Mateus 4.18-22 – A vocação dos Discípulos

Esse trecho fala sobre o chamado dos primeiros discípulos e nos indica detalhes interessantes:

  • Este chamado é tão grandioso que se estende até nós nos dias de hoje.
  • Jesus busca as pessoas para acompanha-lo e trabalhar com Ele, ou seja, compartilha a sua missão com a humanidade, isso revela seu desejo de comunhão conosco.
  • Ele vai à busca de simples pescadores, pois o que importa não é o conhecimento cientifico, títulos acadêmicos. Aquele que prega por Jesus não precisa demonstrar nada senão fé, testemunhar a verdade do amor de Deus, a certeza da ressurreição de Cristo.
  • A vocação acontece junto ao mar da galileia, lugar onde o povo da galileia vive e trabalha, o chamado não é feito em um ambiente religioso, mas onde as pessoas vivem a sua vida cotidiana.

Dois aspectos pessoais de Jesus

Primeiro, Jesus chama cada um do seu modo, numa experiência singular com o seus eleitos. Segundo, a simplicidade na pregação de Jesus ao utilizar de situações do cotidiano.


 

Imediatamente

Os discípulos imediatamente o seguiram. Imediatamente é uma palavra chave desse trecho. É um exemplo para nós, porque, hoje em dia muitos crentes procrastinam esse chamado.

SOBRE O CHAMADO

O chamado de Jesus é irresistível e os faz capaz de renunciar a sua família e trabalho para seguir Jesus. Essa ruptura é muito diferente da noção de abandono que vem a nossa mente. Precisamos entender que para servirmos a Jesus não precisamos ser mendigos ou indigentes ou não podemos ter posses, ou até mesmo desfrutar de relacionamentos pessoais de amizade, mas devemos amar a Deus acima de todas as coisas e saber que o maior propósito da nossa vida é cumprir o chamado dele de sermos seus discípulos e pregar o evangelho. Para o Judeu fazer parte de uma família era sinal de prestigio e honra. Precisamos entender que a nossa dependência de Deus precisa ser maior que a nossa dependência econômica e social.

Ser ou não ser, eis a questão…

A grande questão do cristão sempre foi: Qual é o meu chamado, vocação, dom, talento, qual é a minha função no corpo de Cristo, qual é o meu papel no reino de Deus? Ninguém pode escolher ou decidir isso por você. Talvez Deus se antecipe colocando no seu coração tal desejo juntamente dando-lhe a capacitação. Ele vai fazer brotar no seu coração a vontade de servi-lo. O Chamado de Deus não é maçante, pelo contrario, é agradável, te traz paz, jamais ansiedade ou medo.

largar as redes

O que representa as “largar as redes (de pesca)” pra você? Talvez tenha algo que te atrapalhe a seguir a Jesus. Um pecado, um relacionamento, um vício. Pergunte pra você mesmo o que você precisa largar para seguir Jesus e tome uma decisão de coragem hoje para exercer seu ministério.

tá nervoso? vá pescar!

Os pescadores devem ser pacientes e perseverantes ao perceber que o resultado do seu trabalho não corresponde ao esforço empregado. Do mesmo modo vamos enfrentar adversidades em nosso ministério. Precisamos lembrar que fomos vocacionados por Jesus e que Nele o nosso trabalho nunca é em vão.

E eu com isso?

Jesus nos chama para segui-lo, e o chamado dos discípulos é um chamado também a nós que somos seus discípulos. “Seguir” ou “vinde após mim” não significa somente ir atrás de Jesus, mas aceitar a sua doutrina, entregar-se a sua vontade, colaborar com a sua missão, partilhar do seu destino que é a morte e glorificação. E o mais difícil: Renuncia, Negar sua própria vontade para fazer a vontade de Deus.

Os discípulos são chamados para serem pescadores de homens, ou seja, ser pessoas que vão praticar essa atividade missionaria de atrair mais pessoas ao reino de Deus pela pregação do evangelho.

Mateus 2: 1-12 – A visita dos Magos

Mateus 2: 1-12 – A visita dos Magos

É importante prestarmos atenção ao que diz as escrituras para entendermos o que é mito e o que é verdade comparada aos contos populares, que são muitos, e também para não confundirmos personagens, pois há muitos personagens com o mesmo nome.

A história da visita dos magos, por exemplo, é recheada de mitos populares, temos que tomar cuidado de não reforçarmos um mito ou um conto popular que muitos acham que é verdade e realmente não é, o que não seria biblicamente correto.

Herodes, o Grande, não deve ser confundido com o seu filho, Herodes Antipas, que mandou cortar a cabeça de João Batista, o mesmo envolvido com a morte de Jesus.

