Mateus 3.13-17 – O Batismo de Jesus

Introdução:

João batista estava pregando no deserto da maneira que já lhe era característica e batizando os arrependidos, quando de repente em uma visão inusitada ele percebe que havia uma pessoa diferente vindo em sua direção, quando chega bem próximo viu que era Jesus. O próprio Jesus se propõe a ser batizado por João, mas João já conhecendo quem ele era replicou: de maneira nenhuma eu não sou digno de tirar suas sandálias e você quer que eu te batize e jesus pede para ele o fazer para que assim cumprisse toda a escritura.

Desenvolvimento:

O batismo é uma publica confissão da sua fé e quando João o batizador estava clamando para uma atitude desse povo, aparece Jesus com sua humildade de sempre e vai até João para ser batizado, primeira coisa precisamos resgatar essa humildade de cristo para as nossas vidas, basta conquistarmos uma “coisinha”, que nos achamos no direito de exigir algumas “coisonas” características a serem seguidas para nos parecermos mais com o mestre.

1 Humildade Não perdemos nada por ser humildes, jesus era o filho de deus a quem todos precisavam prestar reverencias, mas ele decidiu publicamente confessar ser um necessitado da fé mesmo não o sendo. Quantas vezes conquistamos algo que nos deixa em uma condição privilegiada e já queremos passar por cima das regras e leis.

2 Obediência Versículo 15 consente agora,  porque assim nos convém cumprir toda justiça, é impressionante a condição de obediência de jesus ao pai. Jesus não precisaria fazer nada disso, mas ele reflete o relacionamento da trindade e que na verdade é um apontamento para como deveria ser os nossos relacionamentos uns com os outros. É melhor obedecer do que sacrificar já diz as escrituras, estamos em meio a uma geração que não quer saber de obediência, eles querem ser “livres e independentes”, mas a cada dia se prendem mais nas suas desobediências e libertinagem.

3 O prazer de Deus  A verdade é que quando decidimos servir a deus com humildade e obediência a recompensa vem, e dessa vez com jesus foi algo tremendo, além do simbolismo da pomba como forma de mostrar o Espírito Santo sobre ele, o próprio deus dizendo que tem prazer em jesus. Será que conseguimos imaginar o senhor falando isso conosco “eu tenho prazer no seu viver”, eu tenho prazer no modo como você conduz a sua vida. Não tem recompensa melhor.

Conclusão:

Bom todos nós sabemos que viver uma vida que agrada a Deus é uma tarefa que exige de nós algumas coisas como essas que acabamos de ver, humildade, obediência e etc. Quem sabe hoje é o dia em que você vai buscar consertar sua vida para que você arranque um elogio desses da boca do próprio deus.

 

Mateus 2.19-23 – A volta do Egito

Introdução

não tem como falarmos da volta de José com sua família do Egito sem mencionarmos a volta ou saída de israel do Egito. Assim como israel a família de José também foi para o Egito na tentativa acertada de resolver um problema.

Israel foi para o Egito, primeiramente com José e suas aventuras e anos depois com as mortes dos principais lideres o povo se torna escravo e é necessário deus enviar um anjo chamado Moisés para os livrar.

Com José a historia traz alguma semelhança, ele é levado por instrução de deus para o Egito para fugir de Herodes e sua ideia de matança, tempo depois deus envia um anjo para os tirar de lá.

A volta de José, maria e jesus do Egito quer dizer para nós que podemos até passar um tempo em terras estranhas para aprendermos algumas lições importantes, mas á o tempo do retorno para casa e retomada da “vida”, e cumprimento das nossas missões no ceio da terra que o senhor mesmo nos prometeu.

Desenvolvimento

19 tendo Herodes morrido, eis que um anjo do senhor apareceu em sonho a José, no Egito, e disse-lhe:
20 dispõem-te, toma o menino e sua mãe e vai para a terra de israel; porque já morreram os que atentavam contra a vida do menino.
Quando decidimos cumprir a vontade de deus, as revelações de sua palavra nos instruem para caminharmos sempre em segurança, José mesmo pressionado pela situação de maria sua noiva estar grávida antes do casamento ele assumiu a responsabilidade e decidiu fazer o que seria o mais correto, deus se agrada das pessoas que assumem as suas responsabilidades. Então deus envia seu anjos para os instruir.

21 dispôs-se ele, tomou o menino e sua mãe e regressou para a terra de israel.

O tempo do Egito todos nós passamos sem contar o do deserto, tempos em que dependemos das pessoas, seja em qual área for, as vezes financeira, espiritual ou ate mesmo no sentido físico por problemas de saúde. Mas são pode ter certeza são tempos passageiros, porque o momento de retomar a sua rotina vai chegar.

22 tendo, porém, ouvido que Arquelau reinava na Judéia em lugar de seu pai Herodes, temeu ir para lá; e, por divina advertência prevenido em sonho, retirou-se para as regiões da Galiléia.
23 e foi habitar numa cidade chamada Nazaré, para que se cumprisse o que fora dito por intermédio dos profetas.

Bom, chegou o tempo de regressar para casa e nem sempre encontramos a casa da mesma maneira que deixamos, pois o nosso próprio interior mudou, com a maturidade que o Egito nos dá, não podemos nos assustar com o desafio da retomada da nossa rotina.

Conclusão

saber da nossa realidade e ter bagagem para vivê-la da melhor maneira possível é uma grande virtude e um grande privilégio.

Mateus 2.16-18 – A matança dos inocentes

A violência contra a criança não é um tema que se limita a Pós-Modernidade. O texto que temos diante de nós hoje é a constatação de que há um plano sistemático de desconstrução da sociedade humana por forças satânicas que tentam deturpar a imagem de Deus. E o que seria mais eficaz nesta empreitada que destruir a infância.

Herodes tem em mente a resolução imediata de seu problema com a execução sumária de uma geração de crianças e busca assim eliminar o risco de uma possível sucessão em seu trono. Ele queria manter seu poder. Herodes buscava entre os meninos, aquele que faria frente e questionaria um sistema altamente corrompido pelo pecado.

