis que o povo fosse a Jerusalém para adorar no templo do Senhor. Assim, fez dois bezerros de ouro e fez com que o povo do reino de 10 tribos os adorasse. Logo, o país ficou cheio de crimes e violência.

Os reinos de Israel e Judá travaram disputas um querendo conquistar o outro.

O reino do norte (Israel) terminou em 721 com a tomada da Samaria pelos assírios. Parte da população foi deportada para a Assíria. Por sua vez, o reino de sul (Judá) terminou em 587, quando Jerusalém foi saqueada, o templo e o palácio real foram destruídos pelos babilônios, grande parte da população foi deportada para a Babilônia. 

Isaías 5

  1. O cântico da vinha (5.1-7)

Esta alegoria reflete sobre o amor existente entre o Senhor e o Seu povo, muitas vezes representado como uma vinha (à semelhança de Isaías 1:8 e 3:14).

O “amigo” do profeta cavou num terreno e preparou-o para receber as plantas que originariam a vinha, selecionando-as cuidadosamente (v.2). Ele até chegou a construir uma torre de onde podia observar o estado da plantação, edificando ainda um lagar para armazenamento das uvas. No entanto, a vinha “só produziu uvas bravas”.

É a vez do Senhor falar. Ele pede aos habitantes de Jerusalém e de Judá que atuem como juízes nesta questão, comprovando que Ele tudo fez para o bem da vinha. Ela, pelo contrário, recompensou-O ingratamente com uvas bravas(v.3).

“Que se poderia fazer pela minha vinha que eu não tenha feito? Porque, quando eu esperava vê-la produzir uvas, só deu uvas bravas?” (v.4)

Deus teve de tomar uma decisão em relação à vinha, removendo a proteção com que a havia rodeado (v.5) – a “sebe” e o “muro”. Assim sendo, o povo israelita ficou sujeito aos seus inimigos, em especial aos exércitos da Assíria e da Babilônia. A vinha não receberá mais qualquer tipo de cuidado, e rapidamente ficará repleta de “sarças e espinhos”, tornando-se um terreno infértil e sem qualquer utilidade (v.6). Deus explica, por fim, o que significa tal alegoria:

“A vinha do Senhor dos exércitos é a casa de Israel e os homens de Judá são a planta da Sua predileção. Esperei deles a prática da justiça, e eis o sangue derramado; esperei a retidão, e eis os gritos de socorro.” (v.7)

Uma bela ilustração da vinha do Senhor na qual Deus desejou e esperou que desse frutos bons, mas que na verdade produziram frutos maus.

Aqui, Isaías cantou sobre as maneiras como Judá se rebelara contra Deus, usando as imagens de uma vinha e de um agricultor (veja Mt 21:33-44; Jo 15:1-6).

Tudo foi feito a favor da vinha para que sarasse e produzisse o esperado, com grande atenção, Deus tinha preparado e estabelecido o seu povo para as gerações que se seguiriam, mas de nada adiantou os esforços e aplicação de recursos.

O que faria, então, o dono da vinha? Então veio a palavra de julgamento de que ali se tornaria algo terrível e a vinha serviria de pasto, onde seria pisada e depois tornada em deserto.

O verso 7 explica a parábola da vinha e o que era esperado em Deus: justiça e juízo. Israel era essa vinha que se corrompeu totalmente nos dias da visitação de Deus.

  1. Os ais contra o povo de Deus (5.8-30).

As profecias iniciadas por “Ai” trazem uma severa mensagem de juízo da parte do Senhor. São seis os “Ai” desse capítulo, que representam uma terrível ameaça, todos eles contra os perversos do povo de Deus.

  1. O primeiro Ai condena a ganância.
  2. O segundo Ai condena a corrupção social.
  3. O terceiro Ai condena a corrupção teológica.
  4. O quarto Ai condena o orgulho e a corrupção moral.
  5. O quinto Ai condena a corrupção espiritual.
  6. O sexto Ai condena a corrupção social.
  1. O primeiro Ai condena a ganância.

A Terra Prometida sempre pertenceu a Deus – Lv 25:23 – que a deu para os filhos de Israel conforme tinha prometido – Nm 33:54 – para ser a base da sobrevivência de qualquer família da aliança. Nela habitavam povos de costumes estranhos que já tinham sido julgados por Deus e que deveriam ser exterminados ou expulsos de sua habitação.

No entanto, negligenciaram a Palavra de Deus e com os povos fizeram alianças e os imitaram pelo que o juízo que tinha vindo sobre os povos, agora vinha sobre Israel também.

Quando os israelitas foram privados da terra que tinham recebido em herança, os seus cidadãos se tornaram operários diaristas ou escravos de outros povos.

Por conta disso, haviam os que se aproveitavam da ocasião como uma oportunidade de grande negócio e com ela oprimia o povo fazendo da terra dada por Deus objeto de suas ganâncias para ajuntarem terras e casas e campos e serem os senhores da terra. O profeta estava lidando com o problema da transformação das terras em latifúndios e com outras formas de alienação doas pobres. O verso 8 deixa claro que a opressão consiste em acúmulos de posses e terras cada vez maior pelos ricos e carência dos pobres.