A visita dos Magos não aconteceu ao mesmo tempo que a visita dos pastores (Lc 2). Jesus era recém-nascido naquela ocasião, estava numa estrebaria. Os magos foram visitar Jesus, talvez até 2 anos mais tarde. A família de Jesus estava numa casa (Mt 2. 11). Tanto que Herodes, sentindo que o seu trono estava ameaçado, mandou matar crianças de até 2 anos, após perguntar para os magos sobre a aparição da estrela (Mt 2:7).

A palavra “Magos” no grego utilizado nesse texto pode significar sacerdotes, astrólogos, astrônomos, sábios (Persas ou Babilônicos).

Apesar da tradição popular os considerarem reis, nada indica que realmente o fossem, nada indica que eram 3 magos, as pessoas parecem que fazem essa ligação por causa dos 3 presentes recebidos, ouro, incenso e mirra, e nada indica que os seus nomes eram Melquior, Baltazar e Gaspar, os estudiosos afirmam estes nomes se originaram de uma lenda surgida no séc. VIII.

Se começarmos a ler o capítulo 2, de forma desapercebida, temos a impressão de que os magos saíram do oriente e foram direto ao palácio de Herodes, mas não foi assim. Eles estavam seguindo pistas da “estrela”, um sinal do nascimento do Messias.

Pelo texto podemos perceber que a chegada dos Magos causou grande alvoroço em Jerusalém. É provável que eles tenham chegado com uma caravana com muitas pessoas porque eles vieram de longe e traziam presentes valiosos. Por isso que não temos certeza de quantos eram, mas é mais provável que eram muitos mais que apenas 3 pessoas.

A respeito da estrela, não sabemos com certeza se era um fenômeno natural ou sobrenatural, mas foi, de fato, um sinal dado por Deus da vinda do messias. Em Lucas 2, na visita dos pastores, aparecem Anjos. É possível que o resplendor da glória desses Anjos possa ter sido interpretado por esses magos como sendo um resplendor de uma estrela.

A visita dos Magos pode representar a salvação universal, pois os mais distantes também procuram a Cristo. O sacrifício de Jesus foi tão completo e perfeito que Ele redimiu e reconciliou não só a nação de Israel, mas também todo o mundo, toda a humanidade, toda a natureza. Jo 1.11,12 – Ele veio para os seus, mas os seus não o receberam, mas a todos quanto o receberam deu-lhes o poder de serem chamados filhos de Deus…

Os que estão próximos não se deixam atingir pelo menino Deus, o messias esperado. Herodes, os escribas e sacerdotes, principalmente as autoridades religiosas deveriam ser os primeiros a identificarem e reconhecerem a Cristo, mas pelo contrário, o rejeitaram e o perseguiram.

(V. 10) Eles se encheram de alegria ao encontrarem. É uma satisfação sem igual quando encontramos Jesus.

Aqueles Magos presentearam Jesus com ouro, mirra e incenso. E nós, o que temos oferecidos a Jesus?

(V. 12) Aqueles Magos foram avisados para que não voltassem pelo mesmo caminho. Uma vez que vemos a Cristo jamais voltamos pelo mesmo caminho, pelo contrario, tomamos outro caminho porque Jesus transforma totalmente as nossas vidas.

Aqueles magos presentearam jesus com ouro, mirra e incenso. Esses presentes podem ser interpretados numa análise cristológica em relação as características de Jesus: O ouro para o Jesus Rei, o incenso para o Jesus Deus e a mirra para o Jesus Salvador que iria entregar a sua própria vida.

Podemos interpretar esses magos e seus presentes como pessoas que talvez nem possuíssem necessariamente muitas riquezas mas que adoraram a Jesus com suas posses. Podemos compará-los conosco hoje, com as nossas atitudes de fiéis seguidores de Jesus. O que tem oferecido, dado ou ofertado ao nosso Senhor e Salvador?

Esse capitulo 2 de mateus que descreve a visita dos reis magos tem um enfoque na realeza de Jesus ao mostrar que Ele nasceu na cidade de Belém de Davi. Por causa da profecia cumprida que diz que de Belém nascerá o guia que apascentara Israel. No capítulo anterior vimos na genealogia que ele é da linhagem de Davi. Alem disso os magos procuravam honrá-lo, renderem adoração, ou seja, reconheceram a divindade de Jesus. Isso remete a uma doutrina importantíssima do cristianismo que é a doutrina da Trindade, pouco ensinada atualmente. Jesus é Deus. Como Paulo afirma aos colossenses em Cl 2:9 “Pois em Cristo habita corporalmente toda a plenitude da divindade”.

Podemos confirmar a realeza de Jesus na atitude de Herodes, que se sentiu ameaçado vendo em Jesus um possível  concorrente ao seu trono.


Bibliografia:

Os Evangelhos. Versão restauração com comentários de Witness Lee. 1999.

Mário Persona. O Evangelho em 3 minutos. 2013