Talvez a iniciativa de manutenção do poder hoje não seja tão explícita e localizada a um indivíduo, apesar de que às vezes são noticiadas em nossa sociedade novas versões de tiranos psicopatas com armas nas mãos a entrar pelas casas em busca de meninos de dois anos abaixo, ou em uma versão atualizada, franco atiradores que invadem escolas, shoppings ou cinemas.

A coisa está mais sofisticada. Esse pecado está institucionalizado, ou seja, a própria sociedade se torna ou assume o caráter herodiano e assim multiplica o lamento de mães que perdem seus filhos para a pobreza, miséria e exclusão social.

Somos todos culpados como sociedade pela perda precoce de uma geração de filhos que têm suas vidas sacrificadas para se manter o status quo do palácio de Herodes que continua vivo e reina nas estruturas sociais, políticas e econômicas corrompidas.

Herodes quer destruir futuros homens. Homens são a força de uma nação. Destruir a hombridade é destruir a possibilidade de continuidade social. Esse é um plano bem elaborado por aquele que está por traz da figura de Herodes. É a tentativa de destruir princípios e valores cristãos que mantém a estrutura social de pé.

Herodes continua a matar nossas crianças e a interromper o futuro daqueles que poderiam fazer uma grande diferença em nossa sociedade. Cada vez mais o limite de idade diminui para o alistamento ao tráfico, à prostituição e a todo tipo de morte lenta e dolorosa. A desconstrução da infância é como uma porta aberta aos soldados de Herodes.

Nossas iniciativas político sociais soam apenas como o lamento de Raquel que “chora seus filhos inconsolável, pois já não existem mais”.

A grande notícia é que você como parte da Igreja do Senhor Jesus pode agir. As boas Novas do Evangelho devem ser proclamadas. Os princípios do Reino podem e devem ser compartilhados com as crianças. Nossa sociedade precisa ouvir o que nós como Igreja temos a dizer.

Portanto,

  • Fortaleça seu compromisso com a vida. Diga não ao aborto e a toda forma de violência contra as crianças.
  • Proteja as crianças. Lute contra o acesso cada vez mais precoce de nossas crianças ao sensualismo, à pornografia e a consequente erotização.
  • Invista na nova geração. Apoie entidades e projetos que valorizam a formação espiritual, profissional e cultural de nossas crianças.
  • Denuncie e combata Herodes, ele pode estar mais perto do que você imagina. Procure pelos sinais de seu assédio. Crianças tristes, com marcas físicas, bebês que choram constantemente ao lado de sua casa sem motivo aparente, juniores e adolescentes com comportamento arredio ou sensual. Ore a Deus por libertação e proteção, mas ligue para o Conselho Tutelar e denuncie, mesmo que seja uma suspeita apenas.
  • Finalmente, dê esperança às crianças. Conte a elas que Jesus Cristo as ama e quer ser o Senhor da vida delas.

 

Oração:

Senhor Deus, nós como Igreja do Senhor nos levantamos como quem prevalece contra as portas infernais de Herodes em nossa geração e suplicamos que Teu doce Espírito Santo nos capacite a perceber e cumprir nosso papel. Salve nossas crianças do assédio de Satanás. Feche a boca do dragão que se alimenta da omissão social e desperta nossa sociedade para a proteção do futuro de nossas famílias e nação ao preservar a integridade de nossas crianças. Em nome de Jesus, Amém!

Mateus 1.1-17 – A Genealogia de Jesus

Provavelmente o maior desafio na leitura da Bíblia são as genealogias. Não é uma leitura muito agradável, mas trata-se de um acervo documental de personagens que marcaram a história do povo de Deus e chega até nós como um testemunho de pessoas que compõem uma história que passa a ser a nossa própria história.

Para o povo judeu o memorial familiar é de suma importância, pois representa, entre outras coisas, o direito de posse da terra e de pertencimento ao “povo eleito”. O costume era que o patriarca gravasse o nome de seus antepassados em seu cajado ao lado do nome de seus parentes diretos, costume observado com zelo pelos seus futuros descendentes.

Jesus quando comissionou os setenta os instruiu: “…e a ninguém saudeis pelo caminho. Lc 10:4b”, pois a saudação incluía mencionar os nomes dos parentes de ambos, o que era sinal de boa educação e bons modos sociais. A saudação completa, no entanto levava, às vezes, algumas horas, um tempo precioso do qual os discípulos não dispunham.

A genealogia de Jesus em Mateus está disposta com o propósito de apresentá-lo como Jesus de Nazaré, o Rei Messias da profecia hebraica que por direito divino deveria assumir o governo do povo de Deus. Há, no entanto, um fato a ser destacado na disposição da genealogia de Jesus em Mateus. Ali ocorre o nome de cinco mulheres.

Em nossa reflexão de hoje, ao inaugurar em nossa Igreja, o exercício contínuo da Pregação Expositiva, gostaria de propor um pequeno flash da história de cada uma delas como um link para nosso tema anual: “Sirva a Deus com Integridade”.

– No verso 3, temos Tamar, nora de Judá, que tem uma história dramática que consta em Gênesis no capítulo 38. Ela sugere a nós uma Integridade Dissimulada, pois usou de meios não convencionais para garantir seu direito de Levirato, mas aponta também para a Doutrina da Eleição em Cristo, pois os filhos gêmeos daquela relação vinham a nascer de um modo assombroso. O fato é que Deus intervém soberanamente na história em favor de seus eleitos e curva a história para cumprir seus desígnios eternos.

– No verso 5, temos Raabe, uma prostituta cultual cuja história encontra-se narrada em Josué capítulo 2 e nos sugere uma Integridade Conquistada, pois ao esconder os espiões ali enviados garante através do sinal de um fio de cor vermelha afixado em sua janela, a salvação de sua família. A história de Raabe aponta para nós a Doutrina da Expiação pelo sangue de Cristo.