A terrível consequência disso seria a maldição de Deus sobre os bens adquiridos com a ganancia e o fruto disso seria o deserto, a fome, a escassez e a produção fraca.

  1. O segundo Ai condena a corrupção social.

Aqui o ai está sobre todos os que não estão nem ai com a causa de ninguém, antes querem se banquetearem com o vinho forte e de dia e de noite se entregam aos vícios somente para passarem o tempo de forma totalmente irresponsável.

Com frequência, abusar do consumo de bebidas alcoólicas ou se entregar aos vícios caracteriza depravação social e frouxidão moral (caps. 22, 28; Am 4:1-3; 6:6-7) pelo extremo do egoísmo.

Depois das acusações dos versículos anteriores, é apresentada a sentença. Assim serão levado cativos por falta de conhecimento e dessa forma seus nobres passarão fome e a multidão se secará de sede. Verdadeiramente não consideram os feitos do SENHOR, nem olham para as obras das suas mãos.

O próprio exílio está ligado à própria morte. A morte devoraria com feroz apetite todo aquele que tivesse se afastado de Deus, tanto os “nobres” (v. 13) quanto as pessoas comuns (“multidão”, vs. 13-14).

  1. O terceiro Ai condena a corrupção teológica.

O terceiro ai condena a corrupção teológica intencional e danosa daqueles que se vestem da iniquidade (perversidade, maldade) e que se cobrem com o pecado (transgressão da lei), para em seguida, desaforadamente, usarem o nome do Senhor como demonstrando grande santidade e temor a Deus para o povo. 

  1. O quarto Ai condena o orgulho e a corrupção moral.

Aqui os papeis são invertidos e a teologia usada é a reversa. O mal é que o bem e o bem que é o mal. Ficaram tão cheios de si mesmos que agora são capazes de inverterem as coisas e confundirem o inocente.

A corrupção moral está tão impregnada em seus poros que já respiram o próprio ar do orgulho e da vaidade.

  1. O quinto Ai condena a corrupção espiritual.

O “sábios a seus próprios olhos” é uma expressão que indica uma autoconfiança arrogante. A revelação de Deus  – ele é o único que sabe todas as coisas -, é o único fundamento firme para todo conhecimento verdadeiro (veja Pv 3:7; 26:5,12; 28:11).

  1. O sexto Ai condena a corrupção social.

O sexto ai condena os que rejeitam a lei do Senhor e desprezam a palavra do Santo de Israel – vs 24. Quem são esses?

Os heróis e valentes da bebida forte! Os que se enriquecem com o suborno e com as falcatruas; os que não estão nem ai para a justiça ou para a situação social do povo; os que justificam os perversos e negam justiça aos justos!

Muitos desses são aplaudidos de pé e nas festas são a referência do que não presta e são rodeados também de mulheres e daqueles que querem rir um pouco da desgraça alheia. É por isso que a ira do Senhor se acende! Se acende contra eles e contra o povo todo que os aplaude e querem ser como eles, igualmente podres.

Isaías 9:8-21 / 10:1-4 – O castigo pela impiedade

O povo se manteve firme em sua rebeldia, alegando poder reconstruir o que havia sido devastado, só que melhor do que antes. Não houve reconhecimento de que o que lhes sobreveio foi um castigo do Senhor por causa do pecado. Não houve reconhecimento do pecado, nem justiça, nem arrependimento.

De modo geral, ninguém ficou de fora da condenação de Deus ao povo de Judá e Jerusalém. Nem mesmo os órfãos e viúvas, grupos que normalmente são destacados como objetos especiais do favor do Senhor, devido a sua vulnerabilidade e fragilidade. No entanto, a impiedade havia se alastrado de tal forma, que até órfãos e viúvas são vistos como ímpios e malfazejos.

Contudo, uma punição especial está destinada aos lideres e legisladores da nação. Que o homem não brinque com Deus que é fogo consumidor para destruir o ímpio da face da terra para sempre. Diante da revelação da ira de Deus, a natureza treme – 2:19-21; 13:4,13; 24:18,19. E o homem? O que é ele e toda a sua arrogância diante do juízo de Deus?

Conclusão e aplicação

O Senhor jamais é conivente ou omisso contra uma sociedade que se orienta por valores e atitudes contrários a Ele. Deus se manifesta contra a injustiça e a impiedade. Ele não permanece inerte diante de um mundo afastado Dele. O elemento de julgamento e condenação contra uma sociedade corrompida é um dos pilares da missão dos profetas.

Que possamos ser uma geração de ama e obedece a Deus de Todo coração, que segue o Seu caminho comm retidão. Que possamos seguir a justiça, mesmo em um mundo tão perdido. Clamemos ao Senhor que nos guarde nestes tempos tão perversos, que Ele tenha misericórdia de nós.

Por: Fernanda Viana