– Também no verso 5, temos Rute, como exemplo de uma Integridade Fundamentada. Sua história está registrada no livro que leva seu nome e aponta para nós a Doutrina da Redenção, pois em seu amor fundamentado e sua fidelidade à sua sogra Noemi, Rute encontra o favor do Senhor ao ser desposada por Boaz e é assim redimida de sua vergonha e pobreza, o que pavimentou a estrada relacional que levaria ao nascimento de Davi, linhagem real da qual viria o Cristo, o Redentor da humanidade.

-No verso 6, temos a história de Bate-Seba, cujo nome foi omitido por razões óbvias e pertinentes aos fatos que cercam esta triste história da família de Jesus, que aponta para uma Integridade Maculada, pois revela princípios negociados. Esta triste história representa a Doutrina do Pecado ou da Queda, pois o desejo de Davi o leva a cometer pecados terríveis. Porém esta é a nossa história, a história de nossa natureza pecaminosa que gera consequências, mas que fundamentalmente é alvo da Graça Salvadora de Jesus Cristo mediante seu sacrifício vicário na Cruz, que nos promove a vida. Davi, arrependido, encontra em seu filho Salomão, fruto daquela relação, a continuidade de sua linhagem real que traria à existência terrena o Messias esperado.

– Finalmente, no verso 16, temos Maria, uma adolescente que recebera em seu ventre o Sublime Salvador da Humanidade. Sua história nos apresenta uma Integridade Aprovada, e nos remete à Doutrina da Salvação. Isso nos leva à seguinte questão: Quem está pronto para gerar a Salvação? A resposta clara: Aqueles que têm diante de Deus sua integridade aprovada.

Quantas moças naqueles dias sonhavam em ser a mãe do Messias, mas coube a Maria este privilégio. Longe de tentar propor ou defender o Dogma Mariano, quero apenas trazer à nossa memória as lições da obediência e temor a Deus que esta menina demonstrava através de sua vida.

A Bíblia está repleta de homens e mulheres fantásticos que em seus sucessos e fracassos nos apontam a realidade de nossa própria história. Mas coube a essas mulheres aqui visitadas em particular, o papel de nos ensinar que Deus caminha conosco em nossa história, que Ele se interessa por cada um de nós como indivíduos, que Ele não leva em conta o tempo da ignorância, que Ele é misericordioso e Ele fará cumprir todos os seus propósitos a despeito de nossas contingências.

Oração:

Senhor Deus, não permita que nossa integridade seja marcada negativamente por nossa velha natureza. Faze-nos dar continuidade à geração daqueles que vivem a Tua Graça e permita-nos gerar a Jesus Cristo. Amém!

 

Lucas 12.35-48 – A parábola do servo vigilante

Este texto se trata de uma parábola, intitulada como a parábola do servo vigilante, é uma parábola profética, ou seja, aponta para o fim dos tempos, mais precisamente sobre a segunda vinda de Cristo.

Existe uma série de parábolas proféticas, como a da figueira, das 10 virgens, dos talentos, que apontam para as mesmas ideias que se destacam na temática dessa parábola, de estar preparado para a vinda de Cristo. Na ótica dessa parábola todos nós cristãos somos os servos dessa casa espiritual chamada igreja cujo dono é o Senhor Jesus, todos precisam estar preparados para essa segunda vinda de Jesus.

O objetivo dessas parábolas não é gerar medo nos cristãos com relação a volta de Cristo, mas gerar um sentimento de comprometimento com a obra de Deus e, principalmente, gerar esperança nos nossos corações com relação a volta de Cristo.

Jesus vai voltar, essa é a nossa grande esperança, se Jesus não fosse voltar o Evangelho não teria sentido pra nós, Mas ele prometeu que ia voltar, e pela fé na sua promessa devemos aguardar com muita expectativa por esse momento.

Eis o perfil do servo que Jesus espera encontrar no seu retorno: servos cingidos que mantenham acesas as suas lâmpadas.

“Cingindo esteja o vosso corpo…” vs 35

Os discípulos devem estar preparados. Estar cingido se refere a estar pronto para servir, as vestes da época eram túnicas e elas eram desconfortáveis para o trabalho, tirava a mobilidade, para dar mobilidade as pessoas fazerem algum serviço, as pessoas se cingiam, colocavam um cinto pra ajustar a roupa pra facilitar a mobilidade. Em ultima análise, ativas no serviço cristão.

“… e acessa as cossas candeias” vs 35

E sobre o manter acessa a candeia, me lembro, das parábolas das 10 virgens, e da parábola da candeia, que mostra pra nós em ultima analise a necessidade de estarmos cheios do Espirito Santo. Esse é o tipo de servo que Jesus quer encontrar na sua vinda, servos cheios do Espirito Santo e ativas no serviço cristão.

Nessa parábola Jesus compara o estado de alerta a homens que esperam pelo seu Senhor, ao voltar ele das festas de casamento; para que, quando vier e bater à porta, logo a abram – (v.36). Assim devemos estar atentos pra vinda de Jesus. Não sabemos se a volta de Jesus vai acontecer na nossa geração ou daqui a 100 anos, ou daqui há mil anos, não importa, precisamos viver com essa esperança como se sua vinda fosse iminente, porque pode ser que seja hoje e pode ser que não seja, ninguém sabe a hora exata, é um segredo divino. Mas há alguns indícios, Jesus mesmo deu alguns indicativos. Não cabe aqui ressaltar esses sinais, mas ainda na expositiva de Lucas vamos ver alguns desses indicativos. Mas independente do tempo devemos aguardar vigilantes por sua vinda.

Todos devem esperar de igual modo sem revezamento na espera. Nesta parábola, todos os servos que estão esperando pelo Senhor, devem abrir a porta quando Ele bater. Não é uma única pessoa que esta esperando o Senhor, mas todos quando ouvir o bater da porta, devem abri-la – (V.36 e 37)

O bater na porta nos lembra a Igreja de Laodicéia (Apocalipse 3:20) – Eis que estou à porta, e bato; se alguém ouvir a minha voz, e abrir a porta, entrarei em sua casa, e com ele cearei, e ele comigo.

No versículo 37 dessa parábola percebemos uma serie acontecimentos inesperados, temos servos cingidos, com suas candeias acesas, vigilantes, abrindo a porta pra esse senhor, com tudo pronto para serví-lo, no entanto o senhor ao encontrar esses servos vigilantes se cinge, dá aos seus servos lugar a mesa e os serve. É isso que vai acontecer com aqueles que aguardam a volta de Cristo como estes servos vigilantes. E nos não temos noção da glória que nos há de ser revelada. “Nem olhos viram, nem ouvidos ouviram, nem jamais penetrou em coração humano o que Deus tem preparado para aqueles que o amam.” 1 Coríntios 2:9. Pense aí que com toda a capacidade intelectual que você tem, você não é capaz de imaginar o que Deus tem preparado pra você no reino Dele. Sabe as visões que João teve sobre Jesus, sobre a nova Jerusalém? Pra aqueles que estão acompanhando os estudos de Isaias, lembra da visão de Isaías? Eu não sei você, mas eu leio esses textos e fico maravilhado a respeito dessas visões, aí Paulo diz para gente que nem olhos virão nem ouvidos ouviram nem jamais passou pela mente humana o que Deus tem preparado.

A palavra “bem-aventurado” ocorre na parábola por três vezes isso mostra a ênfase que Jesus dá na plenitude da sua vinda.

Note que antes de valorizar o que o servo deve fazer, Jesus valoriza quem o servo deve ser. Porque é possível ser um servo aparentemente bom mas não ser de fato bom. Serve bem porque está diante do senhor, mas na ausência do senhor maltrata os seus conservos, ou serve porque está de olho na recompensa, porque tem medo de ser punido. Por isso Jesus valoriza primeiramente quem o servo é e só depois o que ele faz, V42, “quem é pois o mordomo fiel e prudente a quem o senhor confiará os seus conservos para dar-lhes o sustento a seu tempo”? Fidelidade e prudência também são características que Jesus procura em seus servos.

A fidelidade deve acompanhar todas as nossas atitudes tanto para com Deus quanto para com o nosso próximo. Devemos ser fieis…

Fieis no falar. Sua palavra deve ser, sim, sim e não, não. (Mt 5.37)

Fiel a comunhão da igreja. (Hb 10.25) (não deixemos de congregar) sendo participativos, envolvidos, comprometidos com o trabalho.

Fiel na Assistência Social, Socorro aos necessitados, órfãos e viúvas. Mt 25.42-43. No cuidado da família. (I Tm 5.8) “Ora, se alguém não tem cuidado dos seus e especialmente dos da própria casa, tem negado a fé e é pior do que o descrente.”

Fiel nos compromissos. Nas compras efetuadas não dar calote, não deixar de pagar o aluguel, pedir dinheiro emprestado e não pagar; Com relação ao uso dos objetos alheios, se pegar algo emprestado devolver; se esse algo estragar não devolver estragado; Com relação aos horários previamente marcados não chegar atrasado ou faltar aos compromissos deixando a pessoa na mão,

Fiel nos relacionamentos; com relação ao relacionamento conjugal, não destrua seu casamento com o adultério; com relação aos filhos não deixe de cumprir suas promessas, seja exemplo naquilo que você mesmo exige do seu filho, “pais não irriteis os vossos filhos” (Cl 3.21), Com relação aos amigos ou irmãos em Cristo saiba guardar segredo, não faça fofoca, saiba dar bons conselhos.

Fiel no pouco e no muito. Seja fiel nas riquezas materiais e o senhor te confiara a verdadeira riqueza. (Lc 16.10).

Fiel até a morte. (Ap. 2.10). Seja morte matada ou morte morrida, seja fiel ao senhor por toda a vida. Não só de vez em quando.

Outra coisa que precisamos ser é prudentes. Jesus já falou sobre o homem prudente, (mt 7.24) “Todo aquele, pois, que escuta estas minhas palavras, e as pratica, assemelhá-lo-ei ao homem prudente, que edificou a sua casa sobre a rocha”. O homem prudente edifica sua vida sobre o evangelho de Jesus, ouvindo e colocando em pratica aquilo que aprende.

4 perfis de servos e o que acontecerá com eles na volta do senhor

Cada tipo de servo terá um tratamento diferente, cada um recebera segundo as suas obras “(Deus)…que retribuirá a cada um segundo o seu procedimento” (Rm2.6)

1) Servo fiel e prudente, cheio do espirito, ativos no serviço cristão. Estes terão lugar a mesa do seu senhor. – (v.37)

2) Anti-servo. Não terão lugar a mesa do Senhor, serão castigados e a sua sorte será com os infiéis, incrédulos – (v.45,46)

(Mateus 7:21) – Nem todo o que me diz: Senhor, Senhor! entrará no reino dos céus, mas aquele que faz a VONTADE de meu Pai, que está nos céus.

3) Servo que conhece a vontade de seu Senhor mas não se aprontou pra sua vinda. Serão punidos com muitos açoites – (v.47)

4) Servo que não conheceu a vontade do Senhor, mas fez coisas dignas de reprovação. Serão punidos com poucos açoites – (v.48)

(Mateus 5:19) – Qualquer, pois, que violar um destes mandamentos, por menor que seja, e assim ensinar aos homens, será chamado o menor no reino dos céus; aquele, porém, que os cumprir e ensinar será chamado grande no reino dos céus.

Que tipo de servo você é?

Referencias:

ALMEIDA, João Ferreira de. “Bíblia de Estudo Shedd.” São Paulo: Edições Vida Nova Cultura Cristã (Sociedade (2000).

Sproul, R. C. “Bíblia de estudo de Genebra.” São Paulo e Barueri: Editora Cultura Cristã e Sociedade Bíblica do Brasil (1999).

http://discipulosdecristoprromildo.blogspot.com.br

Isaías – Lição 2 – Um Pai fiel e seus filhos (muito) rebeldes

Isaías – Lição 2 – Um Pai fiel e seus filhos (muito) rebeldes

Por: Queila Cristina de Oliveira Godinho

Isaías 1: 1-31

Introdução

Este estudo tem como objetivo fazer uma introdução à mensagem exposta em todo o livro de Isaías. No capítulo 1 de Isaías é possível termos uma ideia do assunto que será abordado em todo o livro.

Com o intuito de trazer clareza e contextualizar a mensagem de Isaías com o novo testamento e uma aplicação para nossa atualidade, o assunto será exposto através de um quadro:

A acusação contra o povo (versículos 2-17)

Profecia de Isaías Novo Testamento

Contextualização

(V.2) Deus, como em um julgamento chama os céus e a terra para serem testemunhas que Ele criou e escolheu um povo (descendência de Abraão) que ao longo de sua história se rebelou e O  rejeitou (Jo 1:11) 700 anos após Deus ter tratado com os Israelitas, os judeus ainda permaneciam na rejeição a Deus, agora na pessoa de Jesus Cristo. (Rm. 1:28) O mundo permanece em sua rejeição a Jesus. Apesar da grande disseminação do evangelho da inclusão ( também para gentios) a todos os povos, ainda é notória a grande rejeição a Cristo e seus preceitos.
(V.3) Deus diz que até os animais conhecem o seu possuidor, mas o seu povo, Israel, não tem conhecimento, não entende a vontade de seu Deus. (Mt. 22:29) Jesus alerta os judeus, interpretes da lei, os que seriam responsáveis por levarem o conhecimento de Deus ao mundo, o quanto eles estavam na ignorância e desobediência a vontade de Deus. (Jo  8: 31-32)  O conhecimento de Deus se dá através da obediência de sua palavra. Aqueles que são chamados para serem discípulos de Cristo, a sua igreja, precisam conhecer e obedecer à palavra de Deus.
(v.4-6) A consequência do povo se afastar da santidade de Deus é a corrupção de seu caráter, que adoece o seu espírito. ( Mt. 15:8; 23:33) Jesus novamente chama atenção dos judeus, por estarem longe de Deus e corruptos de coração. ( Gl. 5: 17-23; Rm. 8:7) Paulo trás com muita clareza a consequência do crente estar cheio ou vazio do Espírito. As obras da carne, que é o próprio pecado, é a expressão de uma vida sem a presença  de Cristo através do Espírito Santo.
(V. 7,8) Deus afirma que a terra seria assolada por causa do pecado do povo. (Mt. 24:2) Também nos dias de Jesus ele faz uma profecia a respeito de Jerusalém. A cidade que deveria ser um referencial evangelístico para a outras nações seria (e foi) destruída por causa do pecado do povo. (Rm.8: 19-22) Toda a criação sofre as consequências do pecado humano.  A cobiça e maldade do homem trás impactos desastrosos na natureza e na sociedade. Por esse motivo a terra está doente, as pessoas estão doentes, as relações estão doentes.
(V.9) Se Deus não preservasse um remanescente fiel, o pecado assolaria a todos. (Mt. 24:22) Ainda em seu sermão profético, Jesus afirma que para preservação dos escolhidos de Deus, os maus dias seriam abreviados. (1 Pe.2:9) Mesmo em meio a um mundo perverso, a igreja é o remanescente fiel de Cristo.

Povo eleito, para ser a luz de Cristo sobre a Terra.

(v.10-17) Deus acusa o povo de realizarem práticas religiosas vazias e omissão a real vontade de Deus no cuidado com as pessoas. (Mt.9:13; Rm. 2:17-23) Jesus e também Paulo questionam a prática da lei pelos judeus sem uma real obediência e relacionamento com Deus. (Tg. 1:27) A verdadeira religião que Deus espera da tua igreja é obediência ao sumo mandamento: Amar a Deus sobre todas as coisas nos santificando do mundo para Ele, e amar ao próximo como a si mesmo, cuidando das necessidades uns dos outros.

Um convite ao arrependimento  (versículos 18-31)

Profecia de Isaías

Novo Testamento

Contextualização

(V.18-20) Aqueles que voltarem os ouvidos para Deus, receberão a graça do perdão. (Mt. 4:17; Ef.1:7) Jesus inicia o seu ministério chamando o povo ao arrependimento, pois através dele e somente nele, há redenção. (1Jo 1:9) Todo aquele que contrito confessar os seus pecados a Deus, ele é fiel e justo para perdoar em Cristo Jesus.
(V.21-27) Deus irá purificar a sua cidade santa (permitirá para isso o exílio na Babilônia) e restituirá a justiça de Deus como nos tempos dos juízes. (Ap. 3:19; 1 Jo 1:7) Deus prova e trata com aquele a quem ama, com intuito de purifica-lo. A justiça e o juízo de Deus são estabelecidos ao homem através do sangue de Jesus. (1Pe. 1:7) É necessário à igreja, que é justificada em Cristo, ser purificada pela provação da sua fé, afim de que Cristo seja honrado e glorificado.
(V. 28:31) Os ímpios serão punidos. (Mt. 25: 31-46) Haverá um julgamento e condenação eterna para os que não estiverem em Cristo. (Ap. 2:10) Aqueles que permanecerem fiel (o remanescente fiel) herdarão a vida eterna.

Por: Queila Cristina de Oliveira Godinho

Referencias Bibliográficas:

A mensagem de Isaías. Pecado, arrependimento e salvação. Souza, R. F. Revista Expressão. Editora Cultura Cristã. São Paulo. nº59/3° trimestre de 2015.

Biblia Shedd: Antigo e Novo Testamentos. Russell Shedd. 1997.

Introdução ao Antigo testamento. William S. Lasor, David A. Hubbard, Frederic W. Bush. Editora Vida Nova. São Paulo. 1999.

 

Lucas 11:33-36 – A parábola da candeia

A igreja, luz de Cristo

Por: Queila C. de O. Godinho

Jesus inicia a parábola dizendo da importância do objeto que produz luz permanecer em um local adequado afim de cumprir o seu objetivo de iluminar. É necessário compreender a que luz Jesus está se referindo neste texto. Em João 8:12 ele diz: eu sou a luz do mundo”, em Mateus 5: 14: Vós sois a luz do mundo”.

Jesus é a luz de Deus trazida ao mundo, a promessa se cumprindo (Mateus 4: 15-16), mas ao cumprir seu ministério ele chama aos seus discípulos a serem também esta luz. Depois de sua assunção aos céus, o seu corpo que é a igreja se tornou a luz de Deus permanente na Terra.

O chamado de Cristo para ser luz é intenso, ele não diz aos discípulos que apenas tenham a luz, como se tem um objeto ou uma pregação, mas ele ordena que sejam a luz em sua essência, afim de O representarem aos homens.

Ainda no versículo 33, Jesus é incisivo ao dizer para que a luz (igreja) não se esconda, mas permaneça em evidência. A luz pode causar reações diferentes nas pessoas, uns verão na luz a esperança, o caminho, outros se sentirão ofendidos, indignados e repulsa à luz, pois expõe as suas trevas. Os discípulos de Cristo, cidadãos do reino dos céus, devem brilhar esta luz onde estiverem, sendo pessoas honestas, amáveis, que cumprem as ordenanças de Deus, ainda que por causa disso sejam odiados e perseguidos por muitos. Jesus já havia alertado a sua igreja a esse respeito: Mateus 10: 22,24 “ e odiados de todos sereis por causa do meu nome… O discípulo não é maior que o seu mestre, nem o servo maior que o seu senhor.”

No versículo 34, o texto diz que o olho é o objeto que traz a luz ao corpo. Os olhos são a percepção humana, através dele a luz pode entrar. Por isso eles precisam está centrados na palavra de Deus. O salmista já havia afirmado:  Lâmpada para os meus pés é a tua palavra e luz para o meu caminho (Salmos 119: 105). A boa, perfeita e agradável vontade de Deus está expressa no evangelho de Cristo, não é apenas uma lei, mas a expressão extraordinária da vontade de Deus aos homens. Enquanto a lei diz amai ao teu próximo, o evangelho diz amai os seus inimigos. Enquanto a lei era impossível de ser cumprida aos homens, o evangelho se tornou acessível através de Cristo, e ao entrar no coração do homem ele se torna a luz de Deus por ter um caráter moldado a imagem de Cristo.

No versículo 35 Jesus chama a atenção para que a luz que há em ti não sejam trevas. Isaías 64:6 diz que todos nós somos como o imundo e todos os nossos atos de justiça como trapo de imundícia. Um grande perigo que o coração do homem sofre é o de ser cheio de luz própria, ou justiça própria. Engana-se ao achar-se bom e por acreditar que suas boas ações podem o tornar luz. Jesus orientou aos seus discípulos a não serem como os hipócritas fariseus, que cheios da sua própria justiça jejuavam e ofertavam em público a fim de serem vistos pelos homens.  Nenhuma luz que vier do homem poderá ser boa se não vier através de Cristo, ainda que as ações pareçam piedosas diante dos olhos dos homens se a fonte não for Cristo serão trevas.

Por fim no versículo 36, Jesus diz que se o corpo estiver todo sob a luz, todo luminoso será. Esta luz é o próprio Cristo. Paulo em sua carta aos Gálatas diz: “Logo já não sou eu quem vive, mas Cristo vive em mim; e esse viver que agora tenho na carne, vivo pela fé no filho de Deus, que me amou e a si mesmo se entregou por mim”. Aquele que é discípulo de Cristo, a sua igreja, o seu corpo, deverá ter toda a sua vida imersa nesta luz, Jesus deverá intermediar todas as suas relações: com Deus, consigo mesmo, com as pessoas, com a natureza, com o trabalho, ou seja, Cristo deverá ser tudo em todos.

A igreja precisa cumprir o seu chamado de estender o reino de Deus para este mundo, ser luz, sal da Terra, fazer a diferença, sofrer o dano de levar a Cruz de Cristo. Não podemos justificar a desobediência à palavra de Deus na natureza pecaminosa, devemos viver o evangelho através de Jesus Cristo, nos esvaziando de nossa justiça própria e nos enchendo do Espírito Santo.


Queila Cristina de Oliveira Godinho

Isaías – Lição 1 – Isaías: O quinto Evangelista

No olho da crise e de olho da Redenção

Por: Edicarlos Francisco Godinho

Isaías 1.1-9

Introdução

Esse é o começo da série de estudos sobre a mensagem de Isaías, hoje faremos um estudo introdutório, e por ser um estudo introdutório, vamos conversar sobre 4 assuntos básicos: O contexto histórico; O personagem Isaías; O livro, o manuscrito de Isaías; e A mensagem de Isaías.

Contexto histórico

Vamos ler Isaías 1.1, esse versículo nos dá uma contextualização histórica do profeta Isaías e seu ministério, seu ministério ocorreu durante os reinados de Uzias (Azarias), Jotão, Acaz e Ezequias, que foram reis de Judá.

O período da vida e ministério de Isaías aconteceu durante um período histórico chamado de monarquia dividida, esse período histórico se iniciou apos a morte de Salomão e foi até o cativeiro babilônico durou cerca de 390 anos. Após a morte de Salomão, o reino de Israel foi dividido pelo seu filho Roboão e pelo oportunista Jeroboão após um desentendimento entre os dois, um governou o norte e o outro o sul, o sul era somente a tribo de Judá, e o Norte contava com demais 10 tribos de Israel (Efraim). A tribo de Judá apesar de ser uma única tribo era tão numerosa quanto a soma das demais tribos, assim como geograficamente o território de Judá era praticamente a metade de Israel, como pode ser percebido nos mapas da época. Durante todo esse período histórico, a nação tinha um rei que governava Israel e outro rei que governava em Judá.

O reino de Israel durou cerca de 257 anos de Jeroboão até o cativeiro assírio, nesse tempo, as vezes tinha um rei que temia ao senhor, depois assumia  outro que era perverso, mas nas décadas finais Israel sofreu uma instabilidade interna muito grande com uma série sucessiva de reis completamente perversos fazendo todo tipo de coisa que desagradava a Deus, portanto Deus não era com eles, sofreram golpes políticos, um tomando o trono do outro com assassinato, os assírios se aproveitaram dessa instabilidade e atacam e tomaram a Israel. Por muito tempo Israel pagou impostos pesados para a Assíria. Numa tentativa de retomada pelo povo de Israel, a Assíria acabou por destruir completamente Israel, levando boa parte do povo cativo e, além disso, trazendo habitantes da Assíria e outros povos (babilônicos) para morar em Samaria, era uma estratégia de guerra para evitar uma possível revolta. Detalhe, Samaria era a capital do reino do Norte. O sincretismo religioso de Samaria e o ódio judeu que vemos nos evangelhos foram resultado dessa miscigenação dos israelitas, assírios e babilônicos nesse período.

Quando Israel foi tomada pelos assírios, Judá estava sendo reinada por Jotão (2ª Reis), então percebemos que Isaias foi contemporâneo a queda de Israel. Isaías estava lá, assistiu bem próximo, pois ele estava em Judá. (O reino está dividido, um reino não interferia no outro, portanto Judá não participou das guerras), portanto o reino de Judá ainda durou cerca de 133 anos do cativeiro assírio até o cativeiro babilônico. Mas foram 133 anos de muito sofrimento, com investidas dos assírios, obrigados a pagar tributo, parte da terra foi tomada e dada a reis filisteus.

O próprio livro de Isaías fala pouco sobre seu contexto histórico, o que mais compõe esse contexto são os livros de 2ª Reis, Amós, Oséias e Miquéias que relatam a situação nacional e internacional nos tempos de Isaías, sendo que esses profetas (Amós, Oseias e Miqueias) eram contemporâneos de Isaías. Então para um estudo aprofundado de Isaías não basta ler o livro de Isaías.

Detalhe: Os livros da bíblia não são associados por ordem cronológica, o que as vezes dificulta essa visibilidade, 2ª Reis está lá atrás e Amos, Oséias e Miqueias lá na frente (comparado com o livro de Isaías). Lá atrás temos Esdras, Neemias retratando a saída do povo de Israel do cativeiro babilônico enquanto Isaías, lá na frente está prevendo esse cativeiro.

Sobre o personagem Isaías

Isaías vivia no reino do Sul, no reino de Judá, mais precisamente em Jerusalém sua capital. Provavelmente por isso a maioria das profecias de Isaías foram direcionadas a Judá e sua capital Jerusalém, mas também profetizou para Israel e nações e cidades estrangeiras, inclusive aos impérios da época (assíria e babilônia). A tradição judaica diz que ele era próximo da corte, possivelmente de uma família nobre. O que permitiu que ele estivesse próximo dos reis (Uzias, Jotão, Acaz e Ezequias) durante seu ministério e permitiu também que Isaías estivesse a par da situação mundial.

Isaías viveu entre os séculos 8 e 7 ac. Que compreende o período do reino dividido que falamos anteriormente. Foi citado como Filho de Amoz, porém a bíblia não traz mais informações sobre seu pai. Era casado, possivelmente passou por 2 casamentos, não temos informações sobre a primeira esposa, teve 1 filhos com essa esposa e o nome dele era Sear-Jasube (7.3) que significa “um resto volverá” (virar, voltar) e a segunda esposa foi uma profetisa (8.3), ele teve um filho com ela que se chamou Maer-sall-has-baz (8.1-4), que significa rápido despojo presa segura. Os nomes dos filhos de Isaías representam as conquistas assírias que deixaram só um remanescente sobrevivente em Israel e o reino saqueado. O texto afirma que Deus mandou colocar esse nome no segundo filho, e possivelmente o primeiro filho também tenha sido devido ao seu significado profético.

Isaías teve uma das visões mais surpreendentes sobre Jesus, (Is 6.1-13), João confirma em seu relato no seu evangelho que a visão de Isaias era sobre Jesus (Jo 12.39-41) e não de Deus Pai como alguns possam pensar.  Eu não sei se você notou, mas a capa da revista é uma representação dessa visão. [A mensagem de Isaías: Pecado, arrependimento e salvação. Editora Cultura Cristã. 3° trimestre. 2015. São Paulo.]

Seu ministério se estendeu entre os anos 740 e 690 ac. O que dá Entre 40 e 50 anos de ministério. Segundo a tradição judaica ele foi morto por manasses, filho de Ezequias. A tradição judaica também vai dizer que ele foi serrado ao meio, possível base para Hb 11.37 onde o autor de hebreus fala sobre o fim de alguns dos que compõe a famosa galeria dos heróis da fé.

Sobre o livro e autoria

Isaías é o segundo maior livro da bíblia com 66 capítulos, sendo salmos o maior livro.

É chamado por alguns de “O quinto evangelho”, por isso o título desse estudo, por que o livro de Isaías foi um dos livros mais influentes na formação do judaísmo e cristianismo primitivos, o Novo Testamento começou a ser escrito na segunda metade do primeiro século, então o que os cristãos primitivos têm é o Antigo Testamento, principalmente Isaías, que aborda temas fundamentais da teologia cristã, são mais de 400 citações de Isaías no novo testamento. Alguns teólogos comparam sua estrutura como a de romanos pois retrata a Onipotência, Onisciência e a Obra redentora de Deus.

Alguns fatores como a diferença literária entre algumas partes do livro fazem os estudiosos acreditarem que Isaías pode ter tido vários autores. As argumentações mais fortes são para dois ou três autores. As linhas que defendem 2 autores mostram que as profecias nos capítulos de 1 a 39 concentram-se em Judá e assíria enquanto que as de 40 a 66 concentram-se para um período do cativeiro babilônico, além disso repetições de palavras para demonstrar ênfase, referência das cidades representando pessoas, ou seja um estilo literário diferente. Já os Argumentos para um terceiro Isaías é que os capítulos de 50 a 66 não tratam exatamente de profecias, mas seria um relato histórico de um período de 150 anos mais tarde.

Mais importante do que a autoria do livro é a autoridade do livro, as teorias sobre a autoria não diminuem sua autoridade ou sua canonicidade, principalmente pelas inúmeras citações no novo testamento, principalmente citações feitas pelo próprio Jesus nos evangelhos fortalece a autoridade do livro, como também os cumprimentos dessas profecias atestam que realmente foram dadas por Deus.

Ainda sobre a autoridade do livro de Isaías, queria destacar a atualidade da mensagem de Isaias, o núcleo da mensagem de Deus dada a Isaias continua sendo o núcleo da mesma mensagem que a igreja anuncia sobre o evangelho. O autor da revista vai destacar textos chaves da mensagem de Isaias que mostram como a mensagem de Isaias é atual.

As mensagens de Isaías – Temas chaves dos livros ou Núcleos das mensagens

Remanescente fiel, ainda que o numero dos filhos de Israel seja como a areia do mar o remanescente é que será salvo (Rm 9.27). Aquele que perseverar até o fim será salvo. (Mt 24.13)

A soberania de Deus sobre o destino dos povos, Paulo dedica o capitulo 9 de romanos para falar sobre a soberania de Deus. Um dos princípios mais importantes da teologia cristã é a soberania de Deus e a responsabilidade humana.

A humilhação dos arrogantes e a exaltação de Deus dos que o servem. “Pois todo o que se exalta será humilhado; e o que se humilha será exaltado” (Lc 14.11). “Deus resiste aos soberbos mas dá graça aos humildes” (Tg 4.6). “Humilhai-vos perante o Senhor, e ele vos exaltará”. (Tiago 4:10)

Servo do senhor, Santo de Israel, e O rei messiânico da casa de Davi. É anunciar cristo e o seu evangelho.

O que aprendemos com Isaías:

1) Jesus é o Deus que caminha conosco na nossa história. A ação de Deus se dá na realidade do mundo material, Na situação social e politica, Deus se utiliza das nações estrangeiras pra tratar com a nação de Israel. Como Deus caminhou com Israel ele caminha também com sua igreja, e com cada um de nós individualmente.

2) Isaías titubeou no seu chamado, assim como outros profetas e lideres chamados por Deus no AT. Moisés pediu a Deus para mandar outro no lugar dele, disse que ele era gago. Gideão, como ele colocou a prova o chamado de Deus. Jonas tentou fugir do seu chamado. Para nós isso é comum a nossa natureza humana, as vezes podemos achar que não damos conta do recado, que o chamado de Deus não é pra nós, tentamos se esquivar do chamado, mas Deus tem sim um chamado para nós como membros de sua igreja, como discípulos dele, um chamado pra levar sua palavra, devemos encarar esse chamado com mais coragem e com a mesma humildade de Isaías, que reconheceu o seu pecado, A semelhança de como Jesus purifica Isaías nessa visão, hoje somos purificados por Jesus, no seu sangue. Estamos, portanto, aptos para levar sua mensagem, somos os profetas da nova aliança.

3) Reconhece sua situação pecadora assim como a dos seus irmãos e compatriotas, apenas após esse reconhecimento e a partir da purificação feita por Deus ele é capaz de iniciar seu ministério. Precisamos do mesmo modo reconhecer nossa condição pecadora, que necessitamos da graça e da misericórdia de Deus. Que possamos enxergar também nossos erros, nossos pecados. Temos um advogado junto ao pai, se confessarmos os nossos pecados ele é fiel e justo para nos perdoar e nos purificar de toda injustiça (1Jo)

4) Temor de Deus diante da sua santidade, “ai de mim, estou perdido”, “Meus olhos viram o Rei, o senhor dos exércitos”. Precisamos nos achegar com temor diante de Deus, respeito, reverencia. Não podemos perder a noção da santidade de Deus e o quanto precisamos buscar a santificação para que possamos nos apresentar diante dele. “Segui a paz e a santificação sem a qual ninguém verá o Senhor” (Hb12.14).

5) A purificação de Isaías com as brasas tiradas do Altar, isso indica que a purificação só poderia ocorrer por meio de um ato divino. Semelhantemente só podemos ser purificados por Jesus, graças ao seu sangue que foi derramado pelos nossos pecados. Sem a intervenção divina por meio de Jesus jamais poderíamos nos achegar a Deus.

6) O cativeiro foi o tratamento de Deus por causa da desobediência do povo, da idolatria, e apesar da imagem desoladora das profecias, as vezes podemos pensar: “puxa Deus está pesando a mão” no final, sempre temos uma palavra de misericórdia de Deus, de manutenção da sua graça sobre o povo. O objetivo de Deus não é destruir o povo, pelo contrário, o objetivo é de dar a salvação. Mas o povo sempre desobedece, se esquece de Deus, Deus castiga porquê… “ Porque o Senhor corrige a quem ama e açoita a todo filho a quem recebe” (Hb 12.6).

Aplicação final

Isaías foi chamado para relembrar o povo da aliança divina. Que possamos compreender que, como igreja, temos o desafio de falar sobre a aliança de Deus conosco. Uma nova aliança que foi feita pelo sangue de Jesus. Que a partir de tudo que vamos aprender sobre a mensagem de Isaías durante toda essa revista possamos refletir sobre a responsabilidade que Deus coloca sobre cada um de nós de anunciar a sua mensagem.

Por: Edicarlos Francisco Godinho

Referencias Bibliográficas:

A mensagem de Isaías. Pecado, arrependimento e salvação. Souza, R. F. Revista Expressão. Editora Cultura Cristã. São Paulo. nº59/3° trimestre de 2015.

Biblia Shedd: Antigo e Novo Testamentos. Russell Shedd. 1997.

Introdução ao Antigo testamento. William S. Lasor, David A. Hubbard, Frederic W. Bush. Editora Vida Nova. São Paulo. 1